Muito bom o artigo do pesquisador Marcelo Leite. É incrível como as autoridades políticas em nosso país adoram se "pavonear" e acabam colocando os pés pelas mãos. Um pouco mais de cautela e prudencia não fazem mal a ninguem.
Citando Miguel Ángel Márdero Arellano <[email protected]>: > JORNAL DA CIÊNCIA > Segunda-feira 11 de maio 2009 > > Zebras e cavalos > Artigo de Marcelo Leite > > “O que explica o aumento súbito da produção de ciência no país?” > > Marcelo Leite é autor de "Folha Explica Darwin" (Publifolha, 2009) e do > livro de ficção infantojuvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009), sobre > biocombustíveis e florestas. Blog: Ciência em Dia > (cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br). E-mail: > [email protected]. Artigo publicado na “Folha de SP”: > > Atul Gawande, médico e ensaísta americano que brilha nas páginas da > revista "The New Yorker", conta em seu livro "Complicações" -já elogiado > aqui- que professores de escolas médicas de seu país repetem com > frequência um dito sobre quadrúpedes. Algo assim: "Se você ouvir um > tropel, pense primeiro em cavalos, não em zebras". > > O sábio conselho se aplica em geral à arte do diagnóstico. Diante de > certa configuração de sintomas, o médico em formação deve cogitar > primeiro as doenças e condições mais comuns que possam explicá-la. Mais > ou menos o contrário do que faz o Dr. House, da imperdível série de TV. > > Quando li que o Brasil tinha saltado da 15ª para a 13ª posição no > ranking de produção científica mundial, logo pensei: deu zebra. Mesmo > respondendo por meros 2,12% dos artigos publicados em periódicos > científicos indexados (de primeira linha), é um avanço tão sensacional > quanto os diagnósticos improváveis de House. > > Na divulgação dos dados, o ministro da Educação, Fernando Haddad, se > empolgou. Disse que em pouco tempo, se mantiver o ritmo, o Brasil poderá > chegar entre os dez primeiros produtores de conhecimento científico do > planeta. > > "O indicador mostra o esforço nacional e o vigor das universidades > federais", afirmou, puxando a sardinha para a sua brasa. Citou a > contratação, por concurso, de 10 mil jovens doutores para dar aulas > nessas instituições, em todos os cantos do Brasil. E prometeu 17 mil > contratações até o final do mandato do presidente Lula. > > Tomara. Não dá para não torcer pelo país nesse campo em que só tomamos > lavadas. Não, pelo menos, diante do placar espantoso: 30.451 artigos > publicados em 2008, contra 19.436 no ano anterior. Um crescimento de > 56%. Fantástico. > > No fundo da mente, porém, ainda ressoavam alguns cascos. Talvez fossem > cavalos. Ou quem sabe outro tipo de equino? > > Aumento de 56% num único ano é muita coisa. Ainda mais numa atividade de > transformação tão lenta quanto a pesquisa científica. O tipo do dado que > aciona o detector de asneiras ("bullshit detector", como dizem os > americanos) de qualquer estatístico, até de colunistas ignorantes dos > meandros dessa disciplina cruel. > > Uma hipótese plausível para ajudar a explicar o desempenho que > entusiasmou o ministro é a de que tenha mudado a base utilizada para > medir a produtividade científica, da Web of Science. Uma consulta a sua > página na internet revela que a empresa proprietária (Thomson Reuters) > investe numa política de ampliar a abrangência dos periódicos indexados, > com a incorporação de mais de 1.200 títulos de relevância regional. > > Nesse processo, o Brasil foi um dos países que mais aumentaram sua > representação na Web of Science. De três dezenas de periódicos há dois > anos, contava no ano passado com 103 na base de dados. Mais revistas > científicas brasileiras acompanhadas, mais artigos nacionais. Aumentou a > rede, não necessariamente o cardume. > > A mudança da base, por outro lado, pode não explicar todo o avanço da > produção científica brasileira, o que só seria verificável com um exame > mais minucioso. Não invalida, tampouco, toda a excitação ministerial. A > simples inclusão de mais revistas brasileiras no radar bibliográfico > internacional por si própria já constitui uma boa notícia. > > A tentação de torcer por uma zebra é quase irresistível, não há dúvida. > Mas existem muito mais cavalos sobre a Terra do que pode sonhar a nossa > vã cienciometria. > (Folha de SP, 10/5) > FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/ > > > > > _______________________________________________ > Instruções para desiscrever-se por conta própria: > http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual > Bib_virtual mailing list > [email protected] > http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual > Maria Bernardete Martins Alves BibliotecᲩa"Servi篠de Acesso as Bases de Dados Online" UFSC/BU/BC E-mail: [email protected] Fone: (48)3721-9468 ---------------------------------------------------------------- This message was sent using IMP, the Internet Messaging Program. _______________________________________________ Instruções para desiscrever-se por conta própria: http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual Bib_virtual mailing list [email protected] http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual

