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"Não se Sabe o que a Natureza
pode…" — O ataque aos milagres por parte dos racionalistas e modernistas foi
acirrado neste front. E ridiculamente preconceituoso.
Desvairava o famoso filósofo holandês e sefardita (assim chamados os judeus espanhóis expulsos da Espanha), Spinoza (1632-1677): *** "Que me seja permitido perguntar se nós pobres humanos temos um tal conhecimento da natureza que permita determinar aonde chega sua força ou seu poder, e o que possa superá-la. E porque ninguém, sem arrogância, poderia avançar semelhante pretenS., não fica senão tentar explicar, deposto todo orgulho, os acontecimentos prodigiosos por meio de causas naturais, enquanto possível; para aqueles que não possamos explicar ou demonstrar absurdos, bastará suspender nosso juízo e edificar a religião sobre a doutrina da sabedoria somente"25. — Ora, sem os milagres, sobre que sabedoria poderia aceitar-se uma Revelação divina ou seja lá de quem for? Os milagres seriam a assinatura de quem revelasse. A Revelação, a respeito de temas que em si mesmos transcendem nossa capacidade de pesquisa, seria fundamentada então unicamente sobre o critério humano? Isso não garantiria e na realidade nem seria Revelação. Isso não seria fé na autoridade de quem revelou. Acreditar sem milagres numa suposta Revelação sem assinatura, possivelmente então meramente inventada pelos homens, seria irracional, inumano, infantil. Esse "humilde" desvario de Spinoza contra o próprio conceito de milagre transformava-se em arrogância um século mais tarde. O ex-protestante convertido ao catolicismo, o filósofo suíço-francês Rousseau (1712-1778), agitado sempre sem deixar de ser profundo muitas vezes, escrevia uma vez bem simploriamente: *** "Mas quem é o mortal que conhece todas as leis da natureza? (…) Os milagres S. as provas dos simples, para os quais as leis da natureza formam um cerco estreitíssimo em torno de si. Mas a esfera se alarga à medida que os seres humanos se instruem e sentem quanto lhes falta por saber. O grande físico vê tão longínquos os confins desta esfera, que não saberia discernir um milagre fora dela. ‘Isto não se pode’, é uma expresS. que sai raramente da boca dos doutos; eles dizem mais freqüentemente ‘não sei’."26 E como os preconceitos facilmente arrastam os preconceituosos Anatole France (é que já então também os romancistas, como os cantores e artistas da TV de hoje, viraram autoridade em todas as especialidades, inclusive nos milagres?!) teve a insensatez de repetir no fim do século XIX: *** "O milagre (…) não se sabe que coisa seja, porque ninguém conhece as leis da natureza. Não somente um filósofo jamais viu um milagre (?!), senão que é incapaz de vê-lo (?!). Se colocassem à mostra perante eles as aparências mais extraordinárias, todos os taumaturgos perderiam seu tempo. Observando todos estes fatos maravilhosos, não se ocupariam senão de cercar-lhes as leis; e se não as descobrissem se limitariam a dizer: ‘Nossos repertórios de física e de química S. muito incompletos’."27 E assim, acusando de pretensiosos aos defensores do milagre que estudaram como cientistas, pois a eles correspondem, os fatos supranormais, os modernistas caem numa pretenS. realmente estúpida: *** "Para constatar um milagre (…) precisar-se-iam conhecer todas as leis (da natureza), como também todas as condições do fenômeno observado. Quem ousaria ter uma tal pretenS.?"28. — Com tal relativismo absurdo, o próprio Dantec teria podido chegar a alguma concluS.? Se tivesse exigido a si mesmo tal conhecimento de todas as leis e de todas as condições, poderia lecionar qualquer coisa nas suas aulas de biologia no Instituto Pasteur de Paris? — Seria muito fácil, antes de mais nada, retorcer o argumento contra os próprios que o aduzem. Precisamente porque não se conhecem todas as forças da natureza, não se tem o direito de garantir que a elas se devem estes efeitos prodigiosos. — Os modernistas reconhecem o desconhecimento humano, e com essa confisS. logicamente não deveriam atrever-se a negar o sobrenatural. E muito menos os fatos "maravilhosos" como tais. — A contradição em que terminam por cair Spinoza, Saintyves, Bultmann etc. etc. quem não a vê, se não fosse pela absurda cegueira do preconceito e, atrás deles, pela cegueira de todos os seus seguidores modernistas? Por um lado pressupõem aprioristicamente que a natureza é pouco menos que onipotente (oh, as forças da natureza!), e não obstante por outro lado negam a historicidade, negam a possibilidade de ação ao realmente Onipotente e Autor da natureza. Negam a possibilidade dos milagres do Antigo e do Novo Testamento e de todos os milagres posteriores. Como fatos supranormais: precisamente por "prodígios", "milagres", têm de ser mitos… A natureza pode qualquer prodígio, Deus nenhum! Na expresS. de Spinoza, se pudesse acreditar na revitalização de Lázaro por Deus, teria de renunciar a toda sua filosofia… "… Mas se sabe o que não pode" — Desprezados hoje pelos modernistas, muitos manuais de apologética, de teologia fundamental, e mesmo de filosofia escolásticas apoiando-se também nas ciências de observação, apelavam com razão para um "não se sabe o que a natureza pode, mas se sabe o que não pode". Escreve com lógica irretorquível o pe. Riaza, meu saudoso e muito estimado professor na Universidade de Comillas (Espanha): "As forças da natureza podem ser-nos desconhecidas no seu limite positivo, isto é, podemos ignorar até onde chegam positivamente. Não obstante, negativamente podemos saber com certeza até onde não chegam. Pode acontecer que não seja possível marcar com preciS. matemática o limite entre duas nações; não obstante, todos sabem com certeza que a França não chega até Roma. No espectro luminoso não poderemos marcar com exatidão onde termina uma cor e começa outra; ninguém negará, porém, que podemos diferenciar com certeza as diversas cores"29. Se fosse necessário conhecer todas as forças ou leis da natureza para poder diagnosticar o milagre, acabar-se-iam também com todas as ciências positivas. Os cientistas não poderiam afirmar nem negar nada. Quando um biólogo, por exemplo, afirmasse que a altura máxima do ser humano atual é pouco superior aos dois metros; ou quando um biólogo negasse categoricamente que alguém tenha quatro metros; os modernistas, com o mesmo grau de estupidez que mostram ao falar dos milagres, poderiam objetar: como não se conhecem todas as leis da natureza, pode acontecer que em alguma parte do mundo existam homens com a altura da Torre Eiffel, isso seria muito natural… "Aquela resposta do incrédulo não só é estúpida, senão que contém implicitamente mais absurdos. Atribui às coisas uma natureza contrária à que de fato têm; ao menos não contingente e limitada. Supõe que, permanecendo as coisas aquelas que S., possam produzir efeitos superiores ou contrários à sua capacidade. Se alguém nos viesse a dizer que das pedras brotam flores, ou que as árvores caminham e pensam, acreditaríamos certamente que estávamos a ter com um doido. Tanto é absurdo o que se diz e em contradição com a natureza das pedras e das árvores. Pois quem atribuísse a ressurreição (revitalização é aqui o termo apropriado) de um morto despedaçado às forças da natureza não diria um absurdo menor."30 Muito antes já apresentava o mesmo argumento Santo Agostinho contra os "modernistas" da sua época: "Todo o curso da natureza tem suas leis certas naturais (…) Os elementos deste mundo corpóreo têm um poder definido e uma definida qualidade, pelos quais se determina aquilo para o que valem e para o que não valem, o que podem e o que não podem (…) É por este motivo que do grão de trigo não nasce a fava, nem da fava o trigo; do animal não nasce o homem, nem do homem o animal"31. Se, portanto, alguma vez de um simples e desembaraçado grão de trigo surgisse um arbusto de favas, certamente não seria pelas forças da natureza, haveria que deduzir, com certeza, que embora invisível lá interveio uma outra força, superior. Basta uma Lei — Não se conhecem todas as forças ou leis da natureza, mas em muitos casos concretos basta conhecer algumas leis concretas para saber o que a natureza não pode. Não sabemos, por exemplo, por quanto tempo a natureza e a ciência poderão manter distante o momento da morte, mas sabemos sem lugar a dúvidas que, segundo uma lei física universal e necessária, a natureza, nem espontaneamente nem com a ciência humana, não pode fazer que um morto retorne à vida. Não conhecemos todas as leis da natureza, mas sabemos com certeza que por uma lei universal e necessária, a natureza, nem espontânea nem artificialmente, não pode fazer que uma chaga inveterada sare imediatamente. E muitíssimas outras leis. Já no século XVII o grande sábio Blásio Pascal, matemático, físico e filósofo, convertido do jansenismo ao catolicismo precisamente pelos milagres que observou e estudou, dedicou amplas páginas32 a provar e explicar a irretorquível concluS.: "O milagre é um efeito que excede a força natural dos meios que se empregam; e não-milagre é um efeito que não excede a força natural dos meios". É evidente que em determinados casos concretos o cientista pode determinar com exatidão os meios empregados, e portanto, se surgisse um milagre, poderia deduzir com certeza que interveio outra força, sobrenatural (supranormal). Pode bastar uma única lei bem conhecida… "Não é necessário conhecer todas as leis da nação, nem todos os artigos do código, para afirmar com certeza que o homicídio voluntário constitui uma infração da lei (aproveitemos a analogia embora o milagre não seja infração, senão outra força…); também não é necessário conhecer todos os recursos da natureza para saber que com um pouco de saliva não se cura um cego de nascença, e que com uma simples palavra não se faz sair do sepulcro um cadáver". Por exemplo com a Água33 — Se para obter da água o hidrogênio e o oxigênio, que S. seus elementos constitutivos, é necessário ao menos a ação da corrente elétrica e um determinado tempo, não sabemos calcular quanto tempo se precisaria e quantos maiores esforços seriam necessários para transformar água em vinho, que não está incluído nas possibilidades imediatas dela. A ciência moderna, após as pesquisas do grande físico inglês Lorde Rutherford, em 1919, conhece a química das transformações. Rutherford bombardeou com raios alfa nitrogênio e oxigênio puros. Sob o intenso bombardeio os núcleos do nitrogênio e do oxigênio se desintegraram, sendo expulsos do azoto os núcleos atômicos de hidrogênio do nitrogênio. Em 1934 Frederico e Irene Jolliot-Curie bombardearam alumínio com raios alfa de polônio radioativo, e os átomos de alumínio se transformaram em fósforo, ficando também radioativos. Mas nas Bodas de Caná, evidentemente Jesus não dispunha desses grandes e complicados instrumentos… Sabemos com certeza que uma simples palavra não transforma instantaneamente uma grande quantidade de água em igual quantidade de excelente vinho. Para isso é preciso outra força… [continua]
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