Acredito que a informação é abundante,
e não se esgota com o consumo; e que esta
abundância provoca o efeito Bush- Mendel* de
desordem em acervos. Penso que informações se
institucionalizam em estoques e que estes são
estático, por si só não geram conhecimento; este
se produz a partir dos processos de comunicação
que se utilizam destes estoques. O conhecimento
é um processo sempre dinâmico e se realiza fora
dos estoques em um espaço onde os receptores de informação habitam.
Acredito que a informação tem muitas maneiras de
ser enunciada. Eu a nomeei como:
"estruturas significantes com a competência de
gerar conhecimento"; aquilo que, num contexto
cultural específico, possui valor denotativo, evocativo, mágico e místico.
Acredito que o objeto de estudo da ciência da
informação é um constante construir de
princípios e práticas relacionados com: a criação
da informação como ação humana de dar existência
ao que não existia antes e depois o tratamento
desta informação produzida para sua organização e
sua distribuição. É do seu objeto o estudo
dos diversos fluxos internos de gestão e
externos de transferência do e para um
autor/receptor; nesse continuum a ciência da
informação pode utilizar diferentes linguagens,
uma variedade de formas, e seguir através de uma quantidade de canais.
Acredito que a ciência da informação é
interdisciplinar , mas que uma área
interdisciplinar, não pode simplesmente transpor
teorias e conceitos emprestados de outras áreas
de conhecimento. Esta transportação de idéias,
métodos, do pensar em precisa respeitar as
características existentes e manifestas do campo
de ação da ciência da informação, da coisa
informação em si, com toda as suas condições,
características e singularidades.
Assim, toda uma argumentação precisa ser
construída para, mostrar as qualidades e a
viabilidade da transferência de teorias,
conceitos e metodologias estrangeiras que, precisa ser convincente.
Sobretudo acredito que, a interdisciplinaridade
não floresce do trabalho de um pesquisador
solitário, quando este importa conceitos,
explicações e métodos de outra área para
conseguir explicar o seu trabalho. A
interdisciplinaridade exige uma interação de
grupos de pessoas de dois ou mais campos
trabalhando em conjunto e para este fim
específico. E' a observância partilhada e
continua destes preceitos e normas acadêmicas
que a produz - a interdisciplinaridade não se
constrói na desordem da emergência fortuita, solitária e contingente.
Acredito que pesquisa em ciência da informação é
um processo orientado para expandir as fronteiras
do conhecimento da área; representa uma
investigação ordenada e original que é coerente
com uma linha de pensamento conceitual e teórica;
persegue o que é novo e deve mostrar evidências
da novidade, apoiada por um método racional de ação.
Acredito que a construção de uma base de dados,
uma metodologia para coletar informação ou a
simples descrição de um produto, serviço ou
modelo de sistema de informação não podem ser
considerados como uma pesquisa nesta área, mais
poderiam surgir como sub-produto ou insumo de uma pesquisa.
Em meu trabalho nestes anos acredito que a
informação sintoniza o mundo, pois referencia o
homem ao seu passado histórico, às suas
cognições prévias e ao seu espaço de
com(vivência), colocando-o em um ponto do
presente, com uma memória do passado e uma
perspectiva de futuro; o espaço de apropriação
da informação, do conhecimento, se localiza no presente continuo.
Acredito , também, que os fluxos de informação
se movem em dois níveis: em um primeiro nível os
fluxos internos de informação se movimentam entre
os elementos de um sistema de agregação,
armazenamento e recuperação da informação, e se
orientam para sua organização e controle. Estes
fluxos internos se agregam, por uma premissa de
razão prática e produtivista com um conjunto de
ações pautadas por decisões de um agir baseado em princípios.
Em outro nível existem fluxos extremos. No
fluxo extremo a direita, a premissa se transforma
na promessa, uma promessa de que a informação
gerada pelo autor possa ser assimilada como
conhecimento pelo receptor. No se nascimento a
informação realiza um fenômeno de transferência
do pensamento do autor para um inscrição de
informação cuja Essência está na passagem de uma
experiência, de um fato ou uma idéia, que está em
uma linguagem de pensamento para inscrição em um
texto de informação editado. Um fluxo duas linguagens.
No fluxo à direita temos um processo de cognição
que transforma a informação em
conhecimento. Uma apropriação da informação
pública para um subjetivismo que se quer
privado. Um desfalecer da informação para
renascer conhecimento. No nascimento
acontece uma desapropriação cognitiva, quando o
pensamento, do autor, se arranja em uma linguagem
com inscrições próprias. No conhecimento a
passagem ocorre na direção dos labirintos do
pensar privado um espaço de vivência pública do
receptor. Uma pulsão de criação ao nascer; um
defalecer para apropriação no conhecimento.
O Pensamento--->
Informação-----.>Conhecimento formam uma
complexa convivência de Eros com Tânatos.
Acredito que estes diferentes fluxos indicam as
possíveis dissensões entre a biblioteconomia e a
ciência da informação e a arquivística, a
museologia; na ciência da informação os estudos
se envolvendo os fluxos extremos, as outras
áreas, explicam e realizamos fluxos internos do
sistema de informação, sem deixar de pensar no receptor.
Aldo de A Barreto
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*Efeito Bush-Mendel Desde 1945 Vannevar Bush
tinha grande medo do excesso de informação
causado pelo volume de documentos liberado no
pós-guerra; escreveu sobre isso no periódico
Atlantic Mounthy, em um artigo denominado As
we may think e exemplificava esta falta de
gestão e controle com o caso das Leis da Genética
de Gregor Mendel (1822-1884) que ficaram
perdidas por uma geração devido a esta abundância de informação.
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