Qualquer Coincidência é Mera Semelhança... E, claro, guardadas as devidas proporções, correspondências, dimensões e adjacências...
De FERREIRA GULLAR sobre LULA: (...) Sabe aquele indivíduo que se infiltra nos sindicatos para amortecer os conflitos entre trabalhadores e patrões? O Lula age exatamente assim. Por um lado, agrada os banqueiros e empresários. Por outro, corrompe o povão com programas assistencialistas. Posa de líder popular, e a massa aplaude. Viva o pai dos pobres! Resultado: todo mundo confia no Lula, o rico e o miserável. Em decorrência, as tensões sociais se diluem. Que maravilha, não? Um país de carneirinhos... PALAVRAS de FERREIRA GULLAR, em entrevista à BRAVO! (Nº 139) sem tirar nem pôr, nem necessariamente concordando com toda a opinião dele em referência ao Lula de lá... Mas, que cai quase como luva no Lula de cá, ah, isso cai! C.M. 2009/5/5 Ørf <[email protected]> > > > 05/05/2009 - 08:08 | Atualizada em: 05/05/2009 às 08:08 por Sérgio Vilar > Eleições movimentam Beco da Lama; confira entrevista com diretor da Samba > Rafael > Duarte/Divulgação > > O Beco da Lama é rua sem vontade de avenida. E talvez pela simplicidade de > essência se dispa do estigma de galinha e voe as alturas da águia. Consegue > o barulho necessário aos ouvidos da província. A eleição para a nova > diretoria da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba), na > última sexta-feira, trouxe até parlamentar de Brasília para votação na > Cidade Alta. São Pedro segurou a chuva. E Deus esperou mais um dia para > levar um dos personagens mais enigmáticos daqueles chãos, o filósofo das > ruas José Helmut Cândido, 76. Tudo para que a contagem dos votos > transcorresse nas mais civilizada guerra comumente presenciada naquele > território boêmio. > > Não fossem poucos os espaços na mídia nas últimas semanas, os > becodalamenses elegem Lula presidente (não o Luís Inácio, da República > proclamada após uma quartelada, mas o Augusto Luís, da Samba). Foram 93 > votos para a chapa Nós do Beco contra os 63 conquistados pela chapa Acorda > Samba, encabeçada pelo produtor cultural e poeta Eduardo Alexandre, o Dunga. > Dos 158 votantes, dois chapados anularam os votos (leia-se chapados como > admiradores das duas chapas, ambas formadas por poetas, professores, artista > plástico, produtores culturais, jornalistas, médicos, e outros profissionais > liberais, libertários). > > Já no dia anterior começa a boca de urna; o beco diuturno entre em ação. > Ligações sequenciais aos becodalamenses inscritos no chamado Livro Preto - > de coloração cinza desbotado - ocorrem durante todo o dia. À noite, no > Bardallos, os ânimos esquentam entre representantes das duas chapas. E o > Beco volta ao status de galinha de voos baixos. A temperatura indicava dia > quente para o dia seguinte. Mas a sexta-feira, Dia do Trabalho, foi mais > ameno. O único ensaio de pugilato foi travado na adjacência mais tradicional > do Beco, no Bar de Nazaré. Os dois candidatos à presidência da entidade, > cerca de uma hora e meia antes da contagem, trocaram farpas. Nada muito além > de acusações de rejeição. > > Mais à frente, onde o Beco é mais beco, próximo ao Bar de Nazi, a > concentração maior de boêmios. Era local da urna, ou de um quase alforje > lacrado com cadeado. Quem aparecesse na hora era cercado pela tentativa de > convencimento. Tudo na santa democracia e a espera de um chorinho que nunca > começava. Os ânimos subiram mesmo quando a ‘‘urna’’ seguiu para o Bardallos > às 17h, seguida por uma procissão, cortejo ou coisa parecida. Era o fim da > votação. No bar de Lula (não os barbudos da República ou da Samba, mas o > Belmont, do Bardallos), o tumulto foi formado. A comissão eleitoral formada > pelo produtor Júlio César Pimenta, o poeta Cefas Carvalho e o professor > Hélio Marques fugiram para a cozinha do restaurante/bar para, primeiro, > jantarem após um dia sem comida nem arte. > > Na bancada de entrada da cozinha, muita gritaria. Dois representantes de > cada chapa (apesar de a comissão eleitoral ser mista) acompanharam o jantar > da comissão como provas comprobatórias da lisura do pleito. Pontualmente às > 18h - hora marcada para início da contagem - a comissão, já no salão do bar > e cercado de becodalamenses ávidos, iniciam a apuração dos votos. Os dois > primeiros votos para a Acorda Samba acenderam esperanças vis. Aos poucos a > chapa comandada pelo antigo presidente da entidade, Dunga, adormecia para um > sono de mais três anos. Quando se contavam cerca de 80 votos e a diferença > entre os dois era de apenas 15, já se comemorava timidamente a vitória. E > nem precisava da ciência de Francis Bacon estampada na camisa de Augusto > Lula para decifrar: a chapa Nós do Beco era a dona da Samba. > > No dia seguinte, o folclore do Beco da Lama reaparece pomposo nas > comemorações da vitória. O Presidente (da Samba) informa que recebeu > telefonema da ministra Dilma Rousseff que, mesmo combalida pelo câncer, > parabenizou a vitória e prometeu incluir os projetos culturais da Samba no > PAC. Os buxixos contam que Lula (o tomador de run, não o de cachaça) se > vendeu ao PT para, em alguma data destes próximos três anos, trazer o > companheiro homônimo e menos importante aos chãos enlameados do Beco. A > meladinha de Nazaré foi o principal argumento para o presidente (sim, o da > República) aceitar o convite. O segundo foi a de que o PSTU e o PCdoB estão > tomando conta do Beco. A terceira, última e mais evidente, é para estreitar > os laços da Samba e a Fundação José Augusto, do petista Crispiniano Neto. > Enquanto isso, Lula, o sambista, comemora os louros da vitória junto ao fiel > Sancho Pança, Abimael Silva. > > *“Sou a favor do combate de ideais. Viva o Beco da Lama!” > * > O Beco da Lama integra as lembranças adolescentes do natalense da gema, > Augusto Lula. Ainda menino morou no coração da Ribeira: Rua Nísia Floresta, > ainda de quintal de fruteiras voltadas à Tavares de Lyra. Mas foi na > adolescência que o rapaz subiu a ladeira até a Cidade Alta. Morou na Rua > Felipe Camarão. Entre um gole e outro de caldo de cana orós, o rapazote > frequentava o Cinema Nordeste, o Bar de Nazi, Odete, Ploc, Gimmi Lanche, > Cinderela, Balalaika, 664, Zoom Bar e outros points impublicáveis. A paixão > pelo cinema o fez autodidata na área áudio visual. A publicidade foi o meio > mais curto para chegar à sétima arte. Já aos 21 anos produzia a primeira > campanha para a televisão. Hoje é convidado especialmente para campanhas de > marketing político. A alcunha de cineasta sem filme é inverídica. Augusto > Lula realizou alguns vídeos autorais, como Ribeira Velha de Guerra e Senhora > e Poço Festim Mosaico. Desbocado, apreciador de Run com Coca-cola, este é o > Augusto Lula, novo diretor executivo da Samba. > > *Diário de Natal - O que representa o Beco da Lama pra você?* > Augusto Lula - Representa talvez um pouco de saudosismo da minha > adolescência pela Felipe Camarão e adjacências e dos fantasmas que por lá > circularam e que representa ainda o jeito interiorano desta cidade > cosmopolita. As pessoas caminham de um lugar para o outro, vão ao > mercadinho, ao sapateiro, ao salão de beleza e ainda tomam uma cerveja em > pé, no balcão. O beco e suas adjacências, do mesmo modo que é saudosista, é > paradoxalmente underground e não se espanta com seus múltiplos visitantes de > todas as matizes. > > *Desde sempre o Beco é esta representação que você imagina ou mudou de uns > tempos pra cá?* > O Beco e a vida são mutantes. Tenho saudades do futuro. > > *Antes da Samba a paz e a boemia reinavam no Beco. Há realmente > necessidade desta entidade para mediar projetos culturais e a revitalização > daquelas adjacências?* > É preciso revitalizar Natal, não apenas o Beco e suas Adjacências. Sérgio, > você precisava ter visto briga. Já fui protagonista de algumas, bem como > espectador de outras. Pacificador, que eu me lembre, poucas vezes fui. Não > foi a criação da Samba que originou intrigas e acusações. Estas sempre > existiram, só que os palanques eram pequenos círculos de mesa de bar. Como a > Samba abriga toda a fauna bequiana, apenas aglutinou essas tendências e, > ‘‘facções’’ foram se juntando ou se afastando - um fenômeno sociológico > comum na formação e engrandecimento de um grupo. Como o QI mais alto da > capital potiguar está contido nos associados da Samba, espero que usemos a > inteligência para fazer dela maior do que já é. Nossa sociedade é composta > de pessoas altamente capacitadas, bem informadas, criativas e é preciso que > nos desarmemos para fortalecê-la. > > *Ele realmente precisa existir?* > O próprio processo eleitoral provou que ela é importante. Até porque ela > detém um conjunto de cidadãos oriundos de outros bairros da cidade (até de > outras cidades) que querem e desejam chamar a atenção para aquele pedaço de > chão, que em qualquer lugar do mundo já teria todo o seu conjunto, pelo > menos como patrimônio material e imaterial, respeitado e estimulado. > > *O MPBeco e a Feira de Sebos, por exemplo, são iniciativas de sucesso, > desvinculadas da Samba, mas promovidas por frequentadores do Beco e no Beco. > > *A Samba não é apenas uma fazedora de eventos. A Samba é muito mais. Até > acho que a Samba poderia ser mais anárquica do que já é. A Feira de Sebo > realizada por Abimael, Ramos, Jácio e Vera é grande, ocorre durante uma > semana inteira; leva ao Beco e adjacências um outro público, do mesmo jeito > que o MPBeco, realizado por Dorian (Lima) e (Júlio César) Pimenta. Embora, > penso, que não teriam o mesmo sucesso se fossem realizados fora daquele > conjunto arquitetônico, cultural e humano. > > *Como seria o Beco sem a Samba?* > Seria o Beco. Talvez sem tanta visibilidade e talvez visto com muito mais > preconceito do que hoje é visto. > > *Alguns projetos como o Pratodomundo e o Carnabeco estão consolidados. O > que esta nova gestão pretende trazer de novo e aproveitar das administrações > anteriores? Quais as primeiras ações? O grupo de samba Arquivo Vivo há > tempos luta por um espaço naquelas adjacências. Eles estão inclusos em algum > projeto? > *Nós somos a favor de tudo que seja a favor do Beco da Lama e adjacências. > Prefiro o arquivo vivo que o arquivo morto. Todo e qualquer projeto que > venha a acrescentar, nós da Samba vamos estimular e apoiar. Os projetos já > estão fervilhando, mas primeiro precisamos tomar posse (data marcada para > este sábado) e encontrar um local para que a Samba possa, pelo menos, > guardar seus documentos. Vamos convocar uma assembléia para propor e ouvir o > que os outros sócios têm para contribuir tanto no processo de criação como > de execução de projetos e tarefas. > > *O Nós do Beco, capitaneado por Zizinho, me parece o início de outra > Sociedade, já com seus projetos próprios. Zizinho agora faz parte desta > diretoria. Os projetos serão integrados a partir de agora, ou a participação > de Zizinho se restringirá ao de Conselheiro Fiscal? > *Zizinho é o Number One do Livro Preto; foi o fundador e um dos mais > antigos a votar nesta eleição. Zizinho não foi cabeça de chapa porque não > quis. Ele poderia escolher o que ele achasse por bem. Nós propusemos > diversas vezes que ele fosse o candidato. Nós o apoiaríamos. A resposta que > ele deu ao nosso grupo era de que já tinha feito a sua parte e está onde > escolheu. Porém, temos compromissos históricos com Zizinho e outros > fundadores. E como ele mesmo dizia na conquista dos votos: ‘‘venha, fulano, > votar. Estou eu, Zacarias...’’. É um pouco da velha guarda da Samba. E é com > muito orgulho que o tenho como aliado. Depois do seu mandato, esta é a > primeira vez que ele compõe uma chapa. E não é porque ele seja um > conselheiro fiscal que não vamos respeitar e ouvir. Quem ganhou foi uma > chapa e não apenas um nome. Por isso, desejo que todos os mais de 150 > eleitores do dia primeiro de maio façam a Samba. > > *Qual sua relação com os comandantes das duas fundações culturais > (Capitania e Fundação José Augusto)? Você espera contar com eles para ajudar > a promover projetos culturais? > *A relação não é minha, é da Samba. Penso que tanto a Capitania quanto a > Fundação são a favor do Beco e das Adjacências. A Samba é uma entidade. Eu > serei passageiro nesse processo e meu dever será fortalecê-la. > > *O que você achou do processo de eleição e do dia da eleição? Você acha > que deve haver mudanças neste processo eleitoral para a próxima eleição?* > A eleição passou. O bom debate vai continuar. Sem baixarias. Sou a favor do > combate de ideias. Viva a lama. > > >
