Das especulações futuristicas potiguares recentes ainda não vi
nada que esteja em pé de igualdade com  "Natal em 2051" parte
integrante do livro Terceiro Silêncio,de Alexandre Alves que obteve
menção honrosa no Prêmio Câmara Cascudo 2008.

segue

Vlamir

NATAL EM 2051
http://www.mudernage.com.br/?p=79 <http://www.mudernage.com.br/?p=79>

por Alexandre Alves

Carros do ano pós-digitais. Ainda não voadores, mas já
anfíbios. Muitos compradores, vários endividados por isso.
Pedágio urbano, por metro utilizado, da Cidade Alta até Ponta
Negra somente com máscaras de oxigênio multifuncionais. Pagamento
em euro-dólar-iene virtual, nova moeda unificada.

Casas litorâneas flutuantes, especulação imobiliária aérea,
terrenos tradicionais já vendidos. Favelas do tamanho de uma zona
inteira, sul e norte. Água dessalinizada para os desafortunados,
mineral apenas para os abastados. Rios tornados margem, peixes tornados
fonte de pesquisa mumificada. Praias com protetor solar 999, aos brancos
demais câncer de pele grátis (aviso dado em 2013). Imposto para
caminhadas na praia. Necessário: pouco espaço, muitos pés.
Árvores apenas para projetos de arquitetura com paisagismo de
encomenda, aliás, profissional importado. Computadores
holográficos de centésima geração. Celulares ainda não
intergalácticos, mas já lunáticos. Viagens ao redor da Terra
para fotos oculares de câmeras implantadas no olho humano. Natalenses
na lista de espera. O alvo: o efeito estufa, turistas empolgados para o
concurso da derradeira imagem observada do planeta. Amazônia
transplantada para a Mata Atlântica potiguar, sob ordens da ONU e
OMC. O maior cajueiro do mundo com DNA multiplicado, uma moda no
Japão (para cada habitante, uma cópia). Big Brother Brasil 5551,
exclusivo somente com potiguares (todos naturalizados, nenhum original,
todos autóctones piratas), canais com transmissão conectada ao
cérebro via satélite, câmeras adicionais aos doentes terminais
(nova droga liberada pelo Ministério da Doença, ex-Sáude) e
ângulos divididos por profissão. Ginecologistas mais requisitados.
Febre amarela extinta e febre azul por conta da cor do horizonte. Risco
maior na região dos trópicos. Música interativa sem canções
ou melodias, apenas pedaços esparsos do passado, extintos artistas da
terra. Cosmopolitismo, não ao localismo. Slogan da hora. Hospitais
destruídos por excesso de leitos. De morte. Em seu lugar, clínicas
de implante sensorial. O direito a uma nova farsa sobre sua vida.
Endividamento eterno. Parque das Dunas tornado ilha, ingresso
caríssimo. Vegetação raríssima, eis o chamariz. Bibliotecas
cibernéticas, livros sem peso (altamente ecológico), apenas
universidades particulares e seus milhares de graduados. O Ceará
vendido pelo governo horizontal e comprado pelos verticais (Direita e
Esquerda congeladas no tempo). Mossoró e Assu, na região
metropolitana, com as Olimpíadas Artificiais de Inverno, novas
prioridades das prefeituras locais, comandadas por Robôs C3-PO, por
sua vez comandados via fibra ótica por baixo dos oceanos. Os
mandantes: os prefeitos e seus onze meses e meio de férias (no
Caribe, claro, clima tropical). Camarões transgênicos já
torrados pela luz solar. Mulheres como chefes das empresas. Maridos de
licença poligâmica. Filhos com psicose múltipla e tripla
personalidade confirmada. Internet via telepatia. Cartões de
crédito com código de barras tatuado na região genital.
Gravidez aos nove anos, crescimento hormonal e multiplicação em
testosterona antropofágica. Cemitérios em greve, sem espaço. A
estratosfera norte-rio-grandense já repleta de caixões.
Políticos em coma induzido, oligarquias de priscas eras incluídas,
à espera do elixir da vida eterna. Ou do Santo Graal, para os mais
religiosos. Aeroplanos em largas prestações, mais endividamento.
Chuva ácida, remédio para as multidões. Carnaval doze vezes por
ano. Camisa de Vênus, de Mercúrio, de Saturno, de Júpiter, de
Plutão, de Urano. Shopping centers à beira-mar ao alcance da
mão. Ou da secretária robótica de baixa octanagem. Fronteira
com a Paraíba, esta inundada pelas ex-geleiras da Antártida, uma
big cidade: Natal em 2051.

* Natal 2051 é parte integrante do livro Terceiro Silêncio, ainda
inédito, que obteve menção honrosa no Prêmio Câmara Cascudo
2008.

--- In [email protected], marcelo bolshaw
<encantador_de_serpen...@...> wrote:
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> Hoje, dia 22 de junho, às 19:00 horas, ocorre o lançamento da
revista Perigo Iminente, na Livraria Siciliano do Midway Mall. A revista
reúne vários artigos de diversos profissionais, entre eles
jornalistas, publicitários, intelectuais e artistas, que escreveram
como será Natal daqui a 50 anos.
>
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>

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