Recebi e compartilho: ONTOWEB: O NOVO FURACÃO DA INTERNET
Você imagina que uma equipe de pesquisadores de um país do terceiro mundo possa enfrentar, de igual para igual, as melhores tecnologias do planeta, e vencer? Acredite, isso está acontecendo na internet, nesse exato momento. Trata-se de um furacão chamado Ontoweb. Os números do Ontoweb mostram que se trata, de fato, de um furacão revolucionário digital. Há poucos dias no ar, ele já recebe acessos de uma dezena de países (incluindo China, Alemanha e EUA), sendo que 20% das visitas são dos Estados Unidos, e o número de usuários está crescendo a uma taxa de praticamente 100% ao dia (não viu errado não, é CEM POR CENTO mesmo). GUERRA ESTRELAR Se você assistiu ao embate dos sistemas operacionais, à guerra dos browsers, e está acompanhando os episódios diários da novela "O duelo estrelar das ferramentas de busca", ajeite-se na poltrona e prepare a pipoca, pois vem aí um dos mais emocionantes capítulos da história da Guerra da Informação. A batalha do momento, campeã de audiência, é o tecnogládio entre os motores de busca. Imagine, então, um coliseu lotado, todos gritando, e lá no solo, na arena de batalha, guerreiros gigantes, com armas sofisticadas, armaduras do terceiro milênio e sabres de laser, eliminando uns aos outros em questão de segundos (inclusive com convencimento financeiro, se necessário) e, no meio de toda essa confusão, surge um guerreiro comum, usando uma roupa simples, mas muito veloz e cheio de criatividade, e começa a derrubar seus oponentes, um a um. O cenário é mais crítico do que o clássico bíblico "David X Golias", pois os gigantes são vários, estão todos ali ao mesmo tempo, e o nosso David (no caso o Ontoweb) é jovem, está desarmado, tem uma torcida pequena e ainda joga na casa do adversário. Mas ele é muito rápido, eficiente, atua com qualidade, e age de maneira absolutamente inovadora. E não vai desistir. Os gigantes estão começando a se preocupar. Quer saber mais sobre a história do Ontoweb? ORIGENS DO PROJETO Um grupo de cientistas brasileiros desenvolveu, ao longo dos últimos 10 anos, um pacote tecnológico chamado de KMAI, Gestão do Conhecimento com Inteligência Artificial, que utiliza inovadoras tecnologias inteligentes para gerir grandes massas de informação, transformando-as em conhecimento. Criaram um instituto de pesquisas em Governo Eletrônico (o Ijuris) e uma software house (a Wbsa). Publicaram vários trabalhos científicos em diversos países, lançaram duas dezenas de livros, patentearam vários produtos tecnológicos, e, agora, em um descontrolado ataque de ousadia, decidiram lançar uma revolucionaria ferramenta de busca, com o objetivo de desbancar os líderes do mercado mundial. Você vai achar que isso é uma brincadeira, até testar o Ontoweb. O Ontoweb é algo absolutamente diferente daquilo que está estabelecido no cenário atual das ferramentas de busca, exatamente por mesclar tecnologias inovadoras com a essência milenar das consistências ontológicas, mesmo com seus algoritimos ainda em fase de calibragem. O resultado é que você pode fazer consultas utilizando textos (até 7.000 caracteres) ao invés de poucas palavras, e, como resultado, você vai ver, além dos documentos, gráficos com analises das séries históricas dos textos, os quais, por sua vez, são hierarquizados por conceituação e peso ontológico. E tem mais, o Ontoweb ainda vai trazer conceitos próximos à temática que você solicitou (por exemplo, se você procurar por "governo eletrônico", ela vai resgatar também documentos que tratem de "cidadania digital" e "serviços on-line", embora com um peso menor), e faz isso através da engenharia de ontologias on-line. Daí vem o seu nome (Onto + web). Eles vão derrubar o Google. FOCO ATUAL DO ONTOWEB: EGOV Ainda em fase beta (testes) o Ontoweb está, por enquanto, focado no cenário de Governo Eletrônico, tanto no que diz respeito às fontes de informação quanto à sua estrutura de ontologias. Isso quer dizer que ele não é, hoje, um buscador genérico, embora esta tendência seja sentida desde o seu início. Por isso ele não pode, ainda, ser comparado ao Google. "Está na moda querer derrubar o Google", diz Hugo César Hoeschl, Post Doc, líder do Projeto Ontoweb e coordenador da equipe de criação. De fato, toda semana surge uma notícia de alguém que criou algo que é melhor do que o Google, mas quando se vai tirar a limpo, são coisas que ainda não funcionam em escala comercial. O Ontoweb é diferente, ele está no ar e funcionando, com algorítimos potentes e validados por consistentes processos científicos internacionais. "O correto não é dizer que queremos derrubar o Google, mas que temos o potencial para fazê-lo de modo absoluto, pois em termos relativos isso já foi feito", assevera Hoeschl. De fato, os constantes e crescentes ataques conceituais ao líder mundial do segmento de motores de busca são perceptíveis na medida em que ele representa uma nova faceta do imperialismo cultural proveniente dos países do chamado "primeiro mundo", agora sob a nova modalidade das estruturas informacionais e da representação do conhecimento, um tipo de condicionamento cultural que está mais próximo do cérebro do que qualquer outro, e, por isso mesmo, é o mais perigoso. DESTRUIR O GOOGLE? Mas, ao dizer que o Ontoweb tem o potencial para detonar o Google e similares, Hoeschl vai direto ao ponto central da guerra da informação. O grande fator de afirmação das principais ferramentas de busca no mercado mundial (principalmente o Google) geralmente é a qualidade da informação, seguida por pacotes de fidelização e serviços de valor agregado. Não é exatamente a publicidade, ou os arranjos de mercado, ou o fôlego financeiro que determinam o sucesso de um motor de busca. O que vale mesmo é o contato direto com o usuário e a proposta de lhe oferecer a melhor informação. O sistema do PageRank, por exemplo, é uma família de algorítimos, segundo a Wikipedia, cujo objetivo é resgatar a melhor informação. Ele foi o grande responsável pelo surgimento e crescimento do Google. Obvio que, após o sucesso inicial, vieram pesados investimentos na ferramenta, e foi montada uma monstruosa estrutura de servidores (algo em torno de 150.000 máquinas de alta performance). Mas tudo isso é secundário, pois o que faz as pessoas utilizarem um motor de busca é exatamente o acesso a informações mais qualificadas, ou, em outras palavras, o propósito de encontrar, com um rankeamento adequado, a informação realmente relevante. É exatamente aqui que reside o enorme potencial do Ontoweb, pois a sua capacidade de resgate de informações supera, em termos qualitativos, qualquer outro aplicativo que já tenha ido ao ar na história da internet. As equipes de criação, desenvolvimento e de engenharia de ontologias do Ontoweb parecem possuir aquela confiança de quem sabe que vai vencer, e não perde a tranqüilidade, e as quase 50 pessoas que trabalham no projeto parecem saber que não devem nada para qualquer equipe cientifica de alta performance em qualquer lugar do mundo. "Eles não são melhores do que nós, mas estão em um país com uma estrutura econômica mais desenvolvida", afirma Tânia Bueno, Doutora em Inteligência Aplicada e criadora do processo de ambientação organizacional chamado de Engenharia da Mente, utilizado pela equipe do Ontoweb para sincronizar as intersubjetividades na construção das ontologias que o sistema utiliza para gerar resultados mais potentes. Realmente, nos EUA os ambientes empresariais e governamentais são revestidos de visão estratégica mais depurada, o que se traduz na liderança mundial dos mercados tecnológicos, o que também significa uma enorme facilidade para captação e realização de investimentos. Sem investimentos, não se vai a lugar algum, e a morte é certa na arena tecnológica. Mas a diferença é que o projeto brasileiro vai gerar muito mais impacto com investimentos mais focados, pois tem uma proposta mais direta e eficiente. "Não podemos repetir a historia de Santos Dumont", diz Hoeschl, referindo-se ao fato de que a invenção do avião passou ao largo das prioridades estratégicas do Brasil naquele momento histórico. DISTRIBUIÇÃO DE OPORTUNIDADES "Não esquecemos que o Brasil é um País pobre, e existem diversas prioridades básicas da população a serem atendidas", afirma Eduardo Mattos, doutorando em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC, e diretor de tecnologia do Ontoweb. Segundo ele, um dos objetivos do projeto é exatamente construir uma estrutura tecnológica de grande porte mediante parcerias com instituições do exterior, ai incluídos os investimentos necessários. Isso porque o mercado brasileiro não dispõe da liquidez e fácil acesso aos dois ou três bilhões (de dólares) que se fazem necessários para que a guerra seja vencida. "Mas, para simplesmente entrar no páreo, os números são bem menores", afirma Irineu Theis, gestor financeiro do projeto. Ele diz que um dos objetivos do projeto é exatamente captar recursos no exterior, para poder acelerar o ciclo produtivo do Ontoweb e do Kmai, e fixar cérebros qualificados aqui no Brasil. Com uma visão anárquica do universo informacional e da sociedade do conhecimento, e que contesta o modelo tecnológico de centralização econômica, o time do Ontoweb parece querer ir um pouco mais adiante, e o assunto parece não se encerrar no âmbito das discussões tecnológicas, pois a equipe do Ontoweb, além do processo intenso de criação e desenvolvimento, também vive um clima de "guerra santa" pela democratização da informação e distribuição do conhecimento. "Não está em discussão somente um produto ou um mercado, estamos falando de um modelo de estrutura social que pode mudar, com um papel diferente a ser desempenhado pelo Brasil", diz Hoeschl. APENAS NO INICIO Vale lembrar ainda que o Ontoweb está apenas no início, e que atualmente trabalha com um número delimitado de fontes de informação, mas que a tecnologia Kmai, da mesma equipe, já permite "aumentar infinitamente o número dessas fontes, algo que pode acontecer em um futuro próximo", segundo André Bortolon, coordenador de desenvolvimento do Ontoweb. Da mesma forma, as buscas no Ontoweb estão limitadas atualmente a 7.000 caracteres, mas a equipe também já possui tecnologia suficiente para elevar esse número para 210.000 caracteres, que é o atual patamar de funcionamento do Kmai. "Ficamos emocionados", confessou o médico e experiente internauta Mauro Montaury, depois de utilizar o Ontoweb. "Poder utilizá-lo para consultas e pesquisas é a realidade dos sonhos". Outro freqüentador assíduo da grande rede, o cientista da informação formado pela Unicamp, Jonathan Pereira, e editor do blog "O teatro da vida", entende que o Google "caducou" e que "virou buscador de museu". Ele espera que a ferramenta de busca mais famosa do mundo siga o caminho do Ontoweb. "Caso contrário, deixará de ser sinônimo de buscador, passando a faixa para novo prodígio da internet". ---------------------------------------------------------------- This message was sent using IMP, the Internet Messaging Program. _______________________________________________ Bib_virtual mailing list [email protected] https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

