*Pessoal:* *Deve ser bom demais morar num pais onde a FARTURA* *(farta tudo) predomina **e tem um ditador de meia-tigela * *há mais de 50 anos tem a população debaixo **da chinela!!!!* *ABC, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Em 20/01/08, Alex de Souza <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > *Pugilistas cubanos estão há seis meses fora dos ringues * > > *Situação dos boxeadores Rigondeaux e Erislandy continua indefinida em > Cuba* > > *Os dois abandonaram a Vila Olímpica, durante o Pan do Rio, e foram > deportados pelo governo brasileiro; eles estão proibidos de lutar * > Eduardo Knapp/Folha Imagem > *Rigondeaux, sua mulher Farah e o filho Guillermo, em sua casa * > > *LETÍCIA SANDER* > ENVIADA ESPECIAL A HAVANA > > É manhã de quarta-feira em Havana, capital de Cuba, e Guillermo Rigondeaux > Ortiz está em casa no bairro de Altahavana com a mulher, o filho e a mãe. Um > dos melhores boxeadores do mundo não faz nada de especial. Acabara de se > despedir de Erislandy Lara Zantaya, também pugilista e companheiro de tardes > desocupadas. Os dois acabam de completar seis meses afastados dos ringues, > sem trabalho, numa rotina sem sobressaltos, que se resume à espera e > indefinição. > Rigondeaux, 27 anos, bicampeão olímpico dos pesos-galo (até 54 kg), e > Lara, 24 anos, campeão mundial dos meio-médios (até 69 kg), estão proibidos > de treinar com a equipe nacional de pugilistas cubanos, são evitados pelos > antigos colegas e até hoje aguardam uma definição sobre o futuro, sem sinais > da cúpula do regime que antes os badalavam. > "É uma tortura psicológica", define Farah, 31, cubana que, também sem > trabalho, compartilha a angústia do marido, Rigondeaux. "Ele não estava > acostumado a não fazer nada. Se sente muito mal", disse ela à Folha na > quarta passada. > A saga dos dois começou em julho do ano passado, quando abandonaram a > seleção cubana durante os jogos Pan-Americanos no Rio, foram repatriados > depois de alguns dias no Brasil e acabaram acusados por Fidel Castro de > terem tentado se vender ao profissionalismo por um punhado de dólares. > Eles dizem que não foi isso que aconteceu. Seis meses depois do ocorrido, > diante da família e com esperanças de serem perdoados e voltarem a treinar, > os dois ainda se referem à experiência no Rio sem muita disposição em > esclarecer. E poupam o governo de críticas, talvez evitando dificultar ainda > mais as coisas. > Questionados se tentaram fugir do regime comunista e ficar no Brasil, eles > dizem que não. Foram ameaçados? "Não", dizem. Familiares sofreram pressão? > "Também não", repetem. Então o que os fez abandonar o Pan-Americano e passar > mais de dez dias sumidos no Rio? "Foi uma indisciplina", responde > Rigondeaux, sentado em uma poltrona vermelha na sala de menos de 30 metros > quadrados da casa em que mora com a família em Havana. > Tido até há pouco como herói nacional cubano, ele recebe a Folha de > bermuda jeans, camiseta preta, chinelos e boné. De estatura baixa, magro e > quieto, sua imagem à primeira vista não remete a de um campeão do pugilismo, > não fossem as obturações de ouro nos dentes da frente e as mais de cem > medalhas e 20 troféus espalhadas pela estante e paredes da sala. Ele > desconversa sobre os dias no Rio e repetidas vezes menciona que nunca > cogitou deixar Cuba. "Já viajei muitas vezes, nunca tentei nada disso", diz, > apontando para as paredes que comprovam vitórias em lugares como Venezuela, > França, Rússia, Austrália, Tailândia, Grécia e Reino Unido. > Sem trabalhar desde que voltou a Cuba, Rigondeaux só tem hoje um > compromisso fixo diário, a corrida de cerca de duas horas que faz pela > manhã, disciplina de quem precisa manter os 54 quilos da categoria galo e > não quer desistir do esporte, mesmo há tanto tempo sem treinar e dependente > de um perdão para voltar a fazê-lo. Após a revolução de 1959, a prática > profissional do boxe foi abolida em Cuba. > Longe do guarda-chuva do Estado, o pugilismo inexiste em Cuba e convites > aceitos por atletas para deixarem o país são tidos como uma traição ao > regime. Durante muito tempo, principalmente quando a ilha era cliente da > antiga União Soviética, o boxe cubano não viveu grandes desafios para manter > os seus atletas no país. > Teofilo Stevenson tornou-se um lendário peso-pesado cubano não só pelas > vitórias, mas também por ter rejeitado propostas milionárias para que se > tornasse profissional e fosse embora de Cuba. Virou ídolo do regime. > Mas a realidade mudou. Nos últimos anos, cerca de 150 desportistas cubanos > aproveitaram as competições no exterior para fugir. Um exemplo do temor > castrista: diante da possibilidade de novas deserções após o episódio do > Pan, Cuba proibiu que sua equipe nacional fosse a Chicago participar do > Mundial de boxe, em outubro. Nesta mesma competição, Yuriorkis Gamboa, > desertor do país caribenho que desenvolve a carreira na Europa, embolsou > entre US$ 10 mil e US$ 15 mil. > Rigondeaux nega fazer parte desta turma, mas na conversa com a sua família > fica clara a insatisfação com o tratamento reservado pelo regime a um atleta > que define ele mesmo como "o melhor do mundo". > "Protestar? Para quem? Temos que nos acostumar... Se protestar, há > problema", diz Farah, diante do silêncio do marido, e apontando para a > carcomida pintura das paredes da casa. > Mesmo sem um passado glamouroso em Cuba, tudo o que Rigondeaux deseja hoje > é recuperá-lo. Antes do Pan, ele permitia à família uma vida sem luxos, mas > tranqüila na ilha. > O governo lhe cedeu uma casa modesta de três quartos em área residencial > de Havana, a cerca de meia hora do centro de treinamento de boxe. > O salário, diz ele, chegava a 450 pesos cubanos mensais (cerca de US$ 20). > Pouco, muito pouco, mas dentro da média cubana para médicos, por exemplo. E > havia a promessa de em breve começar a ganhar um extra de US$ 300, uma > espécie de prêmio por já ter sido duas vezes campeão olímpico. > Todas as sextas, buscava uma espécie de cesta básica, com arroz, feijão, > carne, galinha e outros itens, também proporcionados pelo Estado. Em Cuba, > saúde e educação são gratuitas. > Rigondeaux continua morando na mesma casa e recebendo mensalmente os 450 > pesos cubanos. Mas não há sinal da gratificação em dólar e o que o preocupa > é até quando a situação vai perdurar. "Na prática, não temos casa. Guillermo > é bicampeão e não tem uma casa", reclama Farah. > A semana é especialmente difícil para Rigondeaux e Lara. Enquanto eles > esperam o tempo passar em Havana, os demais pugilistas cubanos estão na > província de Holguín para o Torneio Nacional Playa Girón, um dos mais > importantes de Cuba e tido como teste para os atletas, às vésperas das > Olimpíadas de Pequim. > "Estou assim [faz sinal de braços cruzados]", afirma Rigondeaux, num dos > raros momentos da conversa em que demonstra irritação. > Rigondeaux não tem o mesmo estilo de Lara, que, também sem trabalho, passa > as horas em Havana circulando sobre uma moto com adesivo da coelhinha > símbolo da Playboy, usa jeans e camisetas apertadas e duas argolas douradas > nas orelhas. Lara mora com a mulher, Miriam, e dois filhos na casa da mãe da > sogra, uma modesta residência de dois pisos, dividida por tios, primos, e > outros familiares. Acorda às 5h todos os dias para correr, fala ainda menos > que Rigondeaux e também continua recebendo seus 450 pesos cubanos e a cota > de comida, mesmo sem treinar. > "Ser campeão olímpico é a meta de Lara. Se não puder fazer isso, acredito > que terá um infarto", diz Miriam, que estava grávida quando os boatos sobre > a deserção do marido chegaram à sua casa. Segundo ela, Rigondeaux e Lara > ficaram por três dias numa espécie de casa de hospedagem do governo de Cuba > assim que voltaram do Rio. Conversaram com autoridades, negaram a ambição de > desertar e reafirmaram o desejo de ficar e lutar em Cuba. Foram então, para > casa -Lara, Miriam e o pequeno Roberlandy, de 2 meses. > Enquanto os atletas estavam no Rio, familiares de Rigondeaux e de Lara > foram procurados repetidas vezes por autoridades. Negam que tenham sido > pressionados, mas não escondem a apreensão que viveram. > Rigondeaux se despediu da *Folha* pouco depois de mostrar com orgulho > fotos do filho -Guillermo, cinco anos-, com os punhos cerrados tal qual um > boxeador. "Será um novo campeão?", pergunta a reportagem. "Se eles [o > regime] deixarem...", responde Rigondeaux, em momento franco de reação ao > seu exílio em casa, agravado pela falta da possibilidade de recomeçar que os > exilados possuem. > > > -- ==== Karl Leite Natal, RN, Brasil [EMAIL PROTECTED]
