OS QUATRO MOMENTOS DE UM PROCESSO DE INOVAÇÃO
O tema inovação tem tido vasto uso, pois traz a
projetos, conferências e textos a sedução do
novo, coisa apreciada em tempos em que os
originais são poucos e muito são as cópias.
Ao falar de inovação seria conveniente lembrar
que esta palavra traz um sentido de ação em um
processo completo que vai do surgimento de um
fato ou idéia até a aceitação deste por uma
comunidade. Este grupo de pessoas é que vai
decidir se aceita ou rejeita uma coisa nova que
pode estar substituindo um similar já existente.
Ao aceitar o novo existe uma crença compartilhada
de que isto trará um acréscimo ao bem estar de
todos. O processo em si tem quatro etapas principais.
Ao momento inicial chamamos de antecedentes
contextuais remotos. Podem representar um
conhecimento que foi sendo formado no tempo para
se transformar em inovação. Um mecanismo forjado
para servir aqui, mas que se completou para
distinta intenção e seguiu outro caminho. As
conjunções remotas moldam o mundo já vivido com a
perspectiva da sociedade quando em situações concretas de vida.
O segundo momento no processo de inovação seriam
as configurações contextuais imediatas, coisas
como: infraestrutura educacional, estrutura de
pesquisa e desenvolvimento instituída, estrutura
existente para engenheirar coisas, um sistema de
informação operacional e uma vontade política que
coincida com a vontade econômica.
O terceiro momento seria o de assimilação do
conhecimento novo pelos habitantes de um
determinado espaço. O quarto momento, o mais
importante, é o momento de decisão: aceitação ou
rejeição. Quando da aceitação é, também, o momento de adoção da inovação.
Houve uma aquisição de conhecimento e um
julgamento de valor nos momentos anteriores. A
adoção encaminha a implantação e o uso da
inovação; uma aceitação para adoção implica na
criação de conhecimento que permite reinovar o
novo adaptando-o a condições contextuais harmoniosas.
É necessário lembrar que inovação não é sinônimo
de nova tecnologia. A nova tecnologia representa
uma sucessão de novos eventos coesos e em
conjunção com técnicas e processos com uma
intenção de transformação. Quando comparada a
inovação é uma configuração estática. Já
a inovação é a aceitação com assimilação de
conhecimento e ações de implantação da tecnologia
pelos habitantes de um determinado espaço social. Mostra uma condição dinâmica.
Neste quadro é a informação livre que melhora o
homem e sua realidade. Se a introdução da
novidade não abrange um espaço, por qualquer
razão, que não seja o livre arbítrio de seus
habitantes, ela não acontece. De nada adianta uma
luz se ela não brilha ali. Só em convivência se
decide e aceita a introdução da novidade.
Disponibilizar o acesso á informação para um
conhecimento em rede disponível para todos têm
sido o sonho de grande número de pessoas e seus
instrumentos. Da prisão dos conteúdos nos muros
medievais dos mosteiros copistas até realidade da
web muitas pessoas e mecanismos se agregaram para
este fim. A intenção de rede vem de muito longe e
foi por vezes governada pelo imponderável.
Assim, Francis Bacon em 1579 intuiu que as
inovações trazidas para a criptografia dos
conteúdos seria o futuro das máquinas
inteligentes do século XX. Em seus escritos a
palavra informação expressava "intelligence".
Ele propôs a formação de times de cientistas, os
doze "Mercadores da Luz" com a missão de
percorrer o mundo a procura de livros de resumo
em ciência e tecnologia e modelo de protótipos.
As inovações propostas por Bacon se
materializaram, em parte, em 1662 com a ajuda da
Royal Society de Londres, com fomento dos comerciantes locais.
Gottfried Leibnitz expondo em 1703 o mecanismo de
redução dos números reais a 0 e 1 propõe uma
máquina de calcular que reunia as características
essenciais do calculo binário, o fundamento da
atual arquitetura computacional, mas a máquina
não foi adotada. As condições econômicas e as
tecnologias estabelecidas a rejeitaram. A
mão-de-obra envolvida em sua construção seria
maior que o trabalho economizado com sua
utilização e manutenção. Naquele momento
complexidade e incerteza eram palavras sinônimas
Em 1819, Charles Babbage usando os conceitos de
divisão do trabalho de Adam Smith (1776) constrói
o protótipo que possibilitará uma inovação para
troca de informação em rede que desembocaria mais
tarde na web de Timothy Bernes-Lee em 1991. Cerca
de 500 anos em que uma inovação foi se
construindo com diferentes intenções. O objetivo
de Babbage era ajudar as grandes companhias de
seguro em seus cálculos atuariais para um melhor
faturamento. Na sua distribuição a informação
contou primeiro com a agilização criada pelo
telégrafo elétrico em 1837 cuja intenção inicial
ao distribuir a informação era servir ao aparato de guerra.
O monge agostiniano Gregor Mendell em 1865
formula e apresenta as suas idéias em dois
encontros da Sociedade de História Natural de
Brno, na atual República Checa, eram as suas leis
da genética, que regem a transmissão dos
caracteres hereditários. As suas descobertas
permaneceram praticamente ignoradas até o início
do século XX quando foram citadas e publicadas.
Estas leis da genética que possibilitaram a
compreensão e análise do DNA, por motivos
imponderáveis, ficaram ocultas atrasando talvez
em quase cinquenta anos o tratamento e a cura de
tantas aflições. Esta barreira à inovação foi,
também, um problema de organização da informação
e tão forte foi esta sensação em Vannevar Bush
que este quis elaborar uma máquina para lidar com
o controle dos documentos. A máquina Memex nunca
foi produzida, mas o seu famoso artigo escrito
em 1945 deu início a uma nova ciência para a
informação. Uma ciência que viria a estudar as
tecnologias e as redes de distribuição do saber.
Um encadeamento novelístico de séculos para gerar a grande inovação.
O processo de inovação agrega para a sua
efetivação diversas intenções. De todas a mais
admirável é melhoria do status do homem e seu
contexto. E tudo isso acontece, pois nada envelhece mais rápido que o novo.
Aldo de A. Barreto
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Referências:
- A história da sociedade da informação de Armand
Mattelart, Edições Loyola 2006
Francis Bcon
http://en.wikipedia.org/wiki/New_Atlantis
Gottfried Leibniz
http://en.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Leibniz#Information_technology
Charles Babbage
http://tinyurl.com/yj8rmkb
Timothy "Tim" Berners-Lee
http://es.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee
O início do telégrafo elétrico
http://tinyurl.com/yj8rmkb
Gregor Mendell
http://es.wikipedia.org/wiki/Gregor_Mendel
Vannevar Bush
http://es.wikipedia.org/wiki/Vannevar_Bush
As We May Think (o efeito Mendel/Bush)
http://www.theatlantic.com/doc/194507/bush
também em http://avoantes.blogspot.com/
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