RACIONALISTAS E MODERNISTAS — Para o preconceito mal intencionado quando não doentio dos racionalistas e dos primeiros modernistas protestantes, tudo isso é impossível. E a "irreflexão teológica" dos modernistas católicos de hoje, de tão ingênua e precipitada talvez também igualmente doentia, repete que todas essas curas de paralíticos atrofiados e aleijados não passam de lendas bíblicas, só para transmitir o querigma ou mensagem doutrinal.

E os casos idênticos, ao longo da história posterior?

Responde o jesuíta pe. Latourelle, nada menos que decano de teologia e professor de teologia fundamental da Universidade Gregoriana de Roma. A resposta é publicada nada menos que no "Dicionário de Teologia Fundamental". Não fica muito claro qual é a própria posição, mas expressa em todo caso a posição da quase totalidade dos teólogos católicos de hoje, modernistas:

"Quando se estuda o problema do milagre, incluídos aí os milagres de Jesus, a dificuldade principal diz respeito à própria idéia de milagre que é rejeitada antes de qualquer exame dos fatos propostos. Em matéria de milagres, mais do que em qualquer outro campo, a questão está encerrada desde o início. Os relatos de milagres — afirma-se — pertencem a outra época, a outra mentalidade. Reconhecê-los como realidade histórica significaria dar prova de uma ingenuidade tão desconcertante como anacrônica. Não se crê mais nos milagres, da mesma forma que não se crê mais nas fadas ou nos fantasmas. O que está em jogo é a própria possibilidade do milagre num universo que se basta a si mesmo"17.

Como sempre nos modernistas quando saem do âmbito da teologia, também agora é uma montanha de disparates:

*** "A dificuldade principal diz respeito à própria idéia de milagre"…

— Diagnóstico exato. Como temos visto nestes cinco primeiros capítulos, os racionalistas e modernistas não sabem nem de que estão falando.

*** "A própria idéia do milagre é rejeitada".

— Eis a posição generalizada. Os modernistas rejeitam com os racionalistas o milagre por causa de uma definição espúria. E por inércia após essa rejeição terminam por rejeitar também o verdadeiro milagre.

*** "Rejeitada antes de qualquer exame dos fatos propostos"

— Portanto, meras disquisições teóricas sem valor, anti-científica "irreflexão teológica".

*** "Em matéria de milagres, mais do que em qualquer outro campo, a questão está encerrada desde o início".

— Tão desde "o início", que antes de iniciar o estudo! Sem estudo! ConfisS. da mais ridícula e anti-científica "irreflexão teológica". E não morrem de vergonha, proclamando-o…

*** "Os relatos de milagres — afirma-se — pertencem a outra época, a outra mentalidade".

— Época anterior e paralela à dos racionalistas e modernistas!, mentalidade que não se deixou arrastar por ridículos preconceitos, como estamos analisando em toda esta coleção.

*** "Reconhecê-los como realidade histórica significaria dar prova de uma ingenuidade tão desconcertante como anacrônica".

— Quem é de ingenuidade desconcertante e anacrônica, quem estuda os fatos antes de afirmar ou negar? Ou quem os nega "desde o início"? Bobo ou de uma ingenuidade raiando pela irracionalidade ou mesmo pela loucura, é o teólogo modernista que, deixando-se arrastar pelo influxo dos racionalistas do século passado, nega-se ainda hoje a estudar os fatos e simplesmente os nega!

*** "Não se crê mais nos milagres"…

— Milagres ou não milagres é tema que não pertence à fé ou à crença: os milagres, verdadeiros ou falsos, S. o preâmbulo da fé, verdadeira ou falsa. Os teólogos não sabem nem sequer isso? Milagres ou não milagres S. fatos que cabe à Ciência estudar e diagnosticar. Os modernistas S. simplesmente ridículos na sua "irreflexão teológica" ou preconceituosa "ignorância".

*** …"da mesma forma que não se crê (?) mais nas fadas ou nos fantasmas".

— Será que os modernistas ao menos ouviram falar de ectoplasmia, ectocoloplasmia, escotografia, transfiguração, fantasmogênese… ou, numa palavra, de ideoplasmia? Fiquem na teologia! Por que se põem a diagnosticar sobre fatos de nosso mundo de que não conhecem nem os nomes?!

*** "O que está em jogo é a própria possibilidade do milagre"…

— Como analisaremos nos cinco próximos capítulos, à luz dos fatos.

*** …"num Universo que se basta a si mesmo".

— Onde estará revelado para os teólogos essa solene idiotice ou blasfêmia?

FATOS NÃO-BÍBLICOS — As teorias modernistas não analisam os fatos. E os fatos não-bíblicos, então, "ignoram-
-nos" olimpicamente, nem se dignam olhar para eles. O intuito desta coleção é analisar os fatos e só a partir dos fatos refutar, aceitar ou elaborar as teorias. Não "irreflexão teológica" fora do seu campo. Sim ciência, parapsicologia.

MILAGRE? HOJE NÃO CONVENCE — Foram publicados não há muito tempo, em 1944, "a vida e os milagres" do padre Eustáquio, o famoso vigário de Poá, no Estado de S. Paulo. Dentre as muitíssimas curas que o povo lhe atribuía, não sem causar acalorada oposição dos médicos e mesmo de uma grande parte dos seus colegas sacerdotes, o caso que parece "o melhor" entre os publicados é precisamente uma cura de paralisia. Casos como esse existem às centenas em todos os ambientes, com qualquer curandeiro da pior espécie.

"8º caso: Eu, Adão de Figueiredo, infra assinado, residente nesta capital de S. Paulo, rua Francisco Marengo, nº 36, com 30 anos de idade, declaro, na presença das testemunhas abaixo assinadas, que fui paralítico durante 19 — dezenove — anos, a saber: de 8 a 27 anos de idade."

"Aos 8 anos de idade estive internado na Santa Casa de Misericórdia, desta capital, durante alguns meses e, segundo atestam os meus progenitores, os médicos daquele hospital na ocasião foram unânimes em afirmar que se tratatava em meu caso de uma paralisia total de ambas pernas, moléstia essa incurável. Assim sendo, desde 8 até 27 anos de idade, minha vida fora um verdadeiro martírio, pois me locomover era possível somente com o auxílio de 2 muletas."

"No dia 18 de abril do ano de 1941, com grandes sacrifícios fui conduzido à localidade denominada Poá, neste Estado de S. Paulo, onde se achava situada a paróquia cujo vigário era então o venerável padre Eustáquio, e nesse mesmo dia tive a honra de ser abençoado pelo mencionado sacerdote."

"Terminada a bênção, padre Eustáquio ordenou-me que largasse as muletas e andasse em sua direção, o que me foi possível fazer, sem dificuldades, com seu auxílio e com a graça de Deus. Dessa data para cá fiquei miraculosamente (?) curado e ando com a mesma presteza e facilidade como uma pessoa que nunca houvesse sido paralítica."

"Quanto à minha cura (?) atribuo-a a um verdadeiro milagre (?) do venerável e saudoso padre Eustáquio van Lieshout, a quem devo eterna gratidão."

"S. Paulo, 26 de Outubro de 1943."

(Assinado) "Adão de Figueiredo. Testemunhas: Octavio Pena. — Carlos Pedro Romano. — Domingos Catalinha."

"Atestado: Atesto que o Sr. Adão de Figueiredo esteve em tratamento em meu consultório e sob meus cuidados profissionais, pois tratava-se duma paralisia do membro inferior, tendo sido abandonado o tratamento por ser um caso incurável."

"Para maior clareza firmo o presente atestado: S. Paulo, 26 de outubro de 1943. Dr. Pascoal Lobosque."

"(Assinaturas sobre estampilhas e oficialmente reconhecidas)"18.

*** Pareceria um caso magnífico de cura instantânea de coxo de longa data, atrofiado.

Na realidade o caso pouco vale. É um modelo quase perfeito de como não se deve fazer uma pesquisa de pretendido fenômeno supranormal:

— Partamos do suposto que paralisia histérica é uma possiblidade bem conhecida. Inclusive foi uma paralisia histérica a que ocasionou, a Freud, o início do estudo da psicanálise.

— E paralisia histérica facilmente se pode "curar" histericamente. "Cura" entre aspas, porque a "cura" histérica, como todo o curandeirismo, é contraproducente. O leitor lembrará o slogan da parapsicologia: "O curandeiro sempre é perigoso; e quando ‘cura’, criminoso". Isso foi explicado em minha obra, "O Poder da Mente na Cura e na Doença".

*** Só podia caminhar com muletas, sendo paralítico de ambas as pernas.

— Isso demonstra que tinha alguma força nas pernas para poder apoiar-se nelas enquanto avançava as muletas.

*** Consta um atestado médico de que o paciente esteve em tratamento. Mais: o médico faz constar que "sem obter resultados", pelo que "foi abandonado o tratamento", dando-se a paralisia como "um caso incurável".

— Mas, numa falha inconcebível de pesquisa, não se obtém do médico atestado de que o paciente ficou curado!!

— Suponhamos que ficou "curado"… Uma paralisia histérica não sara com um tratamento orgânico, médico, precisamente porque uma paralisia psicogênica não é de causa orgânica. Sara verdadeiramente com um adequado tratamento psicoterapêutico. Supomos que não houve esse tratamento.

— O fato de o médico ter tentado por algum tempo o tratamento é sinal de que não encontrara uma causa orgânica claramente incurável. A conduta do médico na realidade está reforçando a possibilidade de haver sido uma paralisia de origem psíquica e psiquicamente "curada".

*** O diagnóstico de incurável fora lançado também no hospital, onde esteve internado durante oito meses.

— Não haveria estado tanto tempo se a paralisia fosse claramente orgânica e incurável. Confirma-se mais que estiveram procurando a causa, e não a encontrando, precisamente porque não existia causa orgânica, os médicos organicistas desistiram. Era causa histérica. E "sara", entre aspas, histericamente…

*** Arrolam-se três testemunhas.

— De quê? De que efetivamente sarou? Mas as testemunhas não dizem, nem sabem, se foi doença e "cura" de origem psíquica…

— Ou S. simplesmente testemunhas de que se lavrou o atestado perante tabelião? Diz expressamente: "Declaro na presença das testemunhas abaixo assinadas".

— O atestado foi feito mais de dois anos depois da suposta cura…

— Enfim, o Bureau de Constatações Médicas de Lourdes ou a Sagrada Congregação dos Ritos para os milagres nas canonizações jamais aceitariam "provas" tão mal levantadas… A "pesquisa" está quase tão mal feita como a dos próprios curandeiros, pentecostais, carismáticos…

*** Sendo paralisia que começou quando o paciente tinha 8 anos de idade e que perdurou até os 27 anos, é evidente que os membros paralisados estavam já atrofiados.

— Sem dúvidas. Mas justamente o imperdoável nesses "pesquisadores" é que "esqueceram" de comprovar se houve recuperação da musculatura e se foi instantânea. Nem sequer "lembraram" de verificar se após mais de dois anos de exercício já se tinha recuperado plenamente!

*** No começo da doença, quando o paciente tinha 8 anos de idade, a paralisia total de ambas pernas foi verificada pelos médicos do Hospital Santa Casa de Misericórdia.

— E o "esquecimento" indesculpável na "pesquisa" é que não apresentem o testemunho daqueles médicos, senão unicamente "segundo atestam os meus progenitores".

— E o caso é que a bênção não obteve êxito nenhum. E aí vem a indução autoritária da sugestão perigosa: "Terminada a bênção, padre Eustáquio ordenou-me que largasse as muletas e andasse em sua direção".

— E mesmo assim o histérico caminhou amparado pelo pe. Eustáquio. O paciente diz ingenuamente: "com seu auxílio". Expressamente. Isto pode significar que foi ajudado, amparado, até que se consolidou a confiança histérica.

Haveria que refazer toda a pesquisa. Hoje, após mais de 50 anos, talvez já seja impossível, ou sumamente difícil.

"Milagre? Hoje não convence." "Curas" como a citada atribuem-se a todos os curandeiros, aos pentecostais protestantes, aos carismáticos católicos, a todas as seitas do mais ilegal curandeirismo, em todas as épocas, em qualquer ambiente sugestivo… S. muito perigosas, para não dizer criminosas.

"Curas" como a descrita não podem de maneira nenhuma constar numa lista que pretenda ser científica, ou séria, ou mesmo honesta, de fenômenos supranormais. O milagre não se pode pressupor, deve ser demonstrado.

[continua]

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   Fernando De Matos:
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