O BOBO PERANTE A CORTE � A deturpa��o, muitas vezes mal-intencionada, dos racionalistas, arrastados pelo preconceito, e a falta de racioc�nio dos modernistas, ofuscados pelo resplendor do que pensam que � ci�ncia de observa��o, da qual pouco ou mesmo nada se aproximam, chega inclusive a considerar o milagre um humilhante confronto de Deus com a capacidade humana. Realmente a capacidade humana de dizer disparates, e mesmo blasf�mias, se soubessem o que est�o dizendo!, � insuper�vel!

*** Por exemplo citemos S�ailles: "O milagre particular, localizado, feito para favorecer a domic�lio uma pessoa qualquer, humilha a Deus se for confrontado com quanto o homem h� sabido fazer por si mesmo com sua ci�ncia e sua industriosidade. Esse Deus sumamente bom e onipotente, que entre milhares de peregrinos consegue (!) obter somente algumas curas contestadas (pelos que nem as estudam nem as querem estudar), faz uma mesquinha figura frente ao cientista que com soro antidift�rico consegue arrebatar da morte todo ano milhares de crian�as"24.

� Quanta disquisi��o no ar, fora do tema! O milagre n�o pretende arrancar da morte milhares de crian�as. Essa � obriga��o dos homens. E o cientista n�o pode � seja com a finalidade que for � realmente "arrancar da morte" nem uma s� crian�a.

� "O milagre n�o se destina a ser um fator de terapia �nicamente f�sica, como parece, ou finge, supor S�ailles. Deus n�o interv�m no curso da natureza para mostrar Sua habilidade em soldar uma fratura, em fazer desaparecer uma chaga ou um tumor maligno, em vencer a febre etc. Certamente tamb�m nisto o M�dico Divino, pela simplicidade (na realidade, aus�ncia) dos meios, pela instantaneidade e estabilidade dos resultados, supera imensamente qualquer um dos mais famosos cientistas. E se n�o realiza curas mais numerosas n�o � por falta de poder (�) Pasteur, sincero e convicto na f�, jamais sonhou em encontrar-se em concorr�ncia com Deus, nem jamais teve o pensamento sacr�lego e rid�culo de que as curas obtidas com seu soro antidift�rico pudessem eclipsar os milagres verificados entre as multid�es de peregrinos aos santu�rios crist�os"25.

*** A miopia racionalista e modernista insistiu muito na id�ia de humilha��o para Deus. Pelo mesmo motivo citado por S�ailles, ou por outros an�logos: o milagre favoreceria o antropomorfismo; abaixaria a Causa Primeira, infinita e absoluta, ao n�vel das causas segundas, limitadas e relativas; faria de Deus um elemento do mundo f�sico ou uma simples personagem da hist�ria. � assim que "raciocinam" os l�deres racionalistas, como o protestante "liberal" Sabatier26, e os modernistas cat�licos padres Loisy27 e Tyrrel28, ambos excomungados, e o �ltimo expulso da Companhia de Jesus.

� "Ignoram" a verdadeira defini��o e finalidade do milagre, a dignidade humana e o valor da Revela��o.

� Afirmam que admitir o milagre equivale a ter um conceito antropom�rfico e humilhante de Deus! Ora, deveriam escolher: ou crist�os ou racionalistas, ou crist�os ou modernistas. Porque ap�s a Encarna��o, ap�s a morte na cruz, ap�s a Eucaristia�, qualquer milagre seria imensamente menor "antropomorfismo", nenhum crist�o tem direito a pensar que seria "humilhante" para Deus qualquer outra prova que quisesse dar do Seu infinito amor aos homens. Aquela obje��o n�o foi tirada da Revela��o com reta teologia, nem com reta filosofia deduzida da an�lise dos fatos.

A SANTIDADE DIVINA � Pouca diferen�a apresentam outras dificuldades, �s vezes tamb�m alegadas pelos racionalistas (e sequazes de toda esp�cie) no seu desespero aprior�stico de negar o milagre. Pretendem que o milagre iria tamb�m contra a santidade e a justi�a de Deus.

*** Inicialmente, e sem tanto �nfase, porque parece indigno de Deus transgredir uma lei.

� J� vimos que essa defini��o de milagre � esp�ria.

� Mas mesmo que o milagre fosse uma "suspenS., derroga��o ou viola��o" de uma lei f�sica� N�o h� l�gica na passagem da ordem f�sica � moral. A ordem moral est� constitu�da pela rela��o que as a��es dos seres livres t�m com respeito ao fim �ltimo, Deus; ou as a��es de Deus com respeito a Si mesmo. E a ordem f�sica est� constitu�da pelas rela��es que as causas ou agentes do mundo material t�m entre si e com seus pr�prios efeitos. Ora, n�o haveria inconveniente moral em que, em algum caso concreto e excepcional, n�o a bel-prazer, se passasse por cima de uma lei f�sica em benef�cio da ordem moral. A ordem inferior est� e deve, moralmente, estar ao servi�o da ordem superior. Seria moralmente admiss�vel se Deus, pela alt�ssima finalidade do milagre, num caso concreto sacrificasse um bem f�sico, que seria amplamente recompensado pelo bem da ordem superior moral29.

A ORA��O, IMORAL? � Com os "argumentos" por eles apresentados, para os racionalistas, pante�stas, de�stas, esp�ritas, rosa-cruzes, te�sofos etc. e para os te�logos modernistas protestantes de ontem, e inclusive cat�licos de hoje!, a ora��o de peti��o a Deus n�o tem sentido� Com os seus preconceitos, a ora��o seria at� imoral!

Todos eles est�o de acordo nesse imenso erro, profundamente anticrist�o!

Para diz�-lo nas palavras de um popular autor racionalista-esot�rico norte-americano, Long, a ora��o de peti��o seria anti-religi�o, um ato de magia!:

"Religi�o � agir com rever�ncia dos deuses (�) ou com temor e venera��o submeter-se a eles".

"T�o logo pedimos favores aos deuses com preces e ritos adicionais, entramos no campo da magia, que n�o � religi�o pura. Seguindo o Professor Paul Tillich da Universidade de Columbia, �religi�o � a rela��o com o Ser �ltimo, incondicionado, transcendente. A atitude religiosa tem consci�ncia de depend�ncia, submisS., aceita��o (�) magia � o exerc�cio de um poder imanente; religi�o � a sujei��o a um poder transcendente�" (�) "�E assim por diante, a diferen�a est� permanentemente comprometida de dois lados. Por um lado, h� a necessidade de que o transcendente se manifeste concretamente, e por isso estas concretas manifesta��es se transformam em poderes m�gicos para a imagina��o religiosa. E por outro lado h� o desejo natural do homem de obter poder sobre Deus, transformando-se ent�o em objeto de pr�ticas m�gicas.�"30

Vamos comentar esse par�grafo denso em mal-entendidos:

*** Fala em deuses.

� Em primeiro lugar, mais de um Deus, � contradit�rio! S� um pode ser o Criador de tudo, os outros seriam criaturas!

*** "Religi�o � agir com rever�ncia dos deuses (�) ou com temor e venera��o submeter-se a eles".

� Defini��o bem pobre de religi�o. Isto � s� um aspecto. V�lido.

*** "T�o logo pedimos favores aos deuses com preces e ritos adicionais, entramos no campo da magia".

� Puro apriorismo ou "ignor�ncia" racionalista. Magia nunca � "pedir favores". Nunca � "submeter-se aos deuses", isso pertence � religi�o, como ele mesmo acaba de dizer no par�grafo anterior e vai repetir no seguinte. Magia seria a pretenS. de o homem submeter a si os deuses com ritos ou t�cnicas. Magia � heresia, impossibilidade, pois pretende com t�cnicas naturais dominar o sobrenatural.

*** Magia "n�o � religi�o pura".

� � claro. Acertou, em parte. Magia � pura heresia. N�o � religi�o nem pura nem parcial.

*** "Seguindo o Prof. Paul Tillich"�

� Excelente professor protestante de teologia, que Long certamente n�o entendeu e deturpa.

*** � "da Universidade de Columbia, �religi�o � a rela��o com o Ser �ltimo, incondicionado, transcendente. A atitude religiosa t�m consci�ncia de depend�ncia, submisS., aceita��o�".

� E precisamente por isso reza, pede, suplica humildemente e com confian�a na bondade de Deus, t�o infinita como a majestade que a reverencia.

*** (�) "�magia � o exerc�cio de um poder imanente�".

� Por isso os supersticiosos n�o pedem, pretendem dominar os deuses.

*** "�religi�o � a sujei��o a um poder transcendente�".

� E a ora��o, como manifesta��o dessa sujei��o e depend�ncia, � uma necessidade da natureza racional do homem; o homem que n�o reza � inferior ao animal, que n�o sabe, mas que instintivamente consegue pedir com submisS. aos seus donos.

*** (�) "�E assim por diante, a diferen�a est� permanentemente comprometida de dois lados. Por um lado, h� a necessidade de que o transcendente se manifeste completamente�".

� � isso mesmo, sem Revela��o o homem n�o saberia em que crer; e sem milagres, sem as credenciais de Deus, a Revela��o n�o poderia ser diferenciada da mentalidade m�gica ou das invencionices humanas.

*** � "�E por isso estas concretas manifesta��es se transformam em poderes m�gicos para a imagina��o religiosa�".

� � isso mesmo. Poderes, n�o ora��o de peti��o; imagina��o religiosa deturpada, n�o verdadeira religi�o.

*** "�E por outro lado h� o desejo natural do homem�"�

� Como uma lei inata, universal, incutida por Deus, que n�o pode ser vazia ou falsa.

*** "�desejo natural do homem de obter poder sobre Deus�".

� Como disse algu�m, "a ora��o � o poder do homem e a fraqueza de Deus" pela Sua condescend�ncia para com Seus filhos infinitamente amados.

*** "�transformando-se ent�o em objetos de pr�ticas m�gicas�".

Ent�o, quando n�o fundamentada na bondade divina, sen�o pretendendo origin�-la no homem ou nas suas t�cnicas.

A LEI MORAL. INJUSTI�A. IMORALIDADE � Se Deus � dizem � com o milagre pudesse evitar o efeito esperado por uma determinada lei da natureza f�sica, estaria modificando essa lei. Ora, ent�o tamb�m poderia modificar as leis morais, E se Deus pudesse agir em oposi��o � lei moral onde ficaria o Deus que os tradicionalistas apresentam sempre como guardi�o da virtude, protetor da moral, advers�rio constante do pecado e juiz severo da maldade?

A possibilidade do milagre � dizem outros � iria tamb�m contra a justi�a divina, t�o proclamada pelos tradicionalistas ou defensores do milagre. Porque esses excepcionais benef�cios de Deus seriam reservados a muito poucas pessoas privilegiadas, sem que se possa admitir que sejam rejeitadas outras ora��es de tant�ssimos outros, inclusive talvez mais dignos e merecedores.

* O te�logo protestante Sabatier, no finalzinho do s�culo XIX, chamava a aten��o dos modernistas cat�licos para o aspecto moral como sendo o principal motivo em que deveriam insistir, liberais protestantes e modernistas cat�licos, para provar (?) a impossibilidade do milagre: "As raz�es f�sicas e l�gicas S. completamente secund�rias. A verdadeira raz�o � toda religiosa: o milagre � imoral. A igualdade de todos perante Deus � um dos postulados da consci�ncia religiosa, e o milagre, como favor especial de Deus, s� faz abaix�-Lo ao n�vel dos caprichosos (?) tiranos da terra"31.

* E pela mesma �poca Jules Simon insistia no mesmo motivo: "Se Deus (�) interv�m hoje e repulsa amanh� o Seu concurso, se concede a um ou que recusa a outro, se escolhe arbitrariamente (?) entre os homens, se se torna semelhante a n�s, acess�vel � colera e � piedade, inseguro (?) nas Suas resolu��es, impotente (?) nos Seus desejos e nos Seus atos; a Provid�ncia ent�o deveria mudar de nome e chamar-se Destino. Deixemos esses deuses humanos aos te�logos pag�os, e deixemo-nos de meter em Deus paix�es para salvar-lhe a liberdade (�) O pai de fam�lia n�o faz distin��o entre seus filhos"32.

� O que est�o dizendo os racionalistas? O que est�o repetindo os modernistas? O �bvio ululante! Evidente! E por isso mesmo rid�cula obje��o. Certamente seria contra a santidade e justi�a de Deus, seria contra a Divina Provid�ncia e seria fazer um deus pag�o, utilitarista escravo dos homens, se Deus interviesse milagrosamente no mundo a qualquer simples pedido de suas criaturas, se evitasse todas as calamidades e desastres. Ou ao menos se obedecendo a todas as preces curasse todos os doentes, socorresse todos os miser�veis� Mas que fil�sofo ou te�logo tradicionalista defende esta tolice?

� Ent�o os milagres ou, por exemplo, Lourdes desceria ao baixo n�vel e se igualaria a um terreiro de umbanda, �s "tendas da f�" de um pentecostal protestante, ou �s sess�es de sana��o dos carism�ticos cat�licos ou de qualquer outro curandeiro, todos ilegais exploradores da histeria�

� Ent�o o supranormal tornar-se-ia normal. O extraordin�rio viraria comum. Contraditoriamente o milagre deixaria de ser milagre. Tornar-se-ia indiferenci�vel, n�o serviria para sua finalidade de "assinatura" de Deus.

� Sendo contradit�rio o milagre agir em todos e sempre, necessariamente tem de haver desigualdade ("ad extra"). Mas essa desigualdade necess�ria de modo algum implica injusti�a divina. Acaso h� duas folhas de �rvore exatamente iguais? Dois animais exatamente iguais? Dois seres humanos id�nticos? H� duas coisas exatamente iguais em todo o imenso universo? A infinita variedade do Criador nunca se repete�

� Contrariamente ao que a obje��o racionalista e modernista sup�e, as leis f�sicas agem cegamente e t�m um valor particular; enquanto o milagre age livremente, visando a sua finalidade superior, esta sim em benef�cio de toda a humanidade: h� muitos tipos de milagres, mas mesmo nos milagres de cura, destacados pela miopia racionalista e modernista como "nepotismo", a cura de uns poucos corpos visa a cura de todos os esp�ritos, a viS. restitu�da a uns poucos olhos destina-se a abrir todas as mentes � luz da Revela��o.

Uma verdade incontest�vel� � Por detr�s dos diversos aspectos das obje��es anteriores, aspectos que podemos englobar sob o denominador comum de de�smo, h� uma grande verdade. Mas interpretada mal e mal aplicada.

A verdade indiscut�vel � a imutabilidade divina. O meio m�stico, meio fil�sofo pe. Nicol�s Malebranche, no come�o do s�culo XVIII, exp�e encomi�stica e nisto muito acertadamente a imutabilidade divina. Deus n�o modifica Seus decretos eternos.

Mas a afirma��o da imutabilidade divina n�o impede que Malebranche afirme tamb�m a interven��o de Deus no mundo. Lamentavelmente caindo no exagero. Uma interven��o cont�nua. No p�lo oposto dos de�stas. As for�as da natureza n�o passariam de meras ocasi�es para a a��o de Deus (erro chamado ocasionalismo):

"N�o, Deus n�o modifica os seus decretos ap�s t�-los emitido (�) Acreditar em oscila��es da vontade divina � cair no paganismo. � meter Deus no tempo e no espa�o. � despoj�-lo da Sua infinitude. N�o pode ser infinito se n�o � imut�vel, e n�o pode ser imut�vel se Sua vontade se modifica (�) Deus v� e faz imediatamente o que � melhor. Ele n�o Se corrige, n�o age em dois tempos, como n�s que somos fracos. N�o h� semelhantes voli��es sucessivas, das quais uma corrige a outra (�) Ou nada h� provado em metaf�sica, ou a imutabilidade de Deus est� certamente provada; e se o est� significa dizer que Deus n�o cambia suas leis, o que equivale a dizer que n�o se cambia a Si mesmo"33.

[continua]

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