Masõmi!

Pedro "Peralta " num é de muitos anos atrás o cognome que usamos 
quando nos referimos a um outro Pedro, o Pedro "Peralta" Pereira.

Quando  vi o título da matéria, pensei logo de prima que era um 
artigo sobre Pedro Pereira, coisa que acredito tenha acontecido com 
outros leitores que sabem dessa oinda. No mais, o artigo ficou muito 
bão.

abração
Vlamir 

--- In [email protected], "Alexandro Gurgel" <alex-
[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> 
> 
> www.grandeponto.blogspot.com
> 
> Um Pedro Peralta na Esquina do Continente 
> 
> Fotos: AG Sued
>  por Alexandro Gurgel
> 
> Com 30 anos de carreira, quatro CDs gravados (Esquina do 
continente, Um Pedro a Mais, Cantam-me e Canto-os), Pedro Inácio 
Filho soube cantar as belezas natalenses como nenhum outro músico. 
Escrita há duas décadas, "Linda baby" tornou-se um verdadeiro hino a 
Natal. A música está na ponta da língua de cada natalense que canta 
com brio sua terra. "Linda Baby é o hino extra-oficial da cidade", 
diz orgulhoso.
> 
> Nascido em Parnamirim, no ano da graça de 1963, Pedrinho é filho de 
um oficial da Aeronáutica, que serviu em várias cidades brasileiras, 
mas fixou residência em Natal, a Rua Mendes Sá, no Barro Vermelho. 
Apesar de o seu pai ser músico de carreira, Pedrinho Mendes é um 
autodidata confesso. Aos 10 anos, o menino Pedrinho ganhou um violão 
do seu pai e logo tomou gosto pela música. 
> 
> Aos 14 anos, colocou o violão na mochila para morar em Fortaleza, 
indo estudar num colégio militar, no qual fez parte da banda marcial 
estudantil e ao mesmo tempo, começou a compor seus versos. Três anos 
depois, Pedrinho retornou a Natal onde começou a tocar na noite, em 
bares da moda como o Beco da Música, ao lado de Chico Elion. Em 1980, 
Pedrinho já era uma figura concorrida nas noites natalenses, 
trabalhando profissionalmente nos melhores barzinhos.
> 
> Por volta de 1982, no ápice do bar Boca da Noite, o músico relembra 
que passou de Pedro à Pedrinho. Antes disso, jamais tinha sido 
chamado de Pedrinho. Pelo contrário. Por causa dos seus quase dois 
metros de altura, sempre foi chamado de Pedrão. Principalmente, no 
tempo em que praticava atletismo, onde deixou alguns recordes no 
salto triplo e salto de altura nas escolas em que estudou.
> 
> Logo depois, Pedrinho começou a tocar ao lado de Sueldo Soares nas 
famosas batucadas natalenses, nos bares como Boteco, Moenda, entre 
outros agitos. Seu talento já não cabia mais na noite. Nessa mesma 
época, Pedrinho começou a participar do "Projeto Pixinguinha" em 
Natal e do "Projeto Pixingão", no Rio de Janeiro, ao lado de João do 
Vale e Tetê Espínola. Em 1985, ganha o 1º lugar no 2º Festival de 
Música e Poesia da UFRN. É a consagração.
> 
> Um pouco mais maduro, em 1986, Pedrinho começou a pensar no projeto 
para gravar seu primeiro disco, quando trabalhou durante a campanha 
de Geraldo Melo para governador e conseguiu levantar a grana para 
apostar no seu primeiro disco, mesmo contra a opinião de algumas 
pessoas. Pedrinho juntou 14 músicos e levou todo mundo para 
Recife, "porque em Natal não havia uma gravadora", completou.
> 
> Em novembro de 1986, ele finalmente gravou "Esquina do Continente", 
que foi lançado no ano seguinte, com uma grande força da TV Ponta 
Negra e com a participação decisiva do saudoso senador Carlos 
Alberto. Conforme Pedrinho, naquela época estava faltando matéria 
prima para a elaboração do disco em vinil, que só atendia aos grandes 
nomes da MPB como Roberto Carlos Caetano Veloso, Fagner, entre 
outros. 
> 
> Carlos Alberto usou seu prestígio de senador e conseguiu a 
prensagem do LP "Esquina do Continente", com música de Babal, de 
Carlos Santa Rosa, participação de Sueldo Soares e outras músicas de 
autoria de Pedrinho como "Linda Baby", que foi a música que o 
popularizou.
> 
> No final dos anos 80, ele se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde 
morou durante um ano, fazendo várias apresentações na noite 
carioca. "Meu umbigo está enterrado aqui e resolvi voltar", relata. 
Em 1990, volta à Natal para grava seu 2º LP, "Um Pedro a mais", com 
lançamento simultâneo em Natal (Teatro Alberto Maranhão) e no Rio de 
Janeiro (Asa Branca). No ano seguinte, novos convites levam Pedrinho 
à Itália, onde participa do Festival "Marche Canta Brasil" nas 
cidades de Ancona, Pesaro, Marota, San Benedetto e Porto Recanatte. 
> 
> A popularidade de Pedrinho aumenta mais ainda quando, no verão de 
92/93, apresenta o programa Cabugi Verão, na TV Cabugi, afiliada da 
Rede Globo. Após sua aparição na tela da Globo, começaram a surgir 
trabalhos em eventos como Festa do Boi, carnaval na Barra de 
Maxaranguape e carnaval no Portal das Dunas. "Nessa época, passei 
muito tempo produzindo música e participando de vários festivais por 
todo Brasil como em Santa Catarina, Ceará, Paraná, etc.", conta.
> 
> Em 1994, foi vencedor do FECARPO (Festival Regional da Canção 
Popular), em Cascavel/PR e faz temporada de 6 meses em Santa 
Catarina, nas cidades de Blumenau e Camboriú. No mesmo ano, firma uma 
parceria com Babal, viajando à Itacoatiara/AM, onde vence o FECANI 
(Festival de Canção de Itacoatiara). "Nós fomos os primeiros não 
amazonenses que venceram esse festival", revelou Pedrinho. A dupla 
potiguar recebeu o prêmio das mãos de Nilson Chaves e Cláudio Nucci, 
do grupo Boca Livre e fizeram shows juntos em Manaus.
> 
> Foi finalista do "Canta Nordeste"- no auge do programa promovido 
pela Rede Globo Recife - e seus shows em Natal sempre contaram com 
grandes públicos. No mesmo ano, abre o Projeto "6 e Meia", promovido 
pela Fundação José Augusto, no Teatro Alberto Maranhão, ao lado de 
Nico Resende. O talento, seu violão e suas composições o levaram a 
participar em diversos encontros musicais com Valéria Oliveira, Lane 
Cardoso, Cida Lobo, Luis Gadelha, entre outros artistas, resultando 
em várias gravações das suas músicas.
> 
> Como conseqüência dessa integração com os artistas, nasceu o 
CD "Cantam-me", onde suas músicas eram cantadas por Renato Braz, 
Madrigal da UFRN, Cida Lobo, Lane Cardoso, Valéria Oliveira, entre 
outros. Em seguida, foi lançado outro CD com o título "Canto-os", 
onde Pedrinho interpretava canções de outros compositores como Babal, 
Carlos Santa Rosa, Diógenes da Cunha Lima, etc.
> 
> Atualmente, Pedrinho trabalha no seu mais novo projeto 
chamado "Escute Aqui", com composições mais recentes que tem uma 
proposta mais acústica. "Foi um disco iniciado todo no violão. Então, 
comecei a convidar alguns músicos para participar desse novo CD que 
já está em estúdio", ressalta Pedrinho, anunciando que o disco "Fera 
Nova" está pronto para sair no início de 2008. Pedrinho também lembra 
que o ano de 2007 marca os 25 anos do primeiro show realizado no 
Teatro Alberto Maranhão que se chamou "Tinta viva" e foi feito ao 
lado de Sueldo Soares.
> 
>  
> 
> 
> 
> 
> A verdadeira história de "Linda Baby" 
> 
> 
> 
> A canção "Linda Baby" é a marca registrada de Pedrinho Mendes. 
Composta em 1981, quando o músico tinha 18 anos, "Linda Baby" tomou 
uma dimensão nunca antes imaginada pelo autor. Pedrinho compôs a 
música para a "cidade que é o meu viver". Atualmente, "Linda Baby" é 
considerada oficialmente o "hino extra-oficial" de Natal. "Já cantei 
essa música em cerimônias onde ela foi considerada como hino da 
cidade", salientou.
> 
> Pedrinho lembra que certa vez durante uma solenidade oficial onde 
estavam a governadora Wilma de Faria e o prefeito natalense Carlos 
Eduardo, Pedrinho cantou "Linda Baby" no momento em que a bandeira da 
cidade era hasteada. "Nesse dia, com uma conversa informal com a 
governadora e o prefeito, foi decretada que Linda Baby seria 
oficialmente o hino extra-oficial de Natal", relembrou.
> 
> Pedrinho reconhece que os versos de Othoniel Menezes, "Serenata ao 
Pescador", conhecida como "Praieira" é a primeira referência musical 
laudatória à cidade de Natal. Mas, faz uma ressalva que sua "Linda 
Baby" é a mais tocada nas últimas duas décadas. "Isso me deixa muito 
orgulhoso. Hoje, eu chego a qualquer lugar, seja com pessoas humildes 
ou no meio de pessoas com destaques na sociedade, e quando eu falo 
algum trecho da música as pessoas a reconhecem", afirmou.
> 
> A princípio, a música foi feita para uma amiga pernambucana para 
mostrar os encantos da cidade. Mas, com o tempo, o autor confessar 
que também era uma homenagem à Natal. Conforme Pedrinho, a 
palavra "baby" faz parte de uma tradição natalense desde a II Guerra 
Mundial, quando a cidade teve forte influência americana e 
explica: "Na verdade, Linda Baby é Sheila, uma amiga pernambucana".
> 
> Nos versos: "Aqui não tem Avenida São João / Nem o mesmo padrão que 
se tem por aí", as pessoas podem pensar que Sheila é paulista. Porém, 
Pedrinho justifica que ela falava muito que conhecia São Paulo e 
outros lugares sofisticados. "Naquela época, ela reclamava que Natal 
não tinha uma escada rolante e outros confortos de uma grande cidade. 
Então, resolvi escrever uma espécie de carta, cantando para ela 
voltar sempre aqui porque Natal tem outras coisas que ela não 
encontra em outros lugares", disse.
> 
> Na época, Sheila era prima de uma namorada natalense de Pedrinho, 
que afirma não ter tido nenhum tipo de envolvimento amoroso com 
a "Linda Baby". Algum tempo depois, Sheila conheceu a música e mudou 
sua opinião em relação à cidade. De acordo com Pedrinho, quando ela 
voltou à Natal, ouviu a música, adquiriu o CD, ela tornou-se 
completamente apaixonada quando atendeu ao apelo "Linda Baby volte 
sempre aqui".
> 
> 
> A polêmica dos baixos cachês
> 
> Pedrinho é um critico ferrenho da disparidade que há entre os 
cachês pagos aos artistas locais e aqueles nacionalmente conhecidos 
da Musica Popular Brasileira quando vêm fazer shows em Natal. O 
músico natalense relata que reclamou com alguns produtores culturais 
em relação ao tratamento dispensado aos artistas nacionais. "Enquanto 
os artistas potiguares têm uma tenda com água, as estrelas nacionais 
dispõem de camarotes com ar condicionado, mesa de frios e uísque 
importado", afirmou.
> 
> Pedrinho concorda que essa concepção não é apenas de quem produz os 
shows. "Esse é um problema da classe artística local. Quando a gente 
não reclama em função de um direito legítimo, a gente acaba se 
contentando com pouco. Eu exijo, mas exijo sozinho", desabafou. O 
músico também relata que está sendo boicotado em alguns eventos por 
causa da sua postura em defender cachês mais dignos para a classe.
> 
> Conforme Pedrinho Mendes, os artistas potiguares devem se unir 
para, em bloco, protestar contra essa política predatória. "Já está 
na hora dos dirigentes culturais pagarem um cachê melhor e ter 
orgulho de pagar bem", ressaltou Pedrinho, sugerindo que os Poderes 
Públicos diminuíssem o número de artistas em cima do palco para 
aumentar o cachê. "Se os artistas se unirem em tono de um objetivo 
comum, os produtores começariam a valorizar mais o artista local", 
disse.
> 
> Essa política desigual, praticada pelo Governo do Estado e 
Prefeitura do Natal, foi praticada durante os festejos do "Natal em 
Natal", em pleno Machadão. A cantora Rita Lee firmou contrato com o 
Município pela bagatela de R$ 148.500. Enquanto isso, o cachê das 
artistas potiguares para cantar durante a inauguração da ponte, 
Khrystal e Valéria Oliveira, foi de R$ 2.500. No final do show, 
usando uma simples calculadora, qualquer pessoa descobre que uma Rita 
Lee vale 30 vezes mais do que Khrystal e Valéria juntas.
> 
> 
> Linda Baby
> (Pedrinho Mendes)
> 
> Essa é uma terra de um deus mar
> De um deus mar que vive para o sol
> E esse sol está muito perto daqui
> Venha e veja tanto quanto pode se curtir
> 
> Linda terra para a mãe gentil
> Belo cai o sol sobre esse rio
> E esse rio também está perto daqui
> Venha e veja tanto quanto é o nosso Potengi
> 
> Sempre que estiveste por aqui
> Não observaste o nosso ser
> Não aproveitaste o lindo olhar ao céu
> Venha, pois não dá prá dizer tudo no papel
> 
> Curte-se aqui ao natural
> A natureza espalha o nosso chão
> 
> Estou cantando a terra que é o meu viver
> E acontece que eu estou cansado de dizer
> Que aqui não tem Avenida São João
> Nem o mesmo padrão que se tem por aí
> Coisas que não tem em todo o canto não se deve exigir
> 
> Isso é Natal, ninguém se dá muito mal
> Como dizem pessoas quase sem se sentir
> Linda baby, baby linda, volte sempre aqui.
>


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