Pesquisa FAPESP

Edição 162 - Agosto 2009
Notícias

O impacto global do SciELO

20/08/2009
Editorial da revista Science aponta a biblioteca eletrônica online como 
exemplo de difusão da produção científica de países em desenvolvimento




Em editorial intitulado "Globalizando a Publicação da Ciência", a edição da 
revista científica norte-americana Science que circula com a data de amanhã 
(21/08) elogia a atuação da biblioteca eletrônica SciELO (Scientific 
Electronic Library Online), criada no Brasil em 1998 pela FAPESP em parceria 
com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde 
(Bireme), e a aponta como um modelo de difusão da produção científica feita 
em países em desenvolvimento.

De acordo com o texto, assinado por Wieland Gever, professor emérito de 
bioquímica médica da Universidade do Cabo, na África do Sul e ex-presidente 
da Academia de Ciências da África do Sul, "esse sistema (SciELO) já revelou 
a existência de revistas e artigos científicos produzidos localmente que são 
altamente citados em revistas indexadas pela base de dados ISI (Institute 
for Scientific Information)", além de terem igualmente um grande impacto 
dentro da própria base de revistas do SciELO. O artigo na Science defende a 
ideia de que mais países não desenvolvidos, sobretudo os da África, deveriam 
optar por publicar suas revistas científicas no SciELO ou num sistema 
semelhante, escolha que provavelmente aumentaria a penetração mundial de 
seus periódicos científicos. "O editorial é um marco, um reconhecimento ao 
bom trabalho do SciELO", diz Abel Packer, coordenador operacional da 
biblioteca eletrônica.

Historicamente, a FAPESP tem contribuído, há mais de uma década, com cerca 
de 75% do investimento dedicado ao programa SciELO Brasil. Em 2009, a 
Fundação entrará com R$ 3,3 milhões dos R$ 4 milhões que serão gastos na 
iniciativa. A Bireme arcará com R$ 450 mil e o Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com R$ 250 mil. "O SciELO 
nasceu dentro da FAPESP, com apoio entusiasmado da direção", afirma Rogério 
Meneghini, coordenador científico da biblioteca eletrônica no Brasil. "Ele 
foi uma das primeiras iniciativas a implantar o modelo de acesso aberto a 
artigos científicos."

Para o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, os 
resultados do SciELO "têm sido exemplares e reconhecidos por observadores 
independentes de várias entidades estrangeiras". Brito Cruz afirma também 
que "as revistas que fazem parte do SciELO tiveram seus artigos mais citados 
internacionalmente, gerando com isso benefícios para o desenvolvimento 
científico em São Paulo e no Brasil".

Há 11 anos, quando entrou no ar, o SciELO iniciou sua história com 10 
revistas científicas, todas brasileiras. Atualmente o sistema conta com 637 
periódicos, em sua maioria ibero-americanos e dos quais 197 são do Brasil. O 
segundo país com mais títulos é o Chile (81 revistas) e o terceiro, a 
Argentina (54). Revistas de outras partes do mundo, como da Jamaica e da 
África, começam a entrar no sistema. "Hoje há 5 periódicos da África do Sul 
no SciELO, mas devemos ter 100 revistas deles nos próximos trés anos e 
também teremos um periódico da Itália em breve e outro do Oriente Médio na 
coleção temática de saúde pública" diz Packer. Essa estratégia de expansão 
geográfica dos títulos da biblioteca eletrônica "aumentou ainda mais o valor 
de toda a coleção, beneficiando todas as publicações envolvidas", comenta 
Brito.

O SciELO só indexa e publica revistas científicas que tenham periodicidade 
regular, trabalhem com o modelo de peer review (para serem aceitos, os 
artigos são submetidos ao processo de revisão por pares) e concordem em 
manter seu conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito. A coleção cobre 
revistas de todas as áreas científicas, embora algumas coleções nacionais, 
como a de Cuba e a da Espanha, tenham começado sua participação na projeto 
com títulos das ciências da saúde. Ainda hoje boa parte das revistas do 
sistema é da área médica, mas há publicações também das humanas e exatas.

Segundo Packer, a penetração global das revistas científicas brasileiras que 
entraram no SciELO é evidente. Em 2009, a média mensal de downloads de 
artigos da biblioteca eletrônica está em 9 milhões, com 100 países tendo 
apresentado mais de 2.500 acessos. "O fator de impacto das revistas 
brasileiras que estão indexadas na base de dados Web of Science (da empresa 
Thomson Reuters) e no SciELO desde o início teve aumento médio de mais 200% 
no período 1997-2008", afirma o coordenador operacional da biblioteca 
eletrônica.


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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasília/Dept. Ciência da Informação e Documentação
Campus Universitário
Brasília, DF  70900-910 Brasil
blog: http://a-informacao.blogspot.com/ 


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