Livros digitais baratos mexem com o mercado editorial
Jeffrey A. Trachtenberg
The Wall Street Journal

Nos Estados Unidos, é cada vez maior a dificuldade de grandes editores de
livros para seguir cobrando o que cobram na frente digital. É que títulos
digitais baratos, publicados de forma independente, ganham popularidade
entre leitores em busca de diversão a baixo custo.

Na terça-feira à tarde, a lista dos 60 títulos digitais mais vendidos da
Amazon.com Inc. trazia 17 livros por US$ 5 ou menos. Cinco deles, todos a
US$ 0,99, eram do empresário John Locke, um escritor amador com uma série
popular de policiais protagonizada por um ex-matador da CIA.

"O que estão fazendo é afastar [o público] de autores renomados e criar
visibilidade para títulos bancados pelo próprio autor", disse um alto
executivo do setor (que não quis ser identificado) a propósito da Amazon.

Enquanto a venda de livros digitais dispara, as editoras olham com
inquietude para o mercado até então desprezado de títulos de publicação
independente. Cinco anos atrás, era quase impossível que um título bancado
pelo autor fosse dividir as prateleiras com os maiores nomes do mercado.
Hoje, porém, o baixo custo da divulgação digital, aliado ao Twitter e a
outras ferramentas de rede social, permite que autores até então
desconhecidos tenham impacto mais depressa do que nunca.

A questão do preço chama atenção desde que a Amazon lançou o leitor digital
Kindle, em novembro de 2007. O dispositivo estourou, puxado pelo grande
apelo de best-sellers digitais a US$ 9,99 colocados à venda no mesmo dia do
lançamento de um novo livro.

As seis maiores editoras dos EUA, cada vez mais receosas de que o desconto
em livros digitais fosse corroer seu negócio tradicional, acabaram adotando
o chamado modelo de agência: passaram a estipular elas próprias o preço de
varejo dos títulos digitais, eliminando na prática descontos indesejados.
Muitos de seus best-sellers para o Kindle custavam, na quarta, entre US$
11,99 e US$ 14,99.

Algumas editoras vendem seus livros a preço de atacado para a Amazon,
permitindo que ela ofereça um desconto em relação ao preço de varejo.
Segundo a Amazon, seus estudos indicam que a venda de unidades de títulos
digitais de editoras que adotam o modelo de agência não está crescendo ao
mesmo ritmo de livros que a Amazon pode vender com desconto.

Hoje, o livro enfrenta a concorrência de uma leva de alternativas digitais
e baratas de entretenimento facilmente acessadas ??por tablets —
alternativas inexistentes em aparelhos exclusivos para leitura digital. Na
briga pelo tempo do público, as editoras batem de frente com a Netflix
Inc., que cobra uma mensalidade de US$ 7,99 pelo acesso ilimitado a filmes
e séries de TV na internet, e a loja iTunes da Apple Inc., onde por US$
0,99 é possível alugar um episódio de uma série de TV.

Isso tudo ajudou a puxar as vendas de John Locke, o autor de policiais.
Locke, que lançou seu primeiro título dois anos atrás, aos 58 anos, diz que
decidiu entrar na arena do livro digital em março de 2010, depois de
estudar os preços do setor.

"Quando vi autores de grande sucesso cobrando US$ 9,99 por um livro
digital, calculei que se pudesse ter lucro cobrando US$ 0,99 já não teria
de provar que sou tão bom quanto eles", diz Locke. "Agora são eles que
precisam provar que são dez vezes melhores do que eu."

Locke ganha US$ 0,35 a cada título vendido a US$ 0,99. No total, diz que
sua receita da venda de livros em março foi de US$ 126.000 só na Amazon.
Locke gastou cerca de US$ 1.000 para publicar o livro digitalmente — embora
também pague um editor para trabalhar com ele, uma despesa adicional.

Em março, Locke vendeu 369.000 downloads na Amazon. Em janeiro, foram cerca
de 75.000 e, em novembro, apenas 1.300. Seus títulos também estão à venda
em livrarias digitais operadas por Kobo Inc., Barnes & Noble Inc. e Apple
Inc.

Locke tem mais de 20.000 seguidores no Twitter, usa um blog para promover
seus livros, e responde pessoalmente a centenas de e-mails por semana. "É
tudo questão de marketing, mas [o público] precisa gostar" de seu livro,
diz ele.

A Amazon paga a todo escritor que usa o Kindle Direct Publishing, o serviço
de publicação independente da varejista, royalties de 35% em títulos
digitais abaixo de US$ 2,99,e de 70% em e-books com preços entre US$ 2,99 e
US$ 9,99.
FONTE:
http://online.wsj.com/article/SB130515536232715281.html?mod=WSJP_inicio_MiddleTop
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