A Parapsicologia o explicaria? — Há um fenômeno parapsicológico chamado DOP (Dermo Optical Perception), ou "ViS. paraótica", ou "ViS. cutânea", pelo qual alguns psíquicos (ou doentes histeroparapsicológicos) podem "ver", inclusive habitualmente, pelas pontas dos dedos, pelas maçãs do rosto, por qualquer parte do corpo. A ciência moderna, aliás, não encontra diferença absoluta entre a onda luminosa que atinge o cérebro por intermédio da retina e a onda táctil que atinge o cérebro por intermédio de outras partes do sistema nervoso. Explico detalhadamente o fenômeno DOP em "A Face Oculta da Mente"44.

Extraordinário Caso Parapsicológico — Escreve um eminente oculista londrino: "Conversava com o sr. J. Goodfield, quando ele, retirando seus óculos de lentes pretas, disse-me: ‘Perdi meus olhos, como o senhor mesmo pode ver, e no entanto não existe mais escuridão para mim. Posso andar por todas as partes sem nenhum auxílio’. ‘Bem — respondi — já que o senhor pode ver com a vista metapsíquica (parapsicológica: DOP), diga como é que sou’. O cego respondeu-me: ‘É rosado, um pouco mais louro que moreno, entre os dois. Seus olhos S. azuis e usa óculos. Está com um terno de sarja azul e um sobretudo com o padrão matizado. Usa colarinho mole e uma gravata preta’. A descrição estava perfeitmente correta em seus mínimos detalhes. O sr. Goodfield declarou que não queria usar para o público sua clarividência (DOP; clarividência é outro fenômeno parapsicológico muito diferente, extra-sensorial, e não pode ser regular). ‘Meus olhos não vêem a luz do dia desde l914 — continuou — e no entanto eu vejo as coisas. A cegueira para mim não é um castigo. As pessoas em Fishponds comentam que não sou cego, pois estão sempre vendo-me andar de um lado para outro. Mas o senhor verificou que meus olhos desapareceram, entretanto posso ir e voltar de Londres tão bem quanto o senhor’"45.

+++ Parapsicólogos, como R. Tocquet, de tendência racionalista, contra a melhor parte dos parapsicólogos (e em Lourdes S. consultados, inclusive internacionalmente) pensou atribuir à DOP a instantânea recuperação da viS. no caso de Gérard Baillie46.

— Errado certamente. Nem na primeira etapa na quarta estação do via-crúcis, nem na segunda etapa no dia seguinte (nem durante os dois anos seguintes; que logo analisaremos). DOP é um fenômeno de hiperestesia. Precisa-se de uma lenta supersensibilização, e como tal muito perigosa e desaconselhável. Precisa-se de um lentíssimo "desenvolvimento". Em contraposição, a recuperação da viS. em Gérard Baillie, de l947 até hoje, foi instantânea (mesmo com respeito à complementação na segunda etapa; aquela recuperação em 24 horas ou menos é chamada "instantânea" pelos especialistas).

— Além do mais, nos casos de Gérard Baillie e semelhantes, completamente ao contrário de que acontece na DOP, eles nem percebem que não poderiam ver. Eles acreditavam que seus olhos funcionavam perfeitamente. Enxergam pelos olhos apesar da deficiência orgânica total. Fechando os olhos deixam de ver. Não percebem a recuperação fisiológica quando ela chega. A cura fisiológica nada acrescenta à viS. anterior. Nada disto acontece nos casos de DOP. O bom Tocquet, neste caso, cochilou.

+++ Mas se outros entre os melhores parapsicólogos, não preconceituosos e com conhecimento de causa, nada objetaram não podia faltar outra objeção ao gosto dos preconceitos e da mentalidade espalhada pelos racionalistas: se fosse milagre, por que a cura em duas etapas? Alguns não aceitavam que fosse milagre a cura de Gérard Baillie.

— Mereceram a resposta: "se fosse milagre", o milagre seria ainda maior precisamente por ser em duas etapas. Seria maior prova do domínio sobre a natureza, controlado pela delicadeza da intercesS. da Mãe Amantíssima e do próprio Deus, autor do milagre: o choque emocional para a mãe do menino, e talvez até para o próprio menino, teria sido muito forte, e lhes concederam delicadamente um dia para ir-se adaptando a tão amoroso privilégio.

Mas continuou o Caso Baillie — O principal detalhe, do ponto de vista da explicação do que seja milagre feito "sem a natureza" ou "praeter naturam", estava ainda por surgir.

Escrevem os drs. Leuret (presidente) e Bon, em nome do Bureau Médical et d’Études Scientifiques de Lourdes: "Levamo-lo de carro ao consultório de um excelente oftalmologista de Tarbes, o dr. Camps (…), toda uma referência. No começo mostrou-se cético. Examinou-o detidamente com admirável consciência profissional. E terminou dizendo: ‘Este menino tem uma coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla: nem pode nem deve ver’".

— Seria "a marca", um tipo de "marca", tão característica em Lourdes. Poderíamos dizer que é uma espécie de "made in Lourdes".

"Mas via. Ao voltarmos de carro pela estrada para Lourdes (…), precisamente aquele dia, pareceria que a bondade de Deus quis dar a este menino, cuja viS. acabava de renascer, um espectáculo magnífico. As montanhas, cobertas com uma ligeira capa de neve, resplandeciam sob os raios do sol de outubro. E o menino, entusiasmado, batia palmas gritando: ‘Mamãe, o que é isso? O que é isso, mamãe?’."

+++ "Nem pode nem deve ver". E surgiam por várias partes racionalistas que negavam que fosse milagre o caso de Gérard Baillie. "Não foi curado. Continua com coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla."

— O fato comprovado de que Gérard vê não tem importância para os racionalistas perante a teoria de que não pode ver! O fato é um exemplo do que em teoria se entende por milagre feito de "sem a natureza" ou "praeter naturam" ou "quoad modum".

Comprovado no Instituto para crianças cegas que Gérard vê normalmente, a diretora determina a volta à sua casa. Escola S. João Batista, em Dunkerque. Caminhadas e jogos. Tudo normal.

Um ano mais tarde, de acordo com as exigências nas constatações científicas de Lourdes, o menino volta àquele santuário mariano. A principal verificação fica a cargo do dr. Smith, famoso oftalmologista, de Glasgow (Escócia). Após meticuloso exame, o diagnóstico: "Este menino tem uma coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla. Não deveria ver". Mas via perfeitamente, como os médicos e oftalmologistas verificaram conscienciosamente. "É como se uma câmara tirasse fotografias sem placa nem filme", e com o diafragma fechado. 

Um Novo Milagre — Mas faltava uma terceira etapa. Perante as discussões teóricas que o caso Baillie estava ocasionando, no ano seguinte, após as próprias verificações, o Bureau Médical de Lourdes enviou o caso à comisS. médica nacional (Comité National Adjoint). Estamos já em 1948. Gérald Baillie está já com quase 7 anos. Dois anos se passaram após a recuperação da viS.. Quatro anos depois da destruição dos tecidos internos do olho. Quatro anos de atrofia do nervo ótico.

Peritagem demorada. E surpresa. Em nome do Comité National Adjoint o dr. Lascaut, oftalmologista dos Hospitais de Lille, terminava assim o certificado: "Não parece discutível que Gérard Baillie teve uma coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla. Mas atualmente não a tem. E a cura de uma coróide-retinite com atrofia ótica é coisa jamais vista".

+++ E de novo os racionalistas: "Se fosse milagre, por que essa demora de dois anos na reconstituição da retina destruída e na recuperação do nervo ótico atrofiado?

— Mereceram a resposta. Deram-na os drs. Henri Bon e François Leuret, peritos de Lourdes. Os racionalistas, se querem ser cientistas, não podem ter o atrevimento de lançar um ultimatum a Deus sobre o modo teórico como Ele deve fazer os milagres. O dever dos cientistas é observar como é que de fato Deus quer fazê-los. No caso Baillie a realidade da delicadeza divina e de Nossa Senhora é mais evidente. Precisamente por ser em três etapas é maior milagre. "A Virgem age como interessada e querendo que se efetue a verificação médica (em benefício de todos, como sinal ou chamamento à reflexão religiosa). Durante quatro anos, por todos os exames realizados, provou-se superabundantemente que Gérard Baillie tinha coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla. E quando as comprovações realizadas já não permitiam duvidar da sua existência o menino ficou curado também dessas lesões incuráveis.

*** "Se fosse milagre…"

— E os negadores fingem esquecer, no seu preconceito, que por ter acontecido dois anos depois, deixou na realidade de ser instantânea a reconstituição da retina e do nervo ótico. Não esteve dois anos se refazendo. Durante dois anos se manteve inalterada a coróide-retinite bilateral com atrofia ótica dupla. Sarou num instante.

A natureza em alguns casos de tumores cerebrais pequenos, extraídos cirurgicamente bem no início do processo, lentamente chega a conseguir, excepcionalmente, a regeneração ótica durante três ou quatro meses. Mas é indiscutível milagre o fato de o nervo ótico e a retina, em ambos os olhos, após quatro anos de atrofia, total, se regenerarem, instantaneamente!! "É coisa jamais vista."

*** O cardeal Lienard, de Lille, em cuja diocese residia a família de Gérard Baillie, declarou que a comisS. de teólogos (Commission Canonique Diocésaine, encarregada de aconselhar a autoridade eclesiástica a respeito do possível milagre) afirmou que não houve milagre neste caso. Contra o parecer dos médicos e especialistas em oftalmologia. Embora, expressamente, "não negue que o fato foi uma resposta divina à oração de uma mãe e seu filho, e que a graça concedida é devida à intercesS. todo-poderosa da Santíssima Virgem de Lourdes". Motivo de negar o milagre: não houve "cura completa; tecnicamente a doença ainda existia" porque na observação realizada em l948 comprovou-se que a acuidade visual de Gérard Baillie não excede três décimos do possível.

— Bem, é claro que a comisS. de teólogos deve extremar as normas de prudência. Não discuto isso. No volume 4 desta coleção sobre os milagres haverei de apresentar as normas de prudência oficiais da Igreja e ponderá-las. A respeito, porém, do caso Gérard Baillie impõem-se alguns esclarecimentos:

+ Em primeiro lugar, não aprovar como milagre uma cura é uma coisa; e outra muito diferente é dizer que não foi milagre. Poderiam até suspender o juízo, quando não aprovaram o milagre. Mas afirmar positivamente que não é milagre uma cura instantânea de doença que a natureza certamente não pode curar…

+ O que interessa é que o menino procede com absoluta normalidade, sem nenhuma limitação, como qualquer menino da sua idade. Para proceder normalmente ninguém precisa ser um lince nem está "vacinado" contra a possibilidade de alguma vez precisar de óculos. Por falta de alimentação adequada, por deficiências comportamentais etc. Gérard era cego absolutamente. Está curado da cegueira.

+ Mas, não sendo plena acuidade visual, a Igreja prefere não aprovar o caso no seu conjunto como milagre? Seja. A não-aprovação, porém, radica e na realidade deve se referir a um único aspeto: a acuidade visual, inferior à máxima possível.

+ Poderia ser que Gérard não tivesse acuidade máxima visual antes da doença. Poderia ser que, depois da cura, tivesse acuidade máxima visual durante muito tempo. Poderia ser que certa diminuição da acuidade visual proviesse anos depois da cura, pouco antes da última análise. Tudo isso na realidade é irrelevante com respeito ao fato da cura da cegueira. Houve na realidade dois outros fatos muito bem verificados que indiscutivelmente correspondem à definição de duas classes de milagres (ou fatos supranormais):

+ Gérard Baillie, absolutamente cego, instantaneamente passou a ver normalmente durante dois anos, apesar de que oftalmologicamente, para racionalistas ou não, para teólogos ou não, deveria continuar absolutamente cego. Não é isso o que se entende por milagre "praeter naturam"?

+ Trata-se de dois anos de coróide-retinite bilateral com atrofia dupla do nervo ótico. Doença indiscutivelmente incurável. Quaisquer remédios que se empregassem na época seriam completamente inúteis. Invocando a intercesS. de Nossa Sra. de Lourdes, Gérard Baillie teve ambos os olhos reconstruídos e recuperados na sua fisiologia! Instantaneamente! Plenamente! O nível de acuidade visual é, para racionalistas ou não, para teólogos ou não, independente desse fato até estarrecedor. Aquela doença é absolutamente incurável para a natureza ou para a ciência. A natureza ou a ciência curar tal doença, e de aquele modo, é coisa jamais vista. Mas houve a cura: não é isso o que se entende por milagre?

[continua]
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