A savia divinorum é usada pelos xamas mexicanos para sair do corpo em estado de vigilia. Procurar objetos perdidos, pessoas sequestradas e outras operações semelhantes. Fumei um pouco certa vez, em uma pipeta com água, e achei o efeito é muito rápido. vi meu próprio corpo de fora dele e fiquei bastante assustado. não consigo entender o uso recreativo desta substância (assim como o de outras utilizadas para fins espirituais) porque o barato não é lá muito agradável e exige uma disciplina de atenção a que poucos são afeitos.
não acredito em dependência psicológica (pois não é prazeroso), mas acho que o uso pode desencadear surtos e outros transtornos comportamentais de usuários recreativos desavisados. --- In [email protected], "Oswaldo Ribeiro" <[EMAIL PROTECTED]> wrote: > > São Paulo, quinta-feira, 18 de setembro de 2008 > > Texto Anterior<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1809200805.htm> | > Próximo > Texto <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1809200807.htm> | > Índice <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/inde18092008.htm> > > *SAÚDE* > > *O barato da sálvia* > > *Consumo da erva como alucinógeno por jovens pode prejudicar as pesquisas > para uso medicinal* > > * KEVIN SACK* > *BRENT MCDONALD* > DO "NEW YORK TIMES" > > Enquanto um amigo gravava em vídeo, Christopher Lenzini, 27, de Dallas, > tomou uma dose de Salvia divinorum, considerada a mais poderosa erva > alucinógena do mundo, e começou a imaginar que estava em um barco com > pequenos homens verdes. E não demorou a cair, às gargalhadas. Quando ele > postou o vídeo no YouTube, algumas semanas atrás, foi visto várias vezes. > Há uma década, o uso de sálvia estava limitado a pessoas que buscavam > revelações com xamãs em Oaxaca, no México. > Hoje, esse membro alucinógeno da família da hortelã está legalmente > disponível, nos EUA, pela internet e em lojas de produtos naturais, e se > tornou uma espécie de fenômeno entre os jovens. Mais de 5.000 vídeos no > YouTube documentam as jornadas dos usuários à incoerência e à perda da > coordenação motora. Alguns já foram vistos 500 mil vezes. > No entanto, as imagens que ajudaram a popularizar a sálvia podem acelerar a > proibição de sua venda legal e solapar pesquisas promissoras sobre seus > potenciais usos medicinais. > Os farmacologistas que acreditam que a sálvia poderia abrir novas fronteiras > no tratamento de vícios, depressão e dor temem que, caso seu uso seja > criminalizado, obter e armazenar a planta se tornaria difícil, assim como > conseguir permissão para testá-la em humanos. > Em vários Estados, os vídeos se tornaram a principal prova para a > regulamentação da sálvia. A Flórida, por exemplo, tornou crime passível de > até 15 anos de prisão a posse ou venda da erva. Na Califórnia, a venda a > menores virou um delito. > Segundo dados do governo federal norte-americano, cerca de 1,8 milhão de > pessoas já experimentaram a sálvia -sendo que 750 mil delas provaram a erva > nos últimos 12 meses. Entre os homens de 18 a 25 anos, o consumo foi > relatado por 3%, o que a torna duas vezes mais utilizada que o LSD e quase > tão popular quanto o ectsasy. > > *Pesquisas iniciais* > Ainda que as pesquisas estejam apenas começando e pouco se conheça sobre os > efeitos de longo prazo do uso, não há estudos sugerindo que o uso da sálvia > cause vício ou que seus usuários sejam propensos a overdoses. Na verdade, a > experiência com a sálvia pode ser tão intensa -e tão perturbadora- que > muitas pessoas só usam a erva uma vez, e até os usuários mais dedicados > controlam a freqüência de uso. > Não existem relatos sobre situações em que o uso da sálvia tenha levado > alguém a recorrer a um pronto-socorro, em larga medida porque os efeitos da > erva em geral desaparecem depois de alguns minutos. > Com poucos dados, a DEA (agência de combate às drogas dos EUA) dedicou mais > de uma década a estudar se acrescentará ou não a sálvia à sua lista de > substâncias controladas, como já fizeram diversos países asiáticos e > europeus. > Conhecida nas ruas como "Sally D" e "magic mint", a sálvia pode ter efeitos > muito diferentes dependendo da dosagem, da potência e da tolerância dos > usuários, de acordo com pesquisadores e pessoas acostumadas a fumá- la (ainda > que amarga, ela também pode ser mastigada ou bebida). Dezenas de > fornecedores online vendem extratos amenos por preços a partir de US$ 5 por > grama; as versões mais fortes, com potência até cem vezes maior do que a da > folha não processada, são vendidas por mais de US$ 50 o grama. > Os usuários apresentam súbita dissociação de personalidade, como se > viajassem no tempo. A experiência tende a ser solitária, introspectiva e > ocasionalmente assustadora. > "Já usei diversas substâncias psicodélicas, e a sálvia definitivamente é a > mais intensa experiência que tive", conta Brian Arthur, fundador da Mazatec > Garden, que vende sálvia e outras ervas pela internet. "A sálvia nos tira do > mundo e nos coloca em um lugar diferente." > > *Uso contemplativo* > Os usuários regulares da Salvia divinorum afirmam que ela pode ter efeito > restaurador e até mesmo tônico espiritualmente, e se recordam com exatidão > de suas visões. > As pessoas que defendem o uso contemplativo da sálvia desdenham de quem > posta vídeos engraçadinhos sobre o efeito da erva no YouTube, por seu > desrespeito ao poder e ao propósito da sálvia. > "Eles realmente não a estão usando como ferramenta para explorar sua > psique", diz o californiano Daniel Siebert, que foi um dos pioneiros na > produção de extratos de sálvia. "Essas pessoas só gostam de usar a sálvia > porque dá barato." > As leis de restrição à venda e ao uso da sálvia podem representar obstáculo > considerável para pesquisadores em instituições como as universidades > Harvard e do Kansas, que estão convictos de que a salvinorina A, o > componente ativo da erva, é bastante promissor e pode ajudar no > desenvolvimento de novas linhas de medicamentos psiquiátricos e analgésicos. > Em 2002, o médico Bryan Roth, hoje na Universidade da Carolina do Norte, > descobriu que a salvinorina A estimula apenas um receptor no cérebro -o > receptor de opiáceas kappa-, o que a torna uma substância única. O LSD, por > exemplo, estimula cerca de 50 receptores. Segundo Roth, a salvinorina A > representa o mais poderoso alucinógeno, em termos de concentração, que pode > ser encontrado na natureza. > > *Depressão e Alzheimer* > Ainda que os efeitos debilitantes da salvinorina A tornem improvável que ela > seja considerada um agente farmacêutico, sua química poderia permitir a > descoberta de derivados valiosos. "Se conseguirmos encontrar um medicamento > que bloqueie os efeitos da sálvia, há boas provas de que isso poderia ser > usado no tratamento de distúrbios cerebrais, como depressão, esquizofrenia e > Alzheimer, e até do HIV", diz. > Muitos cientistas acreditam que o consumo da sálvia deva ser regulamentado, > como acontece com o álcool ou o tabaco, e se preocupam que criminalizar o > uso possa bloquear suas pesquisas antes que dêem frutos. > "Temos esse novo e incrível composto, o primeiro em sua classe. É evidente > que ele tem potencial medicinal, e estamos falando de sufocar seu uso porque > algumas pessoas se embriagam com ele", afirma o farmacologista John > Mendelson, do California Pacific Medical Center Research Institute, que vem > estudando o efeito da sálvia em seres humanos. > ------------------------------ > Tradução de *PAULO MIGLIACCI* > > > Texto Anterior: "Tartelette" de tomate-cereja com > roquefort<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1809200805.htm > > Próximo Texto: Consumida também no Brasil, a erva pode causa > dependência<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1809200807.h tm> > Índice <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/inde18092008.htm> > ------------------------------ > Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É > proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de > comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da > Folhapress<[EMAIL PROTECTED]> > . >
