O nobre colunista Vicente Cerejo tem quase toda a razão. Embora esteja 
trabalhando num jornal vendido a prefeitura, ele ainda pode falar. 
A idéia contemporânea de destruição é um acelerador de partículas autofágico. 
Puramente ideológico. Delirante? Não, é tudo muito bem calculado. 
Se destrói tudo em nome do novo, do "moderno". Se destrói a história da arte, 
da música, o patrimônio arquitetônico. Sem essa destruição, construir o novo 
não faz sentido. Assim pensa a sociedade moderna/contemporânea. 

Construir, não destruir.  Assim teremos quatro campos de futebol na cidade: o 
Juvenal Lamartine(que não foi derrubado para a construção do Castelão), a 
frasqueira, a arena das dunas e o nobre machadão. 

Os jogos da 1ª divisão, poderiam ser jogados na  Arena das Dunas( me subiu um 
frio na espinha, acabo de me lambrar de um partido político), modernoso, 
tecnológico, o machadão ficaria para os jogos do ABC. 

serrão
 
 
Colunista: Vicente Serejo
30.01.2009
 
ESTÁDIO DELIRANTE
O delírio, Senhor Redator, pode ser um estado ou um estádio. No nosso caso, 
aqui nesta vila que foi Aldeia Velha de Felipe Camarão e Capitania Hereditária 
do mui lido senhor João de Barro, o intelectual amigo do rei, é um estádio. 
Surto ou estratégia, não importa. Basta saber-se que o plano de construí-lo 
parte da demolição de um conjunto arquitetônico - Machadão e Machadinho - para 
não citar os prédios do Centro Administrativo, tudo para uns incertos três 
jogos da Copa do Mundo. 
Os que defendem a idéia, mesmo tocados pela boa fé, como é o caso do secretário 
Fernando Fernandes, parecem esquecidos - ou, tanto pior, desprezam - que a 
arquitetura, no mundo antigo ou moderno, faz parte dos traços culturais de um 
povo, daí o risco da demolição. Mais ainda se refletem um tempo, um estilo, um 
sentimento, uma marca da criação humana. É bem o caso do Machadão. E olhe, 
Senhor Redator, este cronista não tem espírito esportivo nem compleição física 
para exercê-lo.
Ora, se vivemos uma calamidade pública na saúde no Estado visto e decretado; um 
sistema estadual de ensino público degradado, com os piores índices de 
ineficiência; e uma segurança carente de investimento, como o governo se 
apresenta à opinião pública para anunciar a construção do que chamou de Arena 
das Dunas? Colosso encomendado aos gringos e a ser vendido em plena crise 
econômica mundial? Tenho pra mim, Senhor Redator, que isso é coisa do reinado 
da danação.
Das duas, uma: se perdeu a fronteira do bom senso; ou, tanto pior, é por 
consciência que se ensaia esse jogo como um cenário maroto para alimentar no 
povo a ilusão de que assistirá a dois ou três jogos da Copa. É aquele 
artifício: se não acontecer, paciência. Foi feito o possível, a pantomima dos 
acordes na orquestração do povo. Com a Ponte Newton Navarro também foi assim. O 
governo acabou pagando a conta porque ninguém veio assumi-la para explorar seus 
lucros. E não havia crise.
Na Arena das Dunas, mesmo no imaginário do que faz o governo nesse campo de 
atuação, vão rosnar, isto sim, as feras do remorso nascido da 
irresponsabilidade de pretender construir não só um colosso de concreto armado, 
mas uma pequena cidade administrativa. Perdoem os governantes, se é que há 
capacidade de perdoar nas suas almas poderosas, mas é uma forma de luxúria 
perversa esse simulacro, esse gesto de anunciar uma obra que nasce da 
destruição de um patrimônio público. 
É de espantar que alguns agentes executivos da Prefeitura apóiem a iniciativa 
na mesma hora em que discute um dito Plano de Fluição do Trânsito para Natal. 
Como, se querem plantar na nesga estreita entre duas grandes avenidas de 
penetração e escoamento - Cordeiro de Farias / BR 101 e a Prudente de 
Morais/Jorge O'Grady, que cobrem toda extensão urbana da cidade? Querem 
produzir o estrangulamento com uma convulsão total? É o estádio de delírio. Que 
Deus tenha piedade de nós. 



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