THE NEW YORK TIMES
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Trabalhar de graça para o Google? Não, muito obrigado
Ilustradores rejeitam oferta do site de publicar obras sem remuneração

Andrew Adam Newman

Quando os representantes do Google convidaram recentemente dezenas de 
artistas famosos para contribuir com trabalhos a serem expostos no 
navegador, a empresa vendeu a ideia como uma oportunidade para ter as 
obras de arte mostradas para milhões.

Alguns como Gary Taxali, contudo, não ficaram impressionados. Taxali, 
ilustrador que mora em Toronto cujo trabalho apareceu em publicações 
como Time, Newsweek e Fortune, recebeu uma ligação em abril de um 
integrante do departamento comercial do Google. Taxali diz que um 
representante do Google explicou que o projeto vai permitir que os 
usuários customizem as páginas do Google Chrome com temas criados por 
artistas.

– A primeira pergunta que fiz foi: "Qual é valor do trabalho?", recorda 
Taxali.

O ilustrador desistiu quando soube que o Google não ia pagar nada. Nas 
semanas posteriores, uma onda de indignação em relação ao Google se 
intensificou entre seus colegas, que ficam conectados por meio do site 
Drawger.

Num post para o Drawger no dia 28 de abril, Taxali expressou seu 
descontentamento com a proposta do Google e disse que algumas 
publicações em dificuldades estavam reduzindo os pagamentos dos 
ilustradores pela metade.

– Mando uma saudação especial que espero que o mantenha afastado, pois 
não preciso do seu trabalho – protesta Taxali, seguido do próprio 
desenho da mão fazendo um gesto popular com motoristas impacientes.

O post gerou mais de 200 respostas, muitas de outros ilustradores que 
também tinham rejeitado a oferta do Google, incluindo Joe Ciardiello, de 
Nova Jérsei, cujos desenhos de autores aparecem com frequência na capa 
do The New York Times Book Review.

– Se há alguém que possa pagar artistas e designers é uma empresa que 
lucra milhões de dólares – indignou-se Ciardiello, numa recente entrevista.

Só no primeiro trimestre desse ano, o Google divulgou lucros de US$ 1,42 
bilhão, um aumento de 8% em relação ao mesmo período no ano passado. Em 
comunicado, o Google esclarece que o projeto foi criado na sequência de 
outro desenvolvido para o iGoogle, uma página personalizada, onde 
artistas e empresas (incluindo Jeff Koons, Bob Dylan e Gucci) 
contribuíram com imagens para ser usadas na tela.

"Apesar de não oferecermos compensação monetária, por meio do feedback 
positivo que tivemos até o momento, acreditamos que esses projetos 
fornecem uma oportunidade única e animadora para artistas mostrarem suas 
obras para milhões de pessoas", contemporiza a nota do Google.

A exposição, contudo, não é novidade para os ilustradores, irritados com 
o fato de o Google pedir para eles trabalharem de graça só pela exposição.

– Fiz cartões de presentes para a Target que estão nas lojas em todo o 
país e animações para o Nickelodeon que passam 24 horas por dia em todo 
o mundo na TV a cabo – escreveu Melinda Beck, ilustradora do Brooklyn, 
em e-mail para o Google rejeitando a oferta. – Esses dois empregos eram 
de alto nível e deram a meu trabalho grande exposição, mas os dois 
clientes me pagaram.

Melinda estima que demoraria uma semana para criar obra de arte original 
de acordo com as especificações do Google. (Um porta-voz do buscador 
eletrônico disse que a empresa estava disposta a usar novamente trabalho 
de portfólios de artistas.)

Ao mesmo tempo em que algumas publicações online, como Salon e Slate, 
contratam ilustradores, muitas dependem de ilustrações catalogadas 
grátis ou baratas; então, os ilustradores enfrentam dificuldades para 
ganhar a vida na internet.

O fato de as publicações impressas estarem fechando ou reduzindo suas 
equipes também põe em risco os ilustradores.

– Há muita preocupação com o fato de os jornais e todas as publicações 
impressas estarem se tornando uma espécie em extinção – teoriza Brian 
Stauffer, ilustrador que fica em Miami cujo trabalho figura em 
publicações como Rolling Stone, Esquire e Entertainment Weekly, e que 
também rejeitou a oferta do Google. – Quando uma empresa como o Google 
se torna muito popular e espera que o mercado lhe dê obrax de arte de 
graça, isso abre um precedente muito perigoso.

O Google, apesar de ter sido rejeitado por mais de uma dezena de 
ilustradores, informou no comunicado que muitos aceitaram.

"Não nos sentimos confortáveis divulgando os nomes dos artistas que 
estão participando no projeto antes de ser lançado" justificou a 
empresa, que também se recusou a dar a data em que a obra de arte do 
programa apareceria no Google Chrome. "Estamos trabalhando com dezenas 
de artistas empolgados com a oportunidade de estarem envolvidos nesse 
projeto."

FONTE: 
http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/06/17/cultura/trabalhar_de_graca_para_o_google_nao_muito_obrigado.asp





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