Caros amigos Celestino e Roberto:
Li com atenção os depoimentos do livro citado por vc, Celestino. Havia comprado 
ele no auditório da Federacite na Expointer alguns anos atrás.
O livro é uma excelente coletânea de depoimentos, com erros e acertos. E nada 
melhor do que podermos ver a prática acontecendo, seja ela boa ou má, até 
porque nos erros aprendemos muito mais do que nos acertos.
Tambem reconheço a qualidade da carne angus. O açougue que possui essa carne 
com fornecedor habitual, forma fila para a venda, pois a sua qualidade é muito 
boa.
Alguns anos atrás, engajamo-nos num projeto de qualidade de carne, numa 
parceria entre a Associação de Criadores de Angus e o Frigorífico Mercosul. A 
proposta era muito boa. Diferencial de até 7% no valor da carne, em relação ao 
mercado.
Parece piada o que aconteceu. A turma rouba com as mãos abertas. O Macedo ( 
hoje presidente do Mercosul ), numa das reuniões, pediu para que a gente 
ensinasse os peões a marcar o gado em partes que não prejudicassem o 
aproveitamento do couro. Aproveitei a oportunidade que ele mencionou a palavra 
"couro", e perguntei quanto o frigorífico iria pagar a mais por esse couro sem 
marca e sem furo por causa dos bernes! A resposta foi hilária: Disse ele: "O 
produtor tem que ter consciência que primeiro é preciso agregar valor, para 
depois pensar em remuneração" Os caras são muitos vivos. Acompanhei o abate, e 
depois lendo no romaneio, vi que do lote de 50 bois que enviei, 10 deles 
mereceram o "premio" de 7%, 25 deles não receberam nenhum prêmio, porque tinham 
pequenos defeitos. E 15 bois tiveram redução de 10% no preço porque tratavam-se 
de "gado não-angus".
Protestei junto à Associação, mas não teve jeito. No dia do abate não havia 
nenhum técnico no frigorífico e, portanto, nenhum fiscal para contestar o laudo.
Diante disso, voltamos para a venda tradicional, reunindo os compradores e 
conseguindo o melhor preço.

Indiscutivelmente, não vemos como fazer cria na fazenda. Para eu poder acabar 
600 bois ou novilhas, preciso ter 800 matrizes. Com o preço que hoje é 
praticado, não há nenhuma possibilidade de fazer a cria, principalmente porque 
a matriz ocuparia o lugar dos terneiros em terminação.

Roberto, os seus dados são interessantes, mas gostaria de colocar uma pergunta, 
desculpe a dúvida, mas estou dando os primeiros passos na bubalinocultura e 
acho que vcs poderão me esclarecer:

1) A carne do búfalo é comercializada em setores segmentados? Direto aos 
compradores que querem especificamente essa carne? Ou é vendido ao mesmo 
frigorífico que compra boi ?
2) Ouço falar em baby-beef, e outros cortes diferenciados, mas parece difícil 
colocar um lote grande de búfalos, com esses cortes específicos. Como é a 
realidade do mercado de compra e venda de carne de búfalo ?
3) Mercado fornecedor de Terneiros com 180 kg, como funciona ? Aqui no RS, se 
quisermos comprar dentro de 1 ano, 600 terneiros, encontraremos fornecedores ?
4) É possível criar no mesmo piquete bois e búfalos ?

Sei que novas dúvidas virão, mas essas é as que ocupam meus pensamentos nos 
últimos tempos.

Saudações

Luciano Kaefer
[EMAIL PROTECTED]
Porto Alegre RS
  ----- Original Message ----- 
  From: Farming 
  To: [email protected] 
  Sent: Thursday, September 22, 2005 11:37 AM
  Subject: RES: [bufalos] Voisin


  Amigo Luciano,

  Fico animado pela possibilidade de acompanharmos mesmo que à distância o seu
  possível e "breve" engajamento na criação de búfalos com a mesma competência
  que podemos inferir da súmula descritiva do seu projeto com Angus.

  Para estimulá-lo a tanto, republico parte da tabela do controle ponderal dos
  jafas da BV recentemente divulgada em outra discussão pelo Jonas Assumpção:

  90 dias ----------- 167 k----------- 1.522 g/d
  150 dias ---------- 228 k-----------1.320g/d
  210 dias ---------- 275 k------------1.167g/d

  Como você fala em dois tombos de 4 meses cada iniciados com terneiros de 180
  kg, eu fico imaginando que no mesmo sistema de manejo os terneiros búfalos
  desmamados com 275 kg aos 210 dias deverão estar terminados ao fim dos
  primeiros 4 meses.

  Tenho a expectativa de que semelhantemente ao Angus de 500 kg produzido em
  mais ou menos 15 meses (7 até o desmame e 8 nos tombos) que atende
  perfeitamente a qualidade máxima exigida pelo mercado, o búfalo de 12 meses
  com esse peso deve ter uma carcaça absolutamente dentro do padrão do "baby
  búfalo", assegurando uma carne  mais dirigida para o segmento light, mas
  igualmente com ótimo valor agregado.

  Um abraço,

  Roberto T.P. de Mesquita
  [EMAIL PROTECTED]
  http://www.gim-magazine.com.br/farming.html
  Itupeva-SP
       



  -----Mensagem original-----
  De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome
  de Luciano Kaefer
  Enviada em: quarta-feira, 21 de setembro de 2005 18:27
  Para: [email protected]
  Assunto: [bufalos] Voisin

  Prezados amigos Otávio, Sorio, Roberto, Celestino e demais membros da lista;
  Permitam-me chama-los de "amigos", pois assim me considero depois de tão
  afetuosa acolhina em seu meio.
  Cabe uma retificação. Ainda não sou criador de Bufalos. A fazenda que
  possuimos, cria à mais de 30 anos, a raça Angus. Fazemos ciclo completo.
  Cria, recria e engorda.
  Durante muito tempo a pecuária foi vista como um apêndice da agricultura,
  onde a família desenvolve seu trabalho em área bem maior da que trabalhamos.
  São duas fazendas. Uma voltada para a produção de sementes de Arroz ( sendo
  o carro chefe a semente Clearfield, da BASF ( recentemente desenvolvida a
  partir de um cultivar Irga)).
  Na fazenda que trabalhamos, eu e minha esposa, resolvemos trabalhar sério e
  destinar todo o nosso tempo à pesquisa e implantação de técnicas que nos
  ofereçam uma maior rentabilidade na pecuária.
  Por insistência minha, fizemos 1 célula de 10 ha, destinado ao pastejo
  rotacionado. Plantamos no inverno Aveia + Azevem e colocamos uma lotação de
  5 bois por hectares. Um lote, portando de 50 bois. Desde o início no
  pastoreio, até o final ( 4 meses ), tivemos os resultados de 1.190g/dia/boi.
  Somente com pastagens. Nenhum tipo de complementação no cocho.
  O resultado foi tão animador, que estendemos para mais 80 ha o mesmo
  procedimento do Voisin.
  Neste inverno, tivemos que conviver com o inesperado: Calor fora de época no
  inverno. Isso fez com que a aveia apurasse o seu desenvolvimento. Sabemos
  que não pode haver sementação da aveia, mas isso ocorreu devido ao  forte
  calor.
  Diante disso, o gado pastava onde a aveia já havia sementado, comprometendo
  o rebrote para o próximo ciclo.
  Sempre deixei claro, que há a necessidade de reserva de alimento, para, no
  caso dos piquetes não estarem em condições de uso no novo ciclo, lançar mão
  desse alimento, durante um período que vai se estabelecer a partir da
  necessidade de suplementação no cocho.
  Sabemos, Sorio, que o custo da silagem é alto, mas ele é o fiel da balança.
  Quando não tivermos disponibilidade de pastos, lançamos mão desse recurso,
  que embora caro, garante a funcionalidade do sistema Voisin.

  Sinceramente amigos, depois de experimentado o sistema Voisin, lido diversos
  livros do nosso mestre e incentivador Getulio Marcantônio, não podemos
  voltar atrás. O sistema Voisin veio para ficar.
  Os adeptos da pecuária extensiva que me perdoem, mas no extensivo, a campo,
  só posso colocar 1 UA/ha. No Voisin coloco 5. Sei que alguém vai me dizer
  que no Voisin temos que considerar o custo da silagem. Consideremos então.
  Vamos imaginar que o custo seja de 1 UA/ha. Isso significa dizer que ainda
  conseguimos colocar 4 bois em cada hectare, contra apenas 1 no sistema
  extensivo.
  Mesmo para quem tem grandes extensões vale a pena. Quem tiver 1.000 ha, pode
  manter 5.000 cabeças em cima, contra 1.000 cabeças do sistema extensivo. São
  apenas 4.000 cabeças à mais.

  Para nós não tem volta. É Voisin daqui para a frente.
  No preâmbulo de meu e-mail, falei que tinhamos ciclo completo da raça Angus.
  Estamos num momento de transição. Temos ainda 100 matrizes e 60 novilhas da
  melhor qualidade, mas estamos vendendo como reprodutoras. 
  No seu lugar, estamos colocando terneiros adquiridos com 180 kg em média.
  Com dois tombos, um no verão e outro no inverno próximo, considerando 4
  meses de pastoreio em cada período , aprontamos esses terneiros com 500 kg
  nesse período.
  Esses dados não são ilusórios, nem de prancheta. São resultados obtidos e
  medidos em nossa balança digital, com peso atribuido à cada animal
  individualmente.
  Comprei em abril, 170 terneiros num remate aqui perto de POA. Em 53 dias de
  pastejo rotacionado, a média de ganho diaria/cabeça, foi de 1650g.
  Resultados que só nos mostram que estamos no caminho certo.

  Alguns ítens tem que ser revistos. O número de piquetes tem que ser maior
  para cada célula. Temos que ter alimento para dar no cocho durante o vazio
  entre um ciclo e outro.
  Hoje passei a tarde correndo engenhos de arroz, em busca de resíduos da
  limpeza de arroz, mas não tiver sucesso. Ninguém tem nada para vender a
  preços compatíveis e viáveis. Se alguém tiver uma dica, pode escrever que as
  sugestões estão sendo procuradas uma a uma.

  No mais, gostaria de agradecer a grande acolhida e dar uma sugestão ao
  Moderador do Grupo: Que sugira aos membros, que embaixo de cada nome do
  participante, conste o e-mail pessoal e a cidade que reside, para que
  possamos identificar mais facilmente e quem sabe, estreitar laços de amizade
  que tão necessário são nesse momento de agonia da pecuária.
  De mãos dadas somos mais fortes. Lembrando um ditado: Se o elefante soubesse
  a força que tem, ele seria o dono do circo.
  Cordiais saudações. 

  Luciano Kaefer
  [EMAIL PROTECTED]
  Porto Alegre RS


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