quem disse que eu tenho? parei de guardar minhas matérias faz tempo. mas vou ver se localizo no site do correio da tarde...
Lex 2009/4/3 Rafael Duarte <[email protected]> > > Senhoras e senhores, foi dada a largada. Então, como prometi ontem à noite > para algumas pessoas, segue a reportagem que fiz sobre a votação da eleição > passada, quando trabalhava no VIVEr, da TN. À propósito, Civone e Plínio > estavam certos e eu errado. O dia da eleição, que caiu num sábado, foi dia > 29 de abril, e não 1º de maio. A matéria foi publicada no dia 2 de maio, na > edição de terça-feira. Um detalhe: nada do que foi prometido pela gestão que > assumiu foi cumprido. Principalmente os projetos sociais. O Alex, na época, > também cobriu a eleição para o Correio da Tarde (manda a matéria aí, > Alex!!!!) Divirtam-se. > > Abs, > > Rafael Duarte > > > > Beco vivo da lama Junior SantosCENTRO - Beco da Lama é ponto de encontro > de artista > *02/05/2006 - Tribuna do Norte * > > Rafael Duarte - Repórter > > Caldo de mocotó, “churrasquinho de gato” e cerveja gelada. Tudo isso no > meio da rua com a população desavisada, mas de olho na urna instalada no > coração do Beco. Na medida certa para consagrar o novo presidente da > Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) - entidade > organizada há 14 anos para levantar a imagem de um dos pontos mais > tradicionais da cultura boêmia de Natal - na primeira eleição direta da > história da comunidade. > > O pleito ocorreu sábado passado em frente ao bar Quatro Cantos (antigo bar > do Nasi) e “lavou” o Beco. Agora, a responsabilidade pela gestão da Samba, > durante os próximos três anos, está nas mãos do professor de xadrez e > matemática Ubiratan Lemos, de 43 anos. Ele encabeçou a chapa Beco Vivo e > conquistou 72 dos 100 votos válidos. A concorrente liderada pelo jornalista > Alex Gurgel, Sempre Samba, teve o apoio de apenas 26 pessoas. Dois sócios > anularam o voto. > > Ao todo, 322 eleitores estavam aptos a escolher o sucessor do poeta e > jornalista Eduardo Alexandre (Dunga), segundo presidente da história da > Samba e reconhecido pelo trabalho que fez à frente da entidade. A posse da > nova gestão deve ocorrer no dia 17 de maio, durante o II Carnabeco. > > *Professor Bira diz que grande projeto para o Beco é social* > > Poeta, comunista, libertário, casado, pai de uma menina e freqüentador do > Beco há 18 anos, o “Professor Bira” acredita que a vitória veio pelo empenho > dos 38 componentes de chapa. Ele prometeu equilibrar as ações culturais e > sociais da região ao lembrar que o carro chefe da campanha, o projeto “Dê > uma hora ao Beco”, pretende ocupar a juventude que freqüenta o Beco da Lama > e as adjacências, como a praça André de Albuquerque. “Vamos manter e ampliar > os projetos culturais desenvolvidos pela gestão passada porque ninguém é > doido de fazer o contrário se deu certo. Mas o grande projeto da gente é > social. Aqui tem muito jovem abandonado, menino de rua mesmo, sem ter para > onde ir. > > Acho que temos o dever de mudar isso. E não vai custar nada. Vamos pedir > que quando os freqüentadores vierem tomar sua cerveja, que cheguem uma hora > mais cedo para orientar, ensinar e passar alguma mensagem para a juventude > que cresce aqui. No Beco a gente tem artista, jornalista, advogado, > professor... A idéia é fazer uma programação e até remunerar esse pessoal”, > explicou. > > O plano prevê parcerias com empresas privadas através das leis de incentivo > à cultura. “Nosso primeiro contato será com a Câmara de Dirigentes Lojistas > (CDL) para mostrar as idéias e tentar acertar um apoio. A gente tem que > ocupar essa garotada. Todo mundo tem que participar”, disse. > > Bira conta que seu nome surgiu entre os “amigos de copo” quando a chapa > concorrente já havia sido definida. No entanto, o nome de Alex Gurgel não > foi digerido pelo grupo, segundo ele, pela ausência do jornalista nos > principais eventos realizados no Beco. Na verdade, o Beco da Lama ganhou > tanta visibilidade nos últimos anos por conta dos eventos organizados pela > Samba com o apoio do Estado, que a eleição teve uma importância ainda maior > para a comunidade que freqüenta o local. Prova disso é que em vez de um > grupo apontar um nome para administrar a Samba, como ocorria até então, pela > primeira vez na história do Beco o pleito foi decidido através de votação > direta. > > De fato, por atrás do discurso fraterno do vencedor, havia uma declarada > disputa de terreno. “Todo mundo das duas chapas se conhece, toma cerveja > junto. Mas o Alex é muito recente aqui. Quando ele anunciou a candidatura, > vieram me perguntar se a gente ia deixar ele tomar o Beco da gente. No I > Carnabeco ele não apareceu, no I Pratodomundo também não veio. Acho que não > chegou a vez dele”, disse. > > Procurado pela reportagem ainda durante a votação, Gurgel desmentiu o > concorrente e criticou algumas propostas da Beco Vivo, como o “Tributo à Che > Guevara” que, com a vitória de Bira, deve ocorrer durante esta gestão. > > O jornalista centrou suas propostas na área cultural e defendia a > construção de uma sede para a entidade. “Essa história de que eu não estava > aqui nos eventos é conversa fiada dele. O problema é que eu dou aula no > sábado e não posso chegar aqui mais cedo. Agora, eles têm umas propostas que > não entendi. Homenagear Che Guevara!? A gente tem tanta gente importante do > nosso Estado que poderia ser valorizada, como Newton Navarro, Câmara > Cascudo, Auta de Souza... e eles querem fazer um tributo à Guevara!? O Beco > tem que valorizar a cultura da terra”. > > Mesmo diante das provocações veladas e tão comuns em eleições, a votação > ocorreu num clima de harmonia até às 17h, quando a comissão eleitoral > divulgou o resultado. Daí para frente não mudou muita coisa. Mais caldo de > mocotó, “churrasquinho de gato” e muita cerveja gelada. > > *A fauna do beco só cresce* > > Marcos Boi, Ajax Felipe, Zé da Pindoba e Anaxágoras de Lima. Artemilson, > Robério “O Coisa” e Biba Thompson. Paulo Zero Grau e Adebal Galego Feio. > Assim de supetão, a relação parece a escalação de um time de pelada. Mas > estavam todos lá marcando presença. Titulares absolutos da lista de sócios > da Samba. Afinados para a escolha do presidente mais popular do Beco. > > Ainda que consagrado pelo tempero libertário, o universo do Beco da Lama é > democrático. Principalmente quando o assunto é o convívio humano. A rotina > da região é feita sem distinção. Da anarquia à direita. Da esquerda ao que > sobrou do paraíso. É onde o guardador de carros e o deputado passam para > tomar a saideira antes de voltar para casa. > > Ponto de encontro de artistas, jornalistas, advogados, professores e > autoridades, o Beco, hoje, tem mesa reservada até na Câmara Municipal de > Natal, onde cinco vereadores montaram o que a boemia local chama de “bancada > do beco”. A idéia é trazer à tona carências como questões de infra-estrutura > ligadas ao espaço. > > O presidente da Comissão Eleitoral que organizou o pleito de sábado, Plínio > Sanderson, contou que o grupo de parlamentares incluiu no orçamento geral > deste ano uma verba de R$ 300 mil para a urbanização do Beco. “O Beco hoje > está precisando de ajuda. Está sujo, largado nesse aspecto”. > > *Cerveja e nome na lista* > > Em dia de eleição, regra é regra até no Beco da Lama. É verdade que a boca > de urna estava institucionalizada pelo megafone na mesa da comissão > eleitoral - usado pelo sócios que quisessem declarar o voto. Mas só votou > quem tinha o nome na lista. Ainda assim, alguns “companheiros de copo” > desavisados insistiam em participar. > > O caso mais curioso foi o de uma senhora meio “alta” com pinta de alemã que > se identificou, atropelando as palavras e depois de muita discussão, como > artista plástica Josineide Varela, de 63 anos. Ela queria votar de qualquer > jeito, mesmo admitindo que não conhecia os candidatos nem as chapas > concorrentes. > > A cena não chegou a ser um “barraco” (não passou de um bate-boca com o > candidato pela chapa Sempre Samba, Alex Gurgel) mas valeu pelo inusitado e > para mostrar porque o Beco da Lama é considerado ainda o ponto mais rico da > boemia natalense. Eis os “melhores momentos” do diálogo entre Josineide e > Alex Gurgel: > > > Josineide: Eu gosto de chutar (faz o movimento rápido como se levasse o > copo à boca) por aqui. Mas onde é que a gente vota?. > > Alex: O nome da senhora está na lista? > > J: Que lista, meu amigo! Venho aqui todos os dias. Só quero votar... A: Mas > a senhora só pode votar se tiver o nome na lista. Se não tem, não vota. > > J: Como é que é? Você vai me dizer agora como eu devo fazer, é? Minha mãe > morou por aqui a vida toda! Todo mundo me conhece aqui. Vou votar sim. > > A: Minha senhora, entenda: é uma regra. Imagine se todo mundo que quisesse > votar viesse para cá? Não ia ter condições. Se o prefeito de Natal quisesse > votar hoje ele não podia porque o nome dele não está na lista. Me diga > porque a senhora votaria? > > J: O que é isso, meu amigo!? O prefeito é uma autoridade! Você não pode > fazer isso. Vou votar e ainda trouxe dois amigos que vieram da Alemanha para > votar também. > > A: Minha senhora, não pode! A senhora conhece pelo menos os candidatos que > estão participando da eleição? > > J: E eu lá quero saber de candidato, meu amigo! Vou votar no melhor. Me > diga uma coisa: vocês tem sede? > > A: Não. > > J: Meu amigo, vocês não têm nem sede e ainda querem me impedir de votar? > Como é que pode? > > A: Mas se a senhora não sabe nem quem são os candidatos... J: E você lá > conhece algum candidato! > > A: EU SOU CANDIDATO! Ta vendo? Como é que a senhora quer participar se não > sabe de nada? > > J: Olha aqui, quero uma cerveja. Não dá para conversar com você sem tomar > cerveja. > > A: Tem vários bares aqui...(ele aponta para a região) J: (depois de entrar > e sair do bar em frente onde a discussão se dava, ela volta provocando) Aqui > não tem cerveja. Quero votar. > > A: Eu já lhe disse que a senhora não vai votar. > > J: Que absurdo! Você sabe porque isso está acontecendo? > > A: Porque a senhora não tem o nome na lista... > > J: Não! Porque não tem organização! Isso é coisa de brasileiro! O Congresso > Nacional só tem safado. Isso o que está acontecendo aqui é uma sacanagem... > > A: A senhora está misturando as coisas. Não tem nada a ver uma coisa com > outra. Aqui é a eleição da Samba. > > J: De quem? Está vendo? Até o nome é uma porcaria (diz o nome Samba com > desdém e dança na frente do repórter e do candidato numa cena que lembrava > as chanchadas da década de 70). > > A: Mas Samba é Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências. Olhe, a > senhora não sabe nem o que significa o nome da entidade. Quanto mais > votar... > > J: Olhe aqui, meu amigo: eu vou me candidatar à vereadora nas próximas > eleições e ainda vou ter mais votos que você! Agora eu vou tomar uma cerveja > e depois vou votar, você não vai me impedir! (depois de se despedir, ao seu > estilo, Josineide vai até à urna e fala alguma coisa para o mesário, que > balança a cabeça negativamente. Em seguida, ela resmunga, olha para o lado e > entra no bar mais próximo atrás da famigerada cerveja). > > ------------------------------ > Imagem de exibição animada? Só com o novo Messenger. Baixe > agora!<http://download.live.com> > >
