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� MAL APLICADA � A filosofia � t�o bonita! Usar o racioc�nio � evidentemente a partir dos fatos; disquisi��es no ar S. pr�prias de loucos � � t�o realizador para o homem, �nico ser racional deste mundo! Entremos na seara da filosofia, aplicada ao conceito de Deus, dando assim as m�os � teologia. Uma verdade � a imutabilidade de Deus ("ad intra", na terminologia filos�fico-teol�gica escol�stica e tradicional); e outra verdade muito diferente � a mutabilidade de todas as coisas criadas ("ad extra"). Deus em Si mesmo � imut�vel ("ad intra"); e os acontecimentos do mundo S. muito vari�veis e modific�veis ("ad extra"). "Ad intra": Deus decreta no seio da Sua eternidade: desde toda a eternidade e para toda a eternidade. Uma vez por todas e mant�m sempre seu decreto. Um ato �nico e eterno de sua vontade. Decreta eternamente todos os acontecimentos, de que Ele � a causa imediata. Todos, tanto os que se cumprem no tempo ordinariamente como os extraordin�rios, os freq�entes como o �nico que fosse, a regra como a exce��o, os naturais como os milagres� na Sua imensa variedade e infinita liberdade. � dar provas de pouca agudeza intelectual � ou de muita m� vontade, ou de preconceito cego � qualificar o milagre como uma transforma��o em Deus ou como uma derroga��o das leis que Ele imp�s � natureza. Os milagres t�m seu lugar nos decretos divinos. N�o havendo sido decretado jamais o contr�rio, o milagre n�o pode ser derroga��o de um decreto que n�o existe. "Ad extra": e no tempo v�o se realizando os acontecimentos no exato momento que a cada um deles decretou a infinita sabedoria. Os racionalistas perderam at� o m�nimo da raz�o? Por onde o milagre contradiz a imutabilidade eterna de Deus? Porque se cumpre no tempo? Ora, racionalistas� Qual � a diferen�a radical com a rela��o da Cria��o no seu primeiro momento e as diversas fases da sua dura��o at� hoje e at� o fim dos s�culos? A execu��o dos decretos divinos cujo termo S. as criaturas entra necessariamente na vicissitude da transitoriedade ou do tempo contingente, mas os decretos necessariamente continuam imut�veis. Da mesma maneira, o decreto que tem como termo determinado milagre, como decreto tem seu lugar no seio da eternidade divina, e como termo se realiza no tempo. Aquele determinado milagre e aquela lei natural concreta, paralela ao milagre, S. igualmente eternos na intelig�ncia e vontade divinas, e igualmente temporais e transit�rios na durabilidade criada e contingente em que entram pela sua exist�ncia. Assim, o "argumento" dos racionalistas contra o milagre aplicar-se-ia exatamente da mesma forma contra a lei, que eles quase divinizam! O "argumento" nada prova, nada vale. Ou prova que os racionalistas (e sequazes, preconceituosos) S. p�ssimos fil�sofos� A filosofia � muito bonita, enobrece o homem� Mas realmente a gente gostaria de filosofar com seres racionais, n�o com racionalistas nem com modernistas, antigos ou de hoje� O pr�prio l�der dos de�stas modernos, Jean-Jacques Rousseau, acabou por comprender � n�o h� ningu�m que possa negar a Rousseau lampejos de grande intelig�ncia quando conseguia livrar-se dos seus preconceitos racionalistas � que a concluS. a que chegaram � completamente absurda: "Deus pode fazer milagres? Tal pergunta formulada seriamente seria �mpia, se n�o fosse absurda. Castigar a quem ousasse respond�--la negativamente seria fazer-lhe demasiada honra. Melhor seria encerr�-lo num manic�mio"34. S. TOM�S MAL ENTENDIDO TAMB�M � � curioso que na pol�mica tanto racionalistas como tradicionalistas invocaram os mesmos textos escritos s�culos antes por S. Tom�s. A explica��o de S. Tom�s � muito clara. Um rei, que deu uma ordem geral para o governo de seus s�ditos, pode depois, sem contradi��o, dar outra ordem, ficando em vigor a lei geral. Igualmente "n�o � contra a natureza de um trabalho art�stico que o artista introduza algum elemento novo ("outra for�a", no milagre) mesmo depois de ter dado a primeira forma", se em outras circunst�ncias quer destacar um outro aspecto35. A diferen�a entre o rei humano e o Divino, entre o artista limitado e o Infinito, � que para Deus e seu decreto eterno ("ad intra"!) n�o h� antes nem depois. Estas qualifica��es temporais aplicam-se s� a todos os acontecimentos, ordin�rios e milagrosos, no mundo ("ad extra"!). Os decretos divinos S. eternos ("ad intra"); e a sua aplica��o nas criaturas S. no tempo ("ad extra"). Esta diferen�a fundamental marca o modo com que ambos os grupos de debatedores citam os mesmos trechos de S. Tom�s. A diferen�a � visada pelos tradicionalistas, e � hipocritamente "esquecida" pelos racionalistas e modernistas, que deturpam o pensamento do Santo Doutor. S. Tom�s dedica outro cap�tulo a explicar que os decretos divinos S. dados desde toda a eternidade ("ab aeterno", na terminologia escol�stica), incluindo na ordem universal�ssima da Provid�ncia tanto os meios ordin�rios como os extraodin�rios ou milagres, tanto nas ordens f�sica e ps�quica como na ordem moral36. INDEVIDA "UTILIZA��O" DE DEUS � Evidentemente o recurso pelos racionalistas �s qualidades divinas, para atacar a possibilidade dos milagres, � muita pretenS., se n�o soub�ssemos que � simplesmente intento de criar confuS.. � Mal conhecemos o microsc�pico �tomo, e os racionalistas pretendem argumentar com as insond�veis, incompreens�veis, infinitas qualidades de Deus! Absoluta imutabilidade e a par infinita atividade. Absoluta imutabilidade e a par infinita variedade� � As invectivas dos racionalistas "utilizando" Deus n�o t�m mais base que seus pr�prios preconceitos. Invencionices te�ricas, no ar. � Mesmo mantendo-nos na teoria, mas sem contradi��es, a necessidade de agir de uma lei criada n�o pode tirar a liberdade de agir do pr�prio Criador. NAO � O DEUS DE ABRA�O � Embora "utilizando" Deus, certamente racionalistas e modernistas n�o tiraram da Revela��o suas obje��es. O �dolo que os racionalistas "fabricaram" � e os te�logos modernistas reprisam! � n�o � o Deus da Revela��o. N�o � o Deus da teologia nem da filosofia crist�s. N�o � o Deus de Abra�o, de Isaac, de Jac� A tradi��o rab�nica na interpreta��o da B�blia n�o s� aceitou a possibilidade e realidade dos milagres: "S� Ele realizou maravilhas, porque Seu amor � para sempre" (Sl 136,4); sen�o que tamb�m os entende, como realizados "ab aeterno": tal � "a ordem do come�o" (sidr� ber�shit), "a ordem eterna" (sidr� `�lam). Assim o Midrash (ou interpreta��o rab�nica tradicional da B�blia) afirma que todos os milagres foram "criados na v�spera do Sabbat", isto �, metaforicamente, antes do descanso divino ao terminar a cria��o. J� ent�o estavam criados os milagres que surgiriam no tempo, nomeadamente a abertura da terra para engolir em castigo Cor� e seus partid�rios amotinados contra Mois�s, a purifica��o instant�nea das �guas salobras em Mara para que bebessem os israelitas e seus rebanhos, o man� para aliment�-los no deserto; enfim, a vara de Mois�s e de Aar�o para realizar em nome de Deus toda classe de milagres� O "G�nese Rabbat" (um dos livros rab�nicos de explica��o tradicional da B�blia) referindo-se � passagem do mar Vermelho a p� enxuto pelos israelitas perseguidos pelos ex�rcitos do fara�, afirma que no dia da cria��o Deus fez "um contrato com o mar, ele devia se dividir perante os israelitas". Assim todos os outros milagres: "N�o � s� com o mar que Deus estabeleceu contrato, sen�o com todas as coisas criadas, durante os seis dias da cria��o, como est� escrito (�): �Eu dei a ordem ao mar (Vermelho) de se dividir (�) Fui Eu que dei ordem ao Sol e � Lua de se deter perante Josu�, aos corvos de alimentar Elias, fui Eu que dei a ordem ao fogo de n�o causar dano a Ananias, Misael e Azarias, aos le�es de n�o ferir Daniel, aos c�us de se abrirem perante Ezequiel, e � baleia de vomitar Jonas"37. MOTIVOS DE ORDEM SUPERIOR � Refutada a obje��o racionalista que apela � imutabilidade de Deus, cai tamb�m por terra a obje��o que apela � santidade divina. Se o milagre n�o implica muta��o em Deus, nem sequer propriamente nas leis f�sicas, n�o se pode temer que mudem as leis morais.N�o se trata de um injusto privil�gio a uns poucos escolhidos, desprezando outros mais necessitados e at� com maiores m�ritos. A finalidade do milagre n�o � resolver os problemas humanos. Pelo milagre, a ordem natural n�o fica propriamente corrigida ou melhorada, sen�o associada a uma ordem superior. Com o milagre Deus n�o retoma um trabalho mal acabado, sen�o que o eleva a uma nova dimenS. infinitamente mais bela e de horizontes infinitamente mais amplos. No entorno luminoso do milagre Deus n�o � vislumbrado unicamente como Criador, sen�o tamb�m como Redentor e Salvador da humanidade, como autor n�o s� da natureza f�sica, sen�o tamb�m da gra�a sobrenatural38. Ao estudar-se no volume 6 desta cole��o a finalidade do milagre � que se esclarece realmente esta quest�o. Agora basta acrescentar um trecho do extraordin�rio e brilhante Newman� � MAS, PRIMEIRO, APRESENTA��O � Estava-se em plena pol�mica racionalista e "liberal". John Henry Newman (1801-1890) estudara em Oxford� tudo!: humanidades cl�ssicas, literatura, matem�ticas, direito e, por fim e durante toda a vida, teologia. Ordenou-se pastor anglicano. Pelo brilhantismo das suas prega��es foi chamado "o Plat�o de Oxford". Posteriormente liderou o chamado Movimento de Oxford, que promovia os estudos sobre as diferen�as e concord�ncias entre anglicanismo e catolicismo. Nestes estudos � que foi aparecendo paralelamente e com toda nitidez a "m� vontade" e as deturpa��es dos racionalistas, seus antigos colegas. Ap�s publicar 90 tratados "romanizantes", a Universidade e o bispo anglicano de Oxford proibiram-lhe publicar novos livros� Per�odo de reflex�o. Converteu-se, com mais 150 outros pastores anglicanos, ao catolicismo. Continuou estudando em Roma. Ordenou-se sacerdote cat�lico. Foi escolhido reitor da Universidade Cat�lica de Dublin. Continuou sua ampla produ��o bibliogr�fica. Junto com muitos elogios, continuou tamb�m sofrendo algumas cr�ticas veementes dos seus antigos correligion�rios anglicanos racionalistas. Mas tamb�m de alguns dos seus novos correligion�rios cat�licos modernistas, e especialmente do cardeal Manning e outros te�logos aferrados a uma teologia divorciada da ci�ncia de observa��o ou daqueles ramos da ci�ncia que hoje chamamos parapsicologia. Claramente com inten��o de repara��o, Le�o XIII nomeou-o cardeal39. O TRECHO DE NEUMANN � Prestado este tributo de admira��o ao cardeal Newman, apresento s� umas breves linhas de uma longa reflex�o que ele fez, contra os racionalistas, sobre os motivos superiores para o milagre: "Dedicando-se t�o longamente � quest�o das leis da natureza, esquecem (?) em igual propor��o a exist�ncia de um sistema moral" (�) "(Este sistema moral), nas suas leis e disposi��es � t�o intelig�vel como o sistema do mundo material. Determinados instintos de nossa alma referem-se a este governo moral: a consci�ncia, o senso de responsabilidade, a aprova��o outorgada � virtude, o desejo inato de saber, um sentimento quase universal da necessidade de observ�ncias religiosas, e no seu conjunto as recompensas concedidas � virtude, os castigos infligidos ao v�cio. E apesar de encontrarmos aqui v�rias anomalias patentes � evidente que n�o S. mais do que anomalias, e ainda talvez somente anomalias aparentes, provindas de que somos incompletamente informados". "Estes dois sistemas, o f�sico e o moral, est�o umas vezes em harmonia, outras em conflito. E da mesma forma que a ordem da natureza se encontra �s vezes em oposi��o �s leis morais, por exemplo quando homens virtuosos morrem prematuramente ou os dons da natureza S. prodigados aos malvados; da mesma forma nada tem de inveross�mil a id�ia de que um grande objetivo moral possa ser realizado por uma interrup��o da ordem f�sica (�) Mais ainda, embora as leis f�sicas possam atrapalhar a a��o do sistema moral, n�o obstante em conjunto o servem. Porque � certo que elas contribuem para o bem (�) do homem, e que �s vezes inclusive lhe trazem corretivos a suas desordens morais". "Se pois a economia da natureza est� em rela��o t�o constante com um plano ulterior, um milagre � uma derroga��o (da regularidade, pela interfer�ncia de uma For�a Sobrenatural) no sistema subordinado, em proveito do sistema superior. E em conseq��ncia, (o milagre) est� bem longe de ser improv�vel quando um grande bem moral n�o pode ser alcan�ado sen�o �s expensas da regularidade f�sica". "De resto, esta interfer�ncia necess�ria dos dois sistemas n�o � motivo para tachar de imperfei��o os planos divinos. Porque n�s devemos considerar os sistemas da Provid�ncia como um todo. E este todo n�o � imperfeito por ter suas partes reagindo umas sobre as outras, como n�o � uma m�quina porque as rodas separadas se p�em mutuamente em movimento" (�) "Se nos aproximarmos das diferentes obje��es que esp�ritos inventivos h�o elevado contra o milagre, observaremos que quase todas nascem do esquecimento (?) da realidade de que existem leis morais. No seu zelo em querer p�r na mat�ria leis perfeitas, esquecem (?) de uma maneira muito pouco filos�fica um sistema mais sublime, que nos revela n�o s� a exist�ncia sen�o tamb�m a vontade de Deus. (E aqui cita��es de Hume, Voltaire, Bentham etc.). "Dir-se-ia que esses que assim raciocinam (os racionalistas!, "de maneira muito pouco filos�fica") partem da suposi��o seguinte: quando fazemos entrar a a��o divina em considera��o para explicar os milagres, introduzimos ilogicamente (?) uma causa desconhecida (?), fazemos apelo a uma palavra v� (?), que talvez nos vem de supersti��es populares (?�) E da� procede que os autores em quest�o considerem a religi�o como fundada unicamente sobre a debilidade ou excentricidade do esp�rito (�) Incapazes, ao que parece, de penetrar num sistema que s� se revela em parte, acham (sem argumentos, aprioristicamente, anti-cientificamente) que s� as leis do mundo material S. dignas de reter a aten��o de uma intelig�ncia cient�fica, e se desembara�am da inoportunidade que lhes causam as pretens�es taumat�rgicas, e deixam de lado todas as circunst�ncias" (�) (Assim) as obje��es a priori dos c�ticos perdem completamente toda for�a. Os fatos n�o S. improv�veis (�) Pelo contr�rio, se os milagres da Escritura (e tantos outros sempre, at� hoje) reclamam nossa aten��o, o fazem como parte de um sistema realizado, como manifesta��o dos atributos divinos que conhecemos em harmonia com as disposi��es ordin�rias da Provid�ncia. Como simples acontecimentos isolados, j� poderiam legitimamente excitar a rever�ncia com respeito ao misterioso Autor da natureza. Mas eles (os milagres) se apresentam a n�s n�o como acidentes sem liga��o e sem significado, mas como ocupando um lugar no vasto plano do governo divino, como completando o sistema moral, como religando (termo de que procede religi�o) o homem com seu Criador (o milagre � o fundamento da religi�o) e pondo-o em condi��es de assegurar sua salva��o numa outra e eterna condi��o de exist�ncia"40. [continua]-
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Fernando De Matos: ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal� http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ [EMAIL PROTECTED] ******************************************************************* |
