Prezados, 

esta discussão está na lista errada. 

Miguel, o que está ocorrendo? 

Grato 

André Ricardo Luz 


Em (16:17:11), 
=?iso-8859-1?q?Lista_de_Discuss=E3o_e_Divulga=E7=E3o_sobre_Bibliotecas_e_?= 
=?iso-8859-1?q?Informa=E7=E3o_Digital_na_Internet?= escreveu: 


>Uma "miopia clara" é a afirmaçãode de que o Chico sempre colaborou de forma 
>negativa na política brasileira. Ao contrário, independente da posição 
>partidária, Ele é e sempre foi um ícone positivo para a cultura e a 
formação 
>do povo brasileiro... é lamentável que alguém, que certamente é 
>politicamente adiversário dele, n o reconheça e demonstre roncor. Será que 
>tal criatura conhece de fato o Chico? Será que ela leu a entrevista abaixo? 
>? 
> 
>[EMAIL PROTECTED] escreveu: 
> 
>Pessoas, 
> 
>Infelizmente aqui fica uma critica minha, se for para tecer apenas 
>comentários depreciativos e não argumentativos, como o abaixo, seria melhor 
>nem se manifestar... 
> 
>Abraços 
> 
>Tiago Murakami 
> 
>"Flavio Nunes" 
>br> To 
>Sent by: 
>bib_virtual-bounc cc 
>[EMAIL PROTECTED] 
>Subject 
>Re: [Bib_virtual] Lula e a imprensa 
>10/05/2006 15:19 ou igualdade, fraternidade e 
>liberdade 
> 
>Please respond to 
>Lista de 
>Discussão e 
>Divulgação sobre 
>Bibliotecas e 
>Informação 
>Digital na 
>Internet 
>t.br> 
> 
>Como comentarista político, o Chico Buarque é um ótimo compositor... 
> 
>Flávio Nunes 
>Bibliotecário CRB10/1298 
>Biblioteca Unisinos - Obras Raras 
>3590-8855 Ramal: 4550 
> 
>>>> [EMAIL PROTECTED] 10/5/2006 15:09 >>> 
>>> Para alimentar o debate sobre liberdade lembro a todos a 
>>> historicidade desse conceito 
> 
>>> e reenvio excertos da entrevista do poeta Chico 
> 
>>> ele sempre fez das palavras, mesmo em entrevista no cenário de 
>>> campanha eleitoral, 
>um poderoso antídoto para a anestesia e a miopia que acomete vastos 
>setores da população 
>que insistem em não refletir sobre a dura questão social no Brasil. 
> 
>Cordiais saudações, 
>Myriam 
> 
>>> Chico diz que vota em Lula de novo 
>>> Decepcionado com o PT, Chico critica oposição que trata Lula como um 
>>> "vagabundo que deve voltar à senzala' 
>>> 
>>> 
>>> João Wainer 
>>> 
>>> Chico Buarque, em sua cobertura no Leblon, durante entrevista que 
>>> concedeu à Folha 
>>> 
>>> 
>>> FERNANDO DE BARROS E SILVA 
>>> EDITOR DE BRASIL 
>>> 
>>> "É duro jogar na defesa." Foi esse o comentário bem-humorado que 
>>> Chico Buarque fez assim que terminou a primeira parte de uma 
>>> entrevista feita em dois tempos, no domingo à noite e na 
>>> segunda-feira à tarde, no seu apartamento no Leblon. O compositor se 
>>> referia à defesa que acabara de fazer do governo Lula. 
>>> Mas Chico Buarque não sabe, não gosta e não joga na defesa. Como no 
>>> futebol, que, perto de completar 62 anos, em junho próximo, continua 
>>> praticando três vezes por semana, Chico partiu logo para o ataque. 
>>> Disse que o escândalo do mensalão o deixou, sim, decepcionado com o 
>>> governo e é desastroso para o PT. Mas disse com ênfase ainda maior 
>>> que as críticas da oposição e de parte da mídia a Lula exorbitaram 
>>> tanto no tom quanto no conteúdo e são, por isso, inaceitáveis. 
>>> Mais ainda, Chico vê o recrudescimento do preconceito de classe 
>>> contra o presidente: "Como se fosse uma concessão, deixaram o Lula 
>>> assumir. "Agora sai já daí, vagabundo!". É como se estivessem 
>>> despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a 
>>> Casa Grande", diz Chico. 
>>> 
>>> _____ 
>>> "Carioca", que chega hoje às lojas, está distante oito anos do CD 
>>> anterior, "As Cidades", de 1998. No meio do caminho, o também 
>>> escritor lançou o romance "Budapeste" (2003). Depois da Copa, ele 
>>> deve retornar aos palcos apresentando o novo trabalho pelo país. 
>>> 
>>> 
>>> Folha - No fim de 2004, em entrevista à Folha, você via uma onda de 
>>> ódio aos pobres e de ódio a Lula no país. Entre aquele diagnóstico e 
>>> a situação de hoje houve a crise do mensalão. Você está decepcionado? 
>>> O que mudou no governo Lula? 
>>> Chico Buarque - É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou 
>>> quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido o escândalo 
>>> é desastroso. Espero que disso tudo possa surgir um partido mais 
>>> correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de 
>>> que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que 
>>> você ou é tucano ou é burro [risos]. 
>>> Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas 
>>> principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do 
>>> governo mais corrupto da história do Brasil, é preciso dizer "espera 
>>> aí". Quando aquele senador tucano canastrão vai para a tribuna do 
>>> Senado dizer que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula 
>>> de vagabundo, de ignorante, aí estão errando muito a mão. Governo 
>>> mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso 
>>> investigar. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. 
>>> 
>>> Folha - Como assim? 
>>> Chico - Pergunte a qualquer pequeno empresário como faz para levar 
>>> adiante seu negócio. Ele é tentado o tempo todo a molhar a mão do 
>>> fiscal para não se estrepar. O mesmo vale para o guarda de trânsito. 
>>> E assim sucessivamente. A gente sabe que a corrupção no Brasil está 
>>> em toda a parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente eles, 
>>> fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover. Eles fazem 
>>> o papel da oposição, está certo. O PT também fez o "Fora FHC", uma 
>>> besteira. 
>>> Mas o preconceito de classe contra o Lula continua existindo -e em 
>>> graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi 
>>> igual. Acaba inclusive sendo contraproducente. O sujeito mais humilde 
>>> ouve e pensa: "Que história é essa de burro!? De ignorante!? De 
>>> imbecil!?". Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem 
>>> com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! -até assassino eu já 
>>> ouvi. 
>>> Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram 
>>> plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. 
>>> Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. 
>>> "Agora sai já daí, vagabundo!" É como se estivessem despachando um 
>>> empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande. 
>>> "Agora volta pra senzala!" Eu não gostaria que fosse assim. 
>>> 
>>> Folha - Você acredita que o Lula seja de fato visto como uma ameaça 
>>> pelos mais ricos? 
>>> Chico - A economia, na verdade, não vai mudar se o presidente for um 
>>> tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita 
>>> diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas 
>>> o país deu um passo importante elegendo o Lula. Considero 
>>> deseducativo o discurso em voga: "Tão cedo esse caras não voltam, 
>>> eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas". Acho 
>>> tudo isso muito grave. 
>>> 
>>> Folha - Você vai votar no Lula? Chico - Hoje eu voto no Lula. Vou 
>>> votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar 
>>> atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o 
>>> Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está 
>>> devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: "Quero ser cobrado, 
>>> vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos". 
>>> Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes de ele tomar posse, num 
>>> encontro aqui no Rio. 
>>> 
>>> Folha - Vários artistas andaram criticando o PT, o governo e Lula. O 
>>> meio artístico, ao que parece, não vai mais embarcar no "Lula lá". 
>>> Chico - Pelo que eu ando lendo, a grande maioria dos artistas está 
>>> contra o Lula. Tenho a missão de contrabalançar um pouco isso 
>>> [risos]. Há também entre os artistas um pouco daquela competição: 
>>> quem vai falar mais mal do presidente? Mas concordo em parte com o 
>>> Caetano. Em parte. 
>>> Quando ele fala que as pessoas do atual governo se cercam da aura de 
>>> esquerda para justificar seus atos e reivindicar para si uma posição 
>>> superior à dos demais, tudo isso também vale para o governo anterior. 
>>> Os tucanos costumam carregar essa aura de esquerda com muito zelo. 
>>> Volta e meia os vemos dizendo que foram contra a ditadura, que são 
>>> intelectuais de esquerda. Fernando Henrique foi eleito como candidato 
>>> de centro-esquerda. Na época a vice entregue ao PFL parecia algo 
>>> estranho. Depois se provou que não era. 
>>> As pessoas se servem do passado de esquerda como se fosse um título, 
>>> um adorno. Na prática política essa identidade não funciona mais. Mas 
>>> não funciona não só porque as pessoas viraram casaca. A história 
>>> levou para isso. Levou o PSDB a se tornar o que é e obrigou o PT a 
>>> abdicar de qualquer veleidade socialista ou revolucionária. 
>>> 
>>> Folha - O que você acha do PSOL e dessa turma que deixou o PT fazendo 
>>> críticas pela esquerda? 
>>> Chico - Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: 
>>> ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que 
>>> está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e 
>>> que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles 
>>> crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o 
>>> adversário do Lula. 
>>> 
>>> Folha - Como você vê a atuação da mídia no escândalo do mensalão? Tem 
>>> gente que ainda diz que a mídia criou ou inventou essa crise. 
>>> Chico - Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia 
>>> ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do 
>>> Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando 
>>> Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas 
>>> chapa-branca dispostos a defendê-lo. O Lula não tem. Pelo contrário, 
>>> é concurso de porrada para ver quem bate mais. 
>>> 
>>> Folha - O rumo que tomou o Brasil e o mundo o faz se sentir 
>>> derrotado? A sua geração perdeu? 
>>> Chico - É evidente que parte da minha geração que chegou ao poder não 
>>> lutou a vida inteira para isso. Eu vou dizer: até mesmo pessoas que 
>>> hoje são execradas publicamente, como o Zé Dirceu... 
>>> Não tenho maior simpatia pelo Zé Dirceu, não assinei manifesto em 
>>> defesa dele, acho que ele errou, que ele tem culpa, sim, por tudo o 
>>> que aconteceu, mas eu respeito uma pessoa que num determinado momento 
>>> entregou a sua vida, jogou tudo o que tinha em nome de uma causa, do 
>>> país. 
>>> Como o Zé Dirceu eu poderia citar outros nomes que chegaram ao poder, 
>>> mas chegaram despidos daquele sonho em nome do qual eles lutaram a 
>>> vida toda. Quem sabe para chegar ao poder tiveram justamente que se 
>>> render ao pragmatismo. A pessoa que chega ao poder é um pouco um 
>>> fantasma daquela que deu a vida por algo que não se realizou. 
>>> 
>>> Folha - O público mais jovem tem interesse pelo que você e sua 
>>> geração fazem hoje? O que mudou na recepção do seu trabalho? 
>>> Chico - Mudou muita coisa. Para as pessoas mais velhas, as músicas 
>>> costumam ter história, lastro, estão ligadas à vida de cada um ou 
>>> relacionadas a momentos do país. É comum ouvir "isso me lembra as 
>>> Diretas-Já, isso me lembra Geisel, isso me lembra o Festival da 
>>> Record". Para a garotada não há nada disso. Para eles sou músico de 
>>> um passado só. Outro dia um jovem me disse: "Adoro aquela sua 
>>> música". "Qual?", perguntei: "Com Açúcar, com Afeto" [risos]. A 
>>> música tem 40 anos!. 
>>> 
>>> Folha - É uma jovem senhora, mas ainda chama a atenção. 
>>> Chico - Isso na verdade é cíclico. Nos anos 80, em determinado 
>>> momento que uma parte expressiva da mídia flertou com muito 
>>> entusiasmo com uma certa idéia de internacionalização da cultura e de 
>>> desbunde com o mercado, parecia que a música da gente já era. 
>>> Nacional, só rock e olhe lá. Eu fui considerado completamente 
>>> ultrapassado. Depois voltou. Daqui a pouco pode ser que não interesse 
>>> mais. A gente continua fazendo -existe uma teimosia aí. E também, a 
>>> essa altura, uma natural despreocupação com o sucesso imediato. Mesmo 
>>> porque o sucesso imediato não acontece. 
>>> 
>>> Folha - Você considera que o novo CD exige uma digestão mais lenta? 
>>> Chico - Você e outros comentaram que, a exemplo do anterior, o disco 
>>> não é fácil de se gostar na primeira audição. Talvez não seja mesmo. 
>>> Eu aposto um pouquinho no fato de que a pessoa vá ouvir várias vezes. 
>>> É difícil no meu caso ter uma música que seja um grande sucesso, que 
>>> toque no rádio -eu não conto com isso. Não estou preocupado em fazer, 
>>> como diziam os italianos, uma música "orecciabile", "orelhável". No 
>>> final dos anos 60, quando morei em Roma, eles queriam que eu fizesse 
>>> outra música como "A Banda", "orecciabile". E eu acabei não fazendo 
>>> outras músicas "orelháveis", frustrando muitas expectativas. Hoje não 
>>> existe nenhuma expectativa, nem minha nem de ninguém, de que eu 
>>> precise ou vá compor uma música "orecciabile". 
>>> É natural que haja um tempo maior e um apuro maior, não apenas no 
>>> processo de composição mas também no trabalho de estúdio, durante os 
>>> arranjos, as gravações. É sem dúvida um trabalho mais sério, mais 
>>> cuidado do que era há anos atrás. Não quero dizer que isso resulte 
>>> numa música "impopular" de propósito, uma música sofisticada demais 
>>> -não acho isso-, mas é uma música que não tem compromisso com o 
>>> sucesso. Isso talvez a torne mais longeva. 
>>> 
>>> Folha - Você transmite a sensação de que gostaria de ver seu trabalho 
>>> melhor compreendido. 
>>> Chico - Sei que é difícil falar do disco. Até para mim é difícil. Em 
>>> jornal, crítico de música geralmente é crítico de letra. É 
>>> compreensível que seja assim -a letra vai impressa, o crítico destaca 
>>> este ou aquele trecho. Funciona assim. Eu cada vez mais dou 
>>> importância à música e tenho vontade de dizer: "Olha, só fiz essa 
>>> letra porque essa música pedia. Isso não é poesia, é canção". Enfim, 
>>> fico um pouquinho chateado com essas coisas, mas sei que é difícil. 
>>> Como é que vai imprimir uma partitura no jornal e explicar aos 
>>> leitores? 
>>> 
>>> Folha - Você volta a fazer shows? 
>>> Chico - Tenho vontade de fazer, sim. Depois da gravação, do convívio 
>>> com os músicos no estúdio essa vontade aparece. É o passo seguinte, 
>>> de certa forma natural. Vamos ver depois da Copa. 
>>> 
>>> Folha - Você acaba de gravar 12 programas dirigidos por Roberto de 
>>> Oliveira, que mesclam entrevistas inéditas e imagens de arquivo 
>>> cobrindo praticamente toda a sua carreira. Chama a atenção a maneira 
>>> desinibida com que você acabou passando a limpo a sua trajetória. O 
>>> que o levou a fazer esse balanço? 
>>> Chico - O Roberto foi me engabelando [risos]. A idéia inicial eram 
>>> dois ou três programas. Achei que a proposta de recuperar imagens de 
>>> arquivo que de outra forma ficariam perdidas justificava o trabalho. 
>>> Mas só fazia sentido se isso viesse acompanhado de algo mais. 
>>> 
>>> Folha - Esses documentários dos anos 70 e 80 que os programas 
>>> recuperam chamam atenção pelo despojamento, pelo ambiente caseiro, de 
>>> ensaios descontraídos. Vivia-se em outro planeta, não? 
>>> Chico - Fiquei muito tempo fora da Globo durante a ditadura, primeiro 
>>> porque eles me vetaram, depois, quando me chamaram, porque eu não 
>>> queria. Esses programas eram um contraponto à programação e à 
>>> estética da Globo. Mostravam os artistas gravando, bebendo, era uma 
>>> coisa meio mal-acabada, meio alternativa. Alguns discos, não apenas 
>>> os meus, também tinham esse clima. 
>>> Era uma bagunça. Ouvindo hoje a gente tem a sensação de que o cantor 
>>> bebeu, o maestro fumou e o produtor cheirou, não necessariamente 
>>> nessa ordem [risos]. 
>>> Era muita loucura, o estúdio cheio de gente, garrafas pelo chão, uma 
>>> festa. Hoje você entra num estúdio e é aquela coisa ascética. Parece 
>>> um hospital. Não se come, não se bebe, não se fuma, não se faz nada 
>>> ali dentro. 
>>> Naquela época havia um certo valor nessa transgressão, nesse 
>>> desregramento. Você ia gravar daquele jeito, todos no estúdio estavam 
>>> daquele jeito e provavelmente quem ia ouvir os discos também estava 
>>> daquele jeito. Não deixava de ser uma maneira de enfrentar e suportar 
>>> a repressão. Hoje não faria nenhum sentido gravar naquelas condições. 
>>> 
>>> Folha - Era uma época mais simpática? 
>>> Chico - Não acho nada simpática. Não dá para abstrair a ditadura. Uma 
>>> coisa é Maio de 68 na França. Outra, completamente distinta, o nosso 
>>> dezembro de 68. 
>> 
> 
>Myriam Bahia Lopes 
>[EMAIL PROTECTED] 
>www.nehcit.cjb.net 
>Em 10/mai/2006, às 00:24, Jonathan Pereira escreveu: 
> 
>em O Estado de S. Paulo 
>6 maio 2006 
> 
>"A liberdade de imprensa é a razão pela qual eu cheguei à Presidência, 
>é a 
>razão pela qual as instituições brasileiras dão demonstrações mais 
>sólidas 
>de crescimento e sustentabilidade democrática." 
> 
>Esta curta observação, feita pelo presidente Lula na ocasião em que 
>assinou 
>a Declaração de Chapultepec - 
>documento internacional que estabelece princípios fundamentais da 
>liberdade 
>de imprensa -, já pode ser considerada, por si, um dos mais lúcidos 
>pronunciamentos do presidente da República, em seus 40 meses de gestão. 
>Com 
>efeito, corresponde inteiramente à verdade o fato de o inflamado 
>sindicalista de São Bernardo dever à plena liberdade de expressão a 
>carreira 
>política que o levou ao topo do Poder. Diga-se o mesmo em relação a 
>influência, dessa liberdade, no "crescimento e sustentabilidade" das 
>instituições democráticas brasileiras. Há que se dizer também, no 
>entanto, 
>que o comportamento do presidente e seu governo, no que diz respeito ao 
>relacionamento com a imprensa, esteve bem longe de significar o grau de 
>respeito e consideração contido nas palavras de quarta-feira. 
> 
>Reconheça-se que neste campo tem havido uma evolução. Durante quase 
>toda sua 
>gestão - com exceção dos últimos tempos, já pré-eleitorais - o 
>presidente 
>Lula se recusou ao saudável hábito das rotineiras entrevistas coletivas, 
>preferindo sempre as comunicações oficiais. Só muito raramente se 
>permitia 
>convidar alguns jornalistas para um "café-da-manhã", mas nessas ocasiões 
>fazia prevalecer mais um espírito de ameno congraçamento do que a 
>intenção 
>de passar informações realmente relevantes, do interesse da sociedade. 
>Mas 
>outros fatos marcaram um relacionamento tumultuado. Um deles foi a 
>tentativa 
>de expulsão do País do jornalista Larry Rohter, do New York Times, por 
>este 
>ter publicado matéria dando conta de hábitos etílicos do presidente. 
> 
>Foi marcante, por outro lado, o envio ao Congresso Nacional da proposta 
>de 
>criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) - que tinha por objetivo 
>expresso "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão. 
>Por 
>sobre ser um projeto gritantemente inconstitucional - já que a 
>Constituição, 
>por autodefesa histórica, em seu texto contém uma das maiores repulsas a 
>qualquer espécie de censura -, a idéia do CFJ foi prontamente rechaçada 
>pelos mais amplos setores da opinião pública e acabou - queremos crer - 
>definitivamente sepultada. Embora não se referissem especificamente à 
>imprensa - mas à liberdade de expressão, em gênero -, o famigerado 
>projeto 
>da Ancinav, tentando impor "orientações" à produção cultural, assim 
>como o 
>que pretendia colocar alguma "mordaça" no Ministério Público, foram 
>outras 
>tentativas, felizmente frustradas, de o governo Lula estabelecer 
>cerceamento 
>à livre manifestação de pensamento. 
> 
>Se reconhecemos que houve uma boa evolução no relacionamento do governo 
>Lula 
>com a imprensa, nos últimos tempos - e esforcemo-nos para, de boa-fé, 
>desvinculá-la de eventuais propósitos reeleitorais -, é porque se torna 
>perceptível a tentativa de o presidente aproximar-se mais dos 
> 
>=== message truncated === 
> 
>--------------------------------- 
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>ganhe prêmios de hora em hora. 
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