Concordo plenemente com o ponto de vista do Murilo. Entendo que a grande sacada para aproximar a ciência da tecnologia é incentivar a difusão dos conhecimentos sobre propriedade intelectual e direitos autorais. A criação de setores com orientação aos pesquisadores e disciplina relacionadas ao assunto dentro dos cursos irão ampliar os conhecimentos sobre até que ponto, e como, uma criação intelectual deve ser difundida e protegida.

Ana Cristina C. Tinôco
Biblioteca do CTGÁS
Natal - RN

----- Original Message ----- From: "Murilo Cunha" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>; "Hélio Kuramoto" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Monday, July 23, 2007 11:07 PM
Subject: Re: [Bib_virtual] Acesso livre à informação científica: questões e incertezas?


Kuramoto & demais participantes da lista:
1) De acordo com o seu relato abaixo parece que temos aqui um contexto onde
se nota a distinção clássica entre ciência e tecnologia. Enquanto o
pesquisador da área tecnológica geralmente oculta o resultado de sua
descoberta, o cientista, ao contrário, tende a divulgar ao máximo a sua
descoberta. É claro que o cientista recebe os bônus relativos à apreciação
feita pelos seus colegas, facilitando e estimulando, assim, a chamada livre
circulação das idéias.
2) A decisão de tornar uma informação livre na internet e o nível de seu
detalhamento precisa ser olhada com cuidado. Também vale notar que tanto o
conhecimento científico como tecnológico recebe influência do seu possível
valor econômico. Assim, as instituições -- sejam elas públicas ou
privadas -- deverão agir de acordo com percepção da significação econômica e
estratégica desse novo conhecimento.
 3) Ao meu ver, as reações/receios que você observou na última reunião da
SBPC em Belém podem não ser tão "ingênuas" ou "tolas". As pesquisas
tecnológicas não podem e não devem ter o mesmo tratamento de divulgação das
pesquisas científicas, pois elas poderão ser objeto de registro da
propriedade intelectual. É claro que, no conceito do livre acesso à
informação, está inserido a possibilidade de se dar prazo para uma
divulgação ampla do documento como um todo (capítulos ou partes que estão em
fase de patenteamento).
4) Nota-se que, nos últimos anos, está ocorrendo uma redução gradual entre
as duas áreas [sabiamente denominado de Dois Mundos, na obra clássica de C.
P. Snow]. Isto é visível pela criação nas universidades -- mesmo nas
brasileiras, p. ex.: USP, UNICAMP e UnB -- de setores encarregados do
patenteamento das descobertas realizadas nos laboratórios universitários. As
universidades acordaram para a necessidade de auferir rendimentos advindos
das pesquisas feitas pelos seus pesquisadores e grupos de pesquisa.
Portanto, a distinção clássica entre C&T mencionada no item 1 será mínima no
futuro.
5) É necessário ampliar o debate sobre o conceito do acesso livre à ICT,
especialmente junto às comunidades científicas. Também é importante a
ampliação do número dos periódicos brasileiros que disponibilizam o texto
completo na Web. Essas duas ações poderão reduzir as reações contrárias à
livre difusão da informação.
Murilo Cunha





----- Original Message ----- From: "Hélio Kuramoto" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Thursday, July 19, 2007 11:57 PM
Subject: [Bib_virtual] Acesso livre à informação científica: questões e
incertezas?


Prezados,

vejam algumas colocações folclóricas e preconceituosas existentes entre os dirigentes de ciência e tecnologias desse país. Comento em meu blog:, http://blogdokura.blogspot.com/, uma dessas questões: o risco de roubo de idéias e patentes...

vejam um extrato de uma das matérias do meu blog:

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   O Acesso Livre na SBPC: questões e incertezas?

Ao final do encontro aberto realizado na 59a. Reunião Anual da SBPC em Belém - PA, uma das pessoas presentes fez uma colocação que reflete o pensamento de muitos dirigentes da comunidade científica. Isso reflete também a ignorância desses dirigentes quanto ao sistema da comunicação científica existente.

Esse receio, colocado ao final do encontro diz respeito a que, em liberando o acesso aos resultados das pesquisas brasileiras, o mundo todo terá a oportunidade de roubá-los, provocando prejuízos à ciência brasileira e ao país.

Ora, esquecem esses dirigentes que hoje o pesquisador já publica esses resultados em revistas científicas comerciais e, que são acessíveis àqueles que têm poder aquisitivo para assiná-las. Esse presumível segredo já está sendo revelado ao mundo todo. Portanto, torná-los livremente acessíveis em nada vai alterar as possibilidades atuais de cópia ou patenteamento de uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiras. É tolice imaginar esse tipo de prejuízo.

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O que pensa a comunidade bib_virtual? Que tal discutirmos essa questão?

Cordiais saudações.
Hélio Kuramoto
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