Dramaturgo morreu na madrugada de sábado (2), aos 78 anos.
Aluizio Freire
Do G1, no Rio
O dramaturgo Augusto Boal criou o Teatro do
Oprimido
O corpo do dramaturgo Augusto Boal, que
morreu na madrugada de sábado (2), no Rio, foi cremado
por volta das 15h30, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária.
Artistas e amigos do criador do Teatro do Oprimido compareceram à
solenidade e prestaram homenagem a Boal. Um músico tocou ao
violino a música "Meu caro amigo", composta por Chico
Buarque para Boal.
O poeta Ferreira Gullar lembrou que quem mais
perdeu com a morte de Augusto Boal foi o teatro. “As
experiências que ele deixou para o teatro, a proposta do Teatro
do Oprimido foi um batalha quixotesca. Depois do exílio,
entregar a vida inteira por isso é uma coisa genial. Ele era uma
pessoa muito generosa.”
O cantor Martinho da Vila, que conheceu Augusto
Boal na época do Teatro Opinião. “O que mais admirava nele era a
característica do seu trabalho, que era fazer com que o teatro
não fosse uma coisa de elite”, afirmou o músico emocionado.
Durante a cerimônia que precedeu a cremação,
muitos aplausos, choro e emoção.
Boal tinha 78 anos
Segundo informações de parentes, Augusto Boal estava internado no
Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em
Botafogo, na Zona Sul do Rio. O dramaturgo e diretor
teatral tinha 78 anos e sofria de leucemia.
Boal foi fundador do Teatro do Oprimido. Em março
de 2009, ele foi nomeado pela Unesco embaixador mundial do teatro.
De acordo com o hospital, o diretor foi internado
no dia 28 de abril, com quadro de infecção respiratória. O
motivo de sua morte foi insuficiência respiratória. Ele morreu
por volta de 2h40 de sábado.
Augusto Boal foi uma das grandes figuras do teatro contemporâneo.
Formado em química, estudou dramaturgia na Universidade de
Columbia, em Nova York.
Cultura brasileira desfalcada
Amigos, como o diretor de teatro Aderbal Freire-Filho, o
compositor Juca Chaves e a atriz Eva Wilma lamentaram a morte do
dramaturgo. Para eles, o criador do Teatro do Oprimido vai fazer
falta não só ao teatro, mas a também à cultura brasileira. O
ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enviou uma nota
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Para o amigo e diretor teatral Aderbal
Freire-Filho, o dramaturgo é imortal:
“Boal foi o mestre de todos nós, é o artista que
universaliza o teatro brasileiro. O reconhecimento que o teatro
brasileiro pode ter no exterior, e tem, começa com Augusto Boal.
A qualidade, a profundidade, a humanidade do teatro dele que
possibilita isso. Não por acaso seus livros são traduzidos em
tantos idiomas e ele é o mestre que é. Para mim ele era um amigo
querido, mestre e imortal”.
Um
dos mais importantes dramaturgos brasileiros, Augusto
Boal nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de março de 1931. Ganhou
notoriedade com seu Teatro do Oprimido, cuja proposta era
transformar o espectador em elemento ativo do espetáculo.
Segundo ele próprio, conceito que ensinava "as pessoas a se
inserirem na sociedade".
Líder cultural
O compositor e humorista Juca Chaves diz que, como líder cultural
que era, Boal vai fazer muita falta para todo o Brasil. “Eu
fiquei muito abalado porque ele foi um expoente da nossa
cultura, do nosso teatro. Um líder cultural também, o que é
muito importante. Vai fazer muita falta para nós todos aqui, não
somente para os amigos, mas acho que para todo o teatro
brasileiro. Foi uma pena, uma pena mesmo”, disse o artista.
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A atriz Eva Wilma destacou o papel de Boal como um dos grandes
mestres da dramaturgia brasileira e relembrou um dos momentos
mais difíceis da vida dele.
“Boal pertence à primeira geração de brasileiros
mestres da dramaturgia, mestres do teatro que sempre estimularam
a existência de grupos teatrais, enfim de grupos culturais acima
de tudo. Ele foi bastante perseguido naquele momento da censura,
da ditadura, teve que viver fora do país e, portanto, usou isso
em função de seu aprendizado cada vez mais intenso, cada vez
mais completo. E quando retornou, já retornou mais informado e
formado culturalmente. E, portanto, é uma perda no elenco de
grandes dramaturgos e diretores não só teatro, mas da questão
cultural no país”.
Ministro lembra ação social
Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o dramaturgo deu
exemplo ao aproximar o mundo das artes cênicas da atenção
dispensada aos pacientes mentais. Em nota oficial, ele lembrou
que Boal aliou o teatro à ação social.
"Augusto Boal foi um símbolo, no mundo inteiro, do
intelectual generoso que abre caminhos, através da arte e da
coragem, para enfrentar a desigualdade que marcou,
historicamente, a sociedade brasileira. Fez isso também na saúde
pública, levando o Teatro do Oprimido aos Centros de Atenção
Psicossocial (CAPs). Tornou protagonista do grande teatro da
cena pública os pacientes mentais pobres, duplamente excluídos
pelo estigma e pela pobreza. Compartilho com seus familiares e
amigos o sentimento de tristeza nessa hora e a homenagem de
todos nós".
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