Fonte: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=1527
TECNOLOGIA *Brasil negligencia informação científica* Pesquisa da UnB revela que órgãos de pesquisa do país não estão preparados para preservar arquivos digitais de maneira efetiva Darlene Santiago <[email protected]> - Da Secretaria de Comunicação da UnB [image: Diminuir Fonte] <javascript:void(0);> [image: Aumentar Fonte] <javascript:void(0);> Tamanho do Texto A era digital trouxe uma série de facilidades para a vida dos pesquisadores. Informações científicas são guardadas em banco de dados, garantindo agilidade ao processo de pesquisa. Mas estudo da Universidade de Brasília mostra que há negligência na preservação de documentos científicos. As instituições não sabem como lidar com o material e armazenam os dados em sistemas frágeis. Basta um problema nos computadores ou uma pane no sistema para que informações valiosas se percam. O estudo avaliou o trabalho de documentação em 24 unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia e elaborou seis critérios básicos para que a preservação seja eficaz. “Estamos em risco de perder muita informação científica no Brasil. Não há garantias de que esses documentos vão estar acessíveis no futuro”, diz o autor do levantamento, Miguel Arellano, doutor em Ciência da Informação pela UnB. Marcelo Jatobá/UnB Agência<http://www.unb.br/noticias/adm/foto/solicitarFoto.php?id=40513> Não há sequer legislação para cuidar do tema, alerta o pesquisador. “As pessoas não têm noção do que é preservação digital. Acham que é uma questão técnica de informática, questão de fazer *backup*”, diz. “E ainda se mantém material em disquetes, por exemplo, recurso ultrapassado e que não garante preservação alguma.” A substituição de documentos impressos pela informação digital traz uma série de benefícios: economia de papel, praticidade, acessibilidade e rapidez para a transmissão dos dados. Porém, o cuidado com a informação tem de ser redobrado. “Você precisa de uma equipe capacitada, uma boa política de preservação e fazer migrações sucessivas de equipamentos”, explica o orientador da pesquisa Murilo Bastos da Cunha, professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da UnB. O cuidado é uma questão estratégica para a sobrevivência das organizações, lembra Cunha. Nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, existem leis e modelos de preservação há mais de dez anos. No Congresso norte-americano, por exemplo, há a postura de preservar até mesmo os e-mails corporativos. Para o professor Cunha, falta ao Brasil dar a devida importância ao tema: “Precisamos de normas legais para guardar esse material”, defende. *INICIATIVA –* O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é o único órgão brasileiro que atende aos seis critérios elaborados no estudo de Arellano. Tudo começou em 1995, com a iniciativa do pesquisador e presidente do Conselho de Editoração e Preservação do Inpe, Gerald Jean Francis Banon. Em 1989, ele criou um software livre para gerenciar e preservar a informação digital. “Na época não se falava no assunto, mas eu sentia a necessidade de ter uma plataforma para integrar as informações das unidades de outros estados”, conta. A iniciativa foi melhorada. Hoje é um sistema de acesso livre compatível com protocolos internacionais que armazena toda a produção do Inpe. O repositório institucional tem cerca de 24 mil registros e 10 mil documentos completos. *SEM BIBLIOTECA –* Dos 24 órgãos avaliados por Miguel Arellano, sete não têm unidade de documentação. É o caso do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE). “Não temos espaço físico para guardar tudo em papel. Temos um acervo digital disponível para todos do centro”, diz Lilian Tomé Brandão, bibliotecária e analista de informação do Núcleo de Informação do CGEE. O Centro possui três bancos de dados não integrados, criados em 2003. Um deles armazena informações relacionadas a questões contratuais, outro guarda dados de acompanhamento dos estudos e o terceiro gera relatórios. Segundo Regina de Castro Silva, analista de informação do CGEE, o sistema atual não é satisfatório e o primeiro passo para a melhoria é integrar as três bases de dados. “Não posso afirmar que temos 100% dos documentos do centro preservados porque quando o centro começou, em 2001, não havia unidade de informação”, diz. *CRITÉRIOS PARA PRESERVAÇÃO DIGITAL* *1. Confiabilidade –* garantias de que o serviço funcionará. Estabelecimento de padrões para certificar a eficácia do sistema. Uso de metadados, informações que oferecem o histórico do documento. *2. Responsabilidade política –* a instituição declara em documento oficial de comprometimento que vai estabelecer a preservação digital. *3. Sustentabilidade econômica –* modelo de negócios para a manutenção do serviço, determina como será o fomento e de onde virão os recursos. *4. Inclusão em repositórios digitais –* para preservar a informação digital, é necessário ter um sistema gerenciável. *5. Transparência –* o sistema tem de informar os procedimentos seguidos e normas de certificação. Deve permitir mudanças de sistema e atualizações. *6. Acessibilidade de longo prazo –* permite a integridade, preservação e acesso aos documentos no longo prazo. Também deve permitir a transferência dos dados para outros sistemas e formatos. -- Fernando César Lima Leite
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