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6º) “O
MILAGRE IMPEDIRIA O RACIOCÍNIO”? — Muitas das tergiversações contra o milagre
lançadas pelos racionalistas e seu eco irracional pelos modernistas rodopiam ao
redor da caluniosa suposição de que… *** … os tradicionalistas estariam defendendo o
milagre como “corriqueiro”, “caprichoso”, “brincadeira infantil”
etc. — Disparam contra outro alvo. Os tradicionalistas
não defendem semelhante absurdo. Já frisamos que essa contínua ou caprichosa
interferência de algum entre milhões de exus, espíritos de mortos, demônios etc.
só existe na imaginação dos supersticiosos, nada tendo a ver com a seriedade do
milagre. — Um fenômeno supranormal ou milagre só acontece
excepcionalmente. Mesmo que só fosse por isso não pode perturbar em verdade os
trabalhos de um cientista. — Queremos fatos: alguma vez algum sábio teve a
mínima dificuldade em realizar seus trabalhos, por aceitar os milagres?
Na realidade é difícil decidir sobre o que é mais
surpreendente: a pouca habilidade dos racionalistas em disfarçar sua má
intenção, a “irreflexão teológica” dos modernistas ao repetir tais sandices ou o
infantilismo das pessoas cultas que seguem a correnteza… Afirmar que a remota
eventualidade do milagre, e em circunstâncias bem definidas, impede o trabalho
de pesquisa e inclusive o raciocínio equivale a eles mesmos reconhecerem que
racionalistas, modernistas e essas pessoas cultas realmente S. incapazes de
qualquer atitude científica neste tema dos milagres e que a seu respeito
perderam toda a capacidade de raciocínio. É como se um moeiro mandassse inverter
imediatamente a direção das rodas do seu moinho, porque ouviu falar que Josué,
implorando a Iahweh, fez que o rio Jordão invertesse o fluxo das suas águas o
tempo suficiente para que passassem os hebreus (interpretando o relato ao pé da
letra). Como se o suposto milagre houvesse trocado a lei: de agora em diante os
rios correrão de baixo para cima! Abramos um parêntese para lembrar o fato: “Iahweh disse a Josué: ‘Hoje começarei a
engrandecer-te aos olhos de todo Israel, para que saibam que assim como estive
com Moisés estarei contigo. E tu ordenarás aos sacerdotes que levam a Arca da
Aliança, dizendo: Quando chegardes à borda das águas do Jordão, parareis no
próprio Jordão’. Disse então Josué aos filhos de Israel: (…) ‘Nisto
reconhecereis que o Deus vivo está no meio de vós’(…) Assim que os
transportadores da Arca chegaram ao Jordão e que os pés dos sacerdotes se
molharam nas bordas das águas — pois o Jordão transborda pelas suas margens
durante toda a ceifa — (março e abril, pelo descongelamento das neves do monte
Hermon), as águas que vinham de cima pararam e formaram uma só massa a uma
grande distância (…), ao passo que as águas que desciam em direção ao mar (…)
ficaram inteiramente separadas. O povo atravessou defronte de Jericó. Os
sacerdotes que transportavam a Arca da Aliança de Iahweh detiveram--se no seco,
no meio do Jordão, enquanto todo Israel passava pelo seco, até que toda a nação
acabou de atravessar o Jordão” (Js 3,7-17). — O acontecimento não foi milagre. “O que se pode
explicar naturalmente…” Precisamente naquele mesmo lugar, no vale de
Adamã-Damieh, em 1267 o Jordão secou durante dez horas por um desmoronamento do
terreno que obstruiu a passagem das águas. — Mas com Josué ocorreu precisamente quando o
precisavam. Anunciado. E de grande utilidade. No mínimo especialmente
providencial, mesmo que só fosse o Deus se servir do que sabia que haveria de
acontecer naturalmente. Voltando ao tema: Quando Jesus nas bodas de Caná
transformou a água em vinho (tipo de milagres que vimos no capítulo 2), o que é
que deveriam fazer todos os comensais? Segundo racionalistas e modernistas (se é
que aceitassem ao menos esse milagre!) “logicamente” (?!) deveriam levantar-se
imediatamente e dispensar todos os seus operários das vinhas, porque de agora em
diante não é com uvas senão com água que se faz o melhor
vinho! E o agricultor já não deve se afanar no seu árduo
trabalho em campos enormes, nem os pescadores passar a noite toda lançando e
recolhendo redes. Depois do que Jesus fez (estudaremos este tipo de milagres no
volume 3), já bastam cinco pães e dois peixes para saciar cinco mil homens
famintos (sem contar as mulheres e as crianças, que, mesmo segundo os mais
afoitos machistas, também comem). ConcluS.? Porque em Lourdes, o santuário mais
visitado por doentes para pedir a saúde, hão acontecido dezenas de milagres
indiscutíveis, não por isso de agora em diante devemos fechar todos os milhares
e milhares de hospitais e aposentar todos os milhões de médicos e enfermeiras em
todo o mundo! Não vamos distribuir por todo o mundo água de Lourdes para todos
os doentes, e fechar todos os milhões de farmácias.
7º)
“NECESSIDADE CIENTÍFICA”? — ***
Segundo os racionalistas, se as predições da ciência pudessem falhar, a vida
seria impossível… — Na realidade as predições da ciência, fora das
matemáticas e da filosofia puras, S. sempre condicionadas. A indução científica
fornece certezas dos fatos, não lhe
compete o campo das possibilidades. A
ciência experimental afirma que as coisas acontecem assim ordinariamente, assim
é a regra, assim é o efeito comum de tal lei da natureza… Não afirma, nem lhe
compete, que tal fenômeno resultante tenha de ser necessariamente assim
sempre. Todas as antecipações das ciências de observação
estão sob dois subentendidos: Será assim se um elemento novo não se introduzir
no círculo das influências registradas e se realmente estão registrados todos os
antecedentes. Um dos “elementos novos” que podem introduzir-se e um dos
“antecedentes” que é impossível registrar previamente S. a liberdade e o poder
divinos. O filósofo crítico (além de sociólogo, fisiólogo e
historiador) francês Hippolyte Taine (1828-1893), com toda razão reclamava
contra seus contemporâneos racionalistas: “Por mais bem estabelecida e
verificada que seja uma destas leis, se pretendemos aplicá-la fora do pequeno
círculo de espaço e do curto fragmento de duração em que foram confinadas nossas
observações, ela (ou o efeito ou fenômeno resultante) não é mais que provável
(…) É possível (certamente o Onipotente pode) que (…) algumas circunstâncias
desconhecidas intervenham para anular ou alterar (o resultado; não propriamente)
a lei”12. 8º) AS
LEIS CONTINUAM — Com a
intervenção do milagre, as leis da natureza, a tendência, continuam plenamente
inatingidas. Também em meio ao crepitar absurdo dos ataques
racionalistas reclamava o prestigioso teólogo e professor de lógica Didiot, e
dedicava um livro inteiro a demonstrar que “o milagre divino não é mais
perturbador que a intervenção (é também outra força) de um médico, de um
cirurgião, de um advogado, de um operário etc. Acaso estes com sua intervenção
(em definitivo não contínua, como S. as leis da natureza) derrubam os quadros da
fisiologia, da biologia, da sociologia? Menos ainda (muitíssimo menos, sem
comparação possível) os derruba o concurso de Deus (quando se trate de Divina
Providência, ou a intervenção do poder divino quando se trate de verdadeiro
milagre), mais maravilhoso e extraordinário, sendo mais sábio, mais flexível,
mais delicado e infinitamente poderoso”13. O milagre não derroga lei nenhuma. É pura
deturpação racionalista falar em freqüentes e caprichosas derrogações das leis
da natureza, ou em derrogações perpétuas pelo milagre. Uma lei submetida a
freqüentes derrogações não é mais lei. Pelo contrário, se não houvesse leis da natureza,
nem se poderia falar em milagre. É precisamente porque contrasta vivamente com
os efeitos das leis naturais que o milagre tem sua significação própria, isto é,
testemunha a intervenção de um Agente superior à lei. Suponhamos que todos os
mortos, ou mesmo o maior número deles, revitalizasse durante os dez dias
seguintes à morte. Que teria então de notável que Jesus Cristo revitalizasse
Lázaro ao quarto dia? O milagre, pois, não destrói a lei e a ciência,
supõe-nas. Se a ciência não houvesse demonstrado as leis da natureza, aí é que
não teria sentido falar de milagres14. É até cômico pretender que um milagre aqui em
nosso mundo “subverte o jogo eterno das forças cósmicas”! Mas nem as daqui de
nosso pequenino mundo. * Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal®: http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ******************************************************************* |
