São Paulo, sábado, 03 de abril de 2010  
 

No Brasil, há resistência ao formato e ao preço de leitores digitais 

É preciso digitalizar mais títulos em português; nos EUA, venda é crescente 
 
FABIO VICTOR
DA REPORTAGEM LOCAL 
 
Editores e livreiros que foram ao 1º Congresso Internacional do Livro Digital, 
encerrado na quarta, em São Paulo, saíram com quase tantas incertezas quanto 
entraram. Em três dias de palestras, pouca informação foi agregada à 
constatação de que algo vai mudar no setor, mas não se sabe quando nem como. A 
única certeza: no Brasil não é para já.
Além do preço elevado dos leitores eletrônicos, todos importados, e da escassa 
disponibilidade de títulos em português, não há estatísticas sobre o mercado 
nacional.
Um tímido passo foi dado com a apresentação de uma pesquisa qualitativa, 
encomendada pela Câmara Brasileira do Livro e pela Imprensa Oficial de SP ao 
Observatório do Livro, sobre a expectativa do leitor convencional sobre o livro 
digital. Em entrevistas com grupos de leitores das classes A e B em São Paulo, 
Rio, Porto Alegre e Recife, constatou-se que há resistência ao formato e ao 
atual preço dos leitores eletrônicos.

O preço tido como aceitável de um e-reader variou de R$ 1.500 (SP) a R$ 300 
(Recife). Por um e-book, os grupos disseram topar pagar 1/4 do valor de capa de 
um livro normal.
Dois convidados americanos (representando a Barnes & Noble e o IDPF, fórum 
internacional de publicações digitais) apresentaram números do mercado dos EUA, 
o mais desenvolvido. Segundo dados da associação de editoras, as vendas de 
livros eletrônicos em 2009 somaram US$ 165,8 milhões, contra US$ 53,5 milhões 
em 2008, aumento de 213%.
O diretor do IDPF, Michael Smith, avaliou que a negociação de preços que a Kobo 
(fabricante de um e-reader "popular") fará em breve com editoras americanas 
"vai mudar para sempre" o mercado. E disse que, para popularizar o modelo no 
Brasil, é necessário digitalizar mais títulos em português.

Ocorre que, no congresso, quase nada se falou sobre como passar o conteúdo do 
papel para o meio digital, tema crucial. Em vez disso, convidados 
internacionais repisaram a tese de que o mercado editorial precisa aproveitar o 
potencial da internet e das redes sociais.
O presidente da Feira de Frankfurt, Juergen Boos, afirmou que, "com a internet 
dando a todos a chance de publicar livros, a seleção de conteúdo passa a ser um 
diferencial maior" e conclamou os empresários a usar a rede para descobrir o 
perfil dos usuários.
"Não é para ficarmos apavorados. Nesse aspecto, o congresso foi positivo. Mas, 
quando formos começar a fazer, como vamos operacionalizar? Isso faltou 
mostrar", resumiu Luís Fernando Araújo, da editora Artes e Ofícios (PA).
 

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