Inclusão Digital, um dos eixos prioritários de investimentos do governo federal, sofre com irregularidades

A inclusão digital da população brasileira é um dos quatro eixos prioritários do governo federal no plano plurianual (PPA) para os próximos quatro anos. Os investimentos para as ações de inclusão podem chegar a R$ 530 milhões. Mesmo com todo o esforço do governo em incluir a população na Era Digital, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que um dos principais problemas é com as irregularidades na prestação de contas de instituições que recebem o dinheiro para promover o programa. O jornal Folha de S.Paulo trouxe, em uma matéria publicada hoje (15), que as perdas chegam a 57,1% do que investido em organizações não-governamentais (ONGs) para a instalação de computadores com acesso à internet. Segundo o jornal, o tribunal examinou 14 convênios assinados diretamente pelo MCT, cinco deles por meio da Finep, outros seis pelo Ministério das Comunicações, dois pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e três pela Caixa Econômica Federal. Foram encontrados indícios de superfaturamento, de acordo com a Folha, em 12 dos 30 convênios examinados, e de fraudes em licitação em oito. O jornal ainda aponta que o TCU descobriu saques, sem comprovação de gastos, de R$ 1,6 milhão no convênio entre a Finep e a Fundação Educacional de Duque de Caxias. Em nota divulgada à imprensa, a Finep afirma que já concluiu e instaurou o processo de Tomada de Contas Especial dos três projetos de inclusão digital decorrentes de emendas parlamentares e operacionalizados pela agência, em 2006. Segundo a financiadora, a medida tomada vai quantificar os valores e identificar os responsáveis pelo suposto prejuízo. As instituições que receberam os recursos foram: Instituto Brasileiro de Cultura e Educação (Ibrae), Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento de Qualidade (Intedeq) e Instituto Amor pela Vida (IAPV). A Finep encaminhou o processo ao MCT, para as devidas respostas ao TCU. Ainda de acordo com a financiadora, os projetos aprovados, atendiam ao objeto de emendas parlamentares, cuja responsabilidade pela aprovação é do Congresso Nacional.
    Planos para 2011
A proposta do governo federal para os próximos quatro anos prevê a instalação de 8 mil telecentros, a idéia é investir R$ 2,2 milhões. Outra meta é conectar 134 mil escolas de educação básica à banda larga, para isso o governo contará com R$ 513 milhões. As medidas beneficiariam 20 milhões de pessoas.

Fonte: Boletim Gestão C&T n. 660, 15 de outubro de 2007.



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