"Levanta-te e anda": � milagre?

Pouco antes, estabelecendo a caracter�stica "maravilhoso" inerente � defini��o de milagre, vimos duas curas de paral�ticos.

A paralisia facilmente � hist�rica. E a "cura", portanto, muitas vezes pode s�-lo tamb�m.

Mesmo quando a paralisia seja org�nica, pode "curar-se" histericamente. Se um paral�tico, mesmo atrofiado, e com artrite reumat�ide ou com deslocamento de um osso, e ainda com deteriora��o dos discos da espinha� come�a a caminhar, sem recuperar a musculatura, o fato, sem mais, n�o pode ser considerado milagre. Explico-o no livro "O Poder da Mente na Cura e na Doen�a":

Pode haver um movimento afortunado que recoloca o osso no lugar. Pode haver um m�ximo aproveitamento das for�as musculares. Isso muito freq�entemente. Excepcionalmente pode ocorrer inclusive um efeito parapsicol�gico de sansonismo e at� de uma inicial levita��o. E o paral�tico, atrofiado e com doen�as org�nicas como as citadas, caminha por alguns minutos. Mais ainda, muito excepcionalmente pode acontecer tamb�m que o ectoplasma recobre os membros descarnados, dando a impresS. de recupera��o muscular. "Milagre!, Aleluia!" Mas logo depois o coitado desmorona mais doente que antes, esgotado, decepcionado, treinado na histeria, al�m de "com a cabe�a cheia de minhocas". Com casos destes pavoneiam-se todos os curandeiros. Em todas as religi�es e seitas. Em todos os ambientes. Supersti��o e irresponsabilidade.

ATROFIA MUSCULAR � No volume 4 exporemos as condi��es exigidas para que uma cura possa ser considerada milagre. No que agora tratamos, basta frisar que um dos fatores que exclui plenamente a explica��o por histeria na cura (n�o sempre na doen�a) � a recupera��o instant�nea e permanente da musculatura atrofiada. Trata-se, na realidade, de quatro fatores conjuntos: atrofia, recupera��o, instant�nea, duradoura.

Nas duas curas de paral�ticos antes citadas, a do Templo e a do telhado, S. Lucas, que era m�dico, nos fornece dados muito significativos. Podemos deduzir que tamb�m o paral�tico do telhado o era de nascen�a ou, ao menos, de havia muito tempo. E portanto ambos tinham profunda atrofia muscular, da qual sararam instantaneamente:

* Ambos jaziam nos seus catres. Parece sugerir-se a identidade de situa��o: ambos com atrofia muscular.

* Os catres de ambos eram transportados por outras pessoas. Os paral�ticos eram incapazes de se valer por si mesmos. Paridade. Atrofia muscular profunda.

* Do paral�tico do Templo a constata��o da atrofia � expressa: "Vinha ent�o carregado um aleijado de nascen�a" (At 3,2). O que parece l�cito aplicar-se por paridade tamb�m ao paral�tico do telhado.

* Sem d�vida � muito significativo que S. Lucas destaque, em ambos casos, que recuperaram as for�as imediatamente. � tanto como significar quase expressamente que antes tamb�m o paral�tico do telhado sofria de atrofia. Do aleijado do Templo diz: "No mesmo instante, os p�s e os calcanhares se lhe consolidaram; de um salto ficou em p� e come�ou a andar" (At 3,7s). Do paral�tico do telhado diz: "E no mesmo instante, levantando-se diante deles, tomou o catre onde estivera deitado e foi para casa"(Lc 5,25).

* Deve-se destacar que a cura do paral�tico do telhado foi feita "diante deles", os "fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galil�ia, da Jud�ia e de Jerusal�m" (Lc 5,27). Portanto tamb�m este paral�tico estava atrofiado: "Eles" jamais aceitariam a "cura" de um paral�tico que n�o estivesse atrofiado ou aleijado. "Eles" jamais se deixariam enganar pela farsa de um hist�rico. A cura foi feita em desafio a "eles": "Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar os pecados�" � "diante deles" o que para "eles" era uma blasf�mia"! (v. 21) � "� disse ao paral�tico: �levanta-te, toma teu leito, e vai para tua casa�" (v. 24).

* Nem haveriam causado tanta admira��o os dois casos, se ambos os paral�ticos n�o estivessem antes atrofiados, e imediatamente depois recuperados.

* De nascen�a, sendo j� adultos. Expressamente S. Lucas faz constar, no encerramento de todo o dram�tico epis�dio, que o paral�tico do Templo tinha mais de 40 anos:

Os anci�os membros do Sin�drio, os escribas e fariseus, prenderam S. Pedro e S. Jo�o. "Reconheciam-nos por companheiros de Jesus; ao mesmo tempo viam, de p� com eles, o homem que fora curado e assim nada podiam replicar. Mandaram-nos sair do Sin�drio e deliberaram entre si. Diziam: �Que faremos destes homens? � evidente a todos os habitantes de Jerusal�m que um sinal not�rio foi realizado por eles, e n�o podemos neg�-lo. Mas para que isto n�o se divulgue mais (por outras cidades e mesmo fora da Palestina) impe�amos por amea�as que falem doravante deste nome (de Jesus) a quem quer que seja�. Chamaram-nos, pois, de novo e proibiram-lhes absolutamente falar ou ensinar em nome de Jesus. No entanto, Pedro e Jo�o responderam: �Julgai se � justo aos olhos de Deus obedecer mais a v�s do que a Deus� (�) Eles ent�o, depois de novas amea�as, n�o descobrindo como puni-los, soltaram-nos por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera. Pois o homem miraculosamente curado tinha mais de quarenta anos" (At 4,13b-22).

E PERMANENTE � N�o ca�ram logo depois! A admira��o foi maior precisamente porque o paral�tico do telhado "tomou o catre onde estivera deitado e foi para casa glorificando a Deus" (Lc 5,25), com isto multiplicando as testemunhas. O paral�tico do Templo "entrou com eles no Templo, andando, saltando (�) Todo o povo viu-o caminhar (�) Como n�o largasse Pedro e Jo�o, todos, assombrados, acorreram" (At 3,8-11), tamb�m multiplicando as testemunhas.

T�o admir�vel foi o milagre, imediatamente atribu�do por S. Pedro ao poder de Jesus, que 5.000 pessoas abra�aram o cristianismo (At 4,4).

Havia muit�ssimas testemunhas. Ganhariam um bom dinheiro se pudessem testemunhar contra esses dois milagres. E "eles", os escribas e fariseus, teriam feito a mais espalhafatosa reclama��o se algum tempo depois, mesmo muito depois, houvesse voltado a paralisia.

S. LUCAS CONTA MAIS DOIS CASOS O m�dico Lucas, nos Atos dos Ap�stolos, refere mais dois casos, e de novo frisa os detalhes bem significativos.

1) "Pedro, que percorria todas essas regi�es, foi ter tamb�m com os santos (crist�os) que habitavam em Lida. A� encontrou um homem chamado En�ias, prostrado num leito; havia oito anos que era paral�tico. Disse-lhe Pedro: �En�ias, Jesus Cristo te restituiu a sa�de; levanta-te e arruma a tua cama�. E ele se levantou imediatamente. Todos os habitantes de Lida e da plan�cie de Saron o viram e se converteram ao Senhor (At 9,32-35).

2) De S. Paulo. "Vivia ali (em Listra, col�nia romana em Lica�nia) um homem aleijado dos p�s desde a nascen�a, coxo e incapaz de andar. Ele escutava Paulo discursar. Este, detendo nele o olhar e vendo que tinha f� para ser salvo (aberto a receber, com a sa�de corporal, a salva��o da f� crist�), disse com voz forte: �Levanta-te direito sobre os teus p�s!� Ele deu um salto e come�ou a caminhar".

"� vista do que Paulo acabava de fazer, a multid�o exclamou em l�ngua lica�nica: �Deuses em forma humana vieram a n�s!� A Barnab� chamavam J�piter e a Paulo Hermes, porque era ele que falava".

"Os sacerdotes de J�piter de fora da cidade levaram � porta touros ornados de grinaldas (permanente: isto tudo sup�e bastante tempo�), e queriam, de acordo com a multid�o, oferecer um sacrif�cio. Informados disto, os ap�stolos Barbab� e Paulo rasgaram as vestes (sinal de protesto e dor) e precipitaram-se em meio � multid�o, clamando: �Amigos, que estais fazendo? N�s tamb�m somos homens, pass�veis da mesma sorte que v�s, e v�s anunciamos que deveis abandonar todos estes v�os �dolos para vos voltardes ao Deus vivo (�) Com muito custo conseguiram (o tempo passou: cura permanente) por essas palavras impedir que a multid�o lhes oferecesse um sacrif�cio" (At 14,8-18).

Se o paral�tico prostrado na cama havia sete anos e portanto atrofiado; e se o atrofiado e aleijado de nascen�a n�o houvesse ficado perfeito ("direito"), n�o teria sentido a converS. dos habitantes de Lida e de toda a regi�o, nem tal entusiasmo da multid�o e dos sacerdotes pag�os de Listra.

E se houvessem ca�do logo depois de curados, ou durante os longos intentos de oferecer sacrif�cios a Paulo e Barnab�, ou mesmo ap�s bastante tempo�, calcule o leitor em que se haveria transformado aquela converS. em massa e o entusiasmo da multid�o e dos sacerdotes!

E OUTRO DE S. JO�O Que a atrofia e subseq�ente recupera��o muscular instant�nea e duradoura � nota fundamental para que a cura de um paral�tico possa ser considerada milagre n�o escapou aos Evangelistas, como n�o escaparia a nenhum observador sensato. Sem ser m�dico, tamb�m S. Jo�o frisa os detalhes significativos.

"Por ocasi�o de uma festa dos judeus, Jesus subiu a Jerusal�m. Existe em Jerusal�m, junto � Porta das Ovelhas, uma piscina que em hebraico se chama Betesda (que significa: "casa de miseric�rdia"), com cinco p�rticos. Sob esses p�rticos, deitados pelo ch�o, numerosos doentes, cegos, coxos e paral�ticos ficavam esperando o movimento da �gua (trata-se na realidade de um adjunto a um templo pag�o de "cura", com seu abjeto curandeirismo e inclusive vulgares truques, como veremos no volume 6 desta mesma cole��o; Jesus serve-se das circunst�ncias e, para demonstrar Quem � que pode realizar verdadeiros milagres escolhe precisamente um paral�tico atrofiado, claramente o mais incur�vel de todos os doentes que l� estavam�) Encontrava-se a� certo homem, doente havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que j� estava assim h� muito tempo (era evidente pela atrofia), perguntou-lhe: �Queres ficar curado?� Respondeu-lhe o enfermo: �Senhor, n�o tenho quem me jogue na piscina� (�) Disse-lhe Jesus: �Levanta-te, toma o teu leito e anda�. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se p�s a andar."

"Ora, esse dia era s�bado. Os judeus, por isso, disseram ao homem curado: �� s�bado e n�o te � permitido carregar teu leito�. Respondeu-lhes: �Aquele que me curou, disse: Toma o teu leito e anda�. �Quem foi o homem que te disse: Toma teu leito e anda?�, perguntaram-lhe. Mas o homem curado n�o sabia quem fora, porque Jesus afastara-se da multid�o que se achava naquele lugar. Mais tarde Jesus o encontrou no Templo (�) O homem saiu e informou aos judeus que fora Jesus quem o tinha curado."

"Por isso os judeus perseguiam Jesus: porque fazia tais coisas em s�bado. Mas Jesus lhes respondeu: �Meu Pai trabalha sempre e Eu tamb�m trabalho�. Ent�o os judeus, com mais empenho, procuravam mat�-Lo, pois al�m de violar o s�bado Ele dizia ser Deus Seu pr�prio pai, fazendo-se assim igual a Deus. Retomando a palavra, Jesus lhes disse: �Em verdade, em verdade vos digo: o Filho por Si mesmo nada pode fazer (�) Tudo o que este (o Pai) faz, o Filho o faz igualmente (�) e manifestar� obras maiores do que esta para que vos admireis (�) a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai" (Jo 5,1-19.20b.23).

E assim passou tanto tempo� Se o paral�tico houvesse voltado a s�-lo, ou n�o houvesse sido bem curado, se houvesse ficado ou reaparecesse a atrofia�, imagine o leitor at� que ponto os judeus explorariam o fracasso. No seu raivoso preconceito, apelaram a planos de viol�ncia "justificada" por tergiversa��es te�ricas. Porque o fato da cura, e que fora feita como prova de poder igual ao do Pai, era inatac�vel e por todos testemunhado.

E MUITOS OUTROS � necess�rio entender bem uma frase muito significativa do evangelista S. Mateus:

"Jesus, partindo dali, foi para as cercanias do mar da Galil�ia e, subindo a um monte, sentou-se. Logo vieram at� Ele numerosas multid�es trazendo (evidentemente, por todo o contexto, carregando pelo monte muitos) coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, e os puseram aos Seus p�s (evidente aluS. a que muitos estavam impossibilitados de manter-se em p�) e Ele os curou, de sorte que as multid�es ficaram espantadas ao ver os mudos falando, os aleijados S.s, os coxos andando e os cegos a ver. E renderam gl�ria ao Deus de Israel" (Mt 15,29-31).

Cumpria-se a profecia � Oito s�culos antes Isa�as apresentou como caracter�stica e sinal do Messias: "Eles ver�o a gl�ria de Iahweh, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as m�os abatidas, revigorai os joelhos cambaleantes (�) Eis que o vosso Deus vem (�), Ele vem para salvar-vos. Ent�o se abrir�o os olhos dos cegos, e os ouvidos dos surdos se desobstruir�o. Ent�o o coxo saltar� como o cervo e a l�ngua do mudo cantar� can��es" (Is 35,2b-3.4b-6a).

[continua]

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