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OS
RACIONALISTAS APROVEITARAM — É
claro. Poderíamos definir os racionalistas como verdadeiros cientistas no que
não importa muito, e falsos cientistas no mais importante. Falsos cientistas que
não procuram a realidade, unicamente pretendem aproveitar dados científicos
para, modificando-os quando preciso, dinamitar os
milagres. O movimento browniano, ou mais abrangentemente
toda a revolucionária física quântica, parecia constituir um grande arsenal
contra o milagre: Se nada é previsível, por que estranhar-se do que pareceria
milagre? Assim na segunda década do século XX acordavam do letargo, ao parecer
confirmadas, algumas pseudofilosofias racionalistas anteriores, que haviam
ficado como acaçapadas perante o determinismo absoluto
vigente: Por tratar-se de pseudofilosofias, e porque evidentemente tem
de ser a reta filosofia da ciência a que deve julgar as pretensões dos
racionalistas “cientistas”, ao mesmo tempo que exponho brevemente o essencial
dessas pseudofilosofias, às vezes irei adiantando alguns pontos da
análise: O
IDEALISMO — Um autêntico e ótimo
filósofo, tradicionalista ou defensor do milagre, o padre S. Schwalm, em plena
polêmica sobre os milagres, em 1896, equacionava assim o idealismo: “Em que
ficam, segundo a crítica idealista, esses ‘sinais evidentes e necessários da
presença do sobrenatural na Igreja’? Tornam-se nulos, porque para um idealista
(como para qualquer outro racionalista aparentemente utilizando a física
quântica) as leis naturais (…) não existem, ou se existem nada sabemos delas. O
milagre não é mais que uma sombra de derrogação (?) da sombra de uma lei”9. *** Segundo essa corrente pseudofilosófica,
capitaneada por Kant, Fichte, Hegel etc., não poderíamos chegar à realidade
objetiva, tudo dependeria do nosso pensamento. — Eu disse corrente pseudofilosófica porque sem fundamento
nos fatos cientificamente estabelecidos: essencialmente o idealismo se opõe ao realismo. Não apoiando-se na realidade,
não é filosofia, é sofisma, é deturpação. E assim bastam duas palavras e um
mínimo de “senso comum filosófico” para derrubar toda uma famosa e monumental
estrutura completamente sem fundamento. *** Segundo Immanuel Kant (1724-1804)10 se a ciência não chega diretamente à
realidade, senão através das categorias subjetivas da razão, como pode ter a
petulância de formular leis da natureza? Essas não S. leis que a realidade impõe
à nossa mente, senão leis que nossa mente impõe à
realidade. — E esse princípio fundamental, portanto, também é
uma “categoria subjetiva da razão”. — Ora, com esse princípio fundamental que ele
mesmo estabeleceu, o próprio Kant teria de queimar toda sua pseudo-filosofia
precisamente porque não surge da realidade, senão que foi construída sobre
deturpações mentais da realidade. É seu princípio
fundamental! A “NOVA
FILOSOFIA” — Igualmente
ressurgiram os conceitos falsamente filosóficos da “nova filosofia” de Emile
Boutroux, Henri Bergson, Pierre Duhem etc., também aparentemente confirmados
pela “nova física”. Para eles não existe (?) o determinismo (relativo)
que a ciência de observação postula, na realidade existe o contingentismo
(absoluto ou quase absoluto — ?). As chamadas leis da natureza mostram “uma
natureza determinável, melhor que determinada” (?), a “ciência mostra uma
necessidade difusa (?) crivada de contingências”, trata-se de uma
“determinabilidade indefinida (?) da natureza”, etc. Segundo Bergson (1859-1941), matéria e espírito
não S. duas realidades diversas (?), senão duas faces do mesmo “impulso vital”
(?), e assim o mundo é a vida (?) contingente (?) e livre (?) de todas (?) as
coisas. A vida não se repete e, portanto, do que fez não se pode prever o que
fará. As chamadas leis da natureza aparentam ser fixas, determinadas, na verdade
tudo (?) é móvel, livre e contingente; a vida (?) de cada coisa é relacionada e
contingente pela vida de todas (?) as outras coisas no cosmos todo11. Ora, se não há propriamente leis, se tudo em
último termo é imprevisível, não tem sentido o chamado milagre: é mais um
acontecimento imprevisível como outro qualquer, embora estatisticamente menos
freqüente. A esta pseudofilosofia se agarrava até sua morte
em 1954 o líder racionalista Edouard Le Roy: para ele como para seus seguidores
racionalistas o milagre é simplesmente um maior esforço do “impulso vital”, uma
maior vitória dessa face ou aspecto da vida que chamamos espírito sobre essa
outra face que chamamos matéria. Um escritor, J. Ruskkin, na época bastante
conhecido, gabava-se: “Se um outro Josué mandasse o Sol parar e se o Sol
obedecesse e depois este homem viesse como taumaturgo reclamar minha obediência,
eu responderia: Quê? Você acha milagrosa a parada do Sol? Engana-se. Eu estava
sempre à espera. A única maravilha para mim era que continuasse a caminhar”12. INTERLIGAÇÃO UNIVERSAL — A interligação de cada fenômeno, por mínimo que
seja, com todo o cosmos, que já formava parte importante da “nova filosofia”,
constituiu-se na medula da pseudofilosofia de Henri Poincaré
(1854-1912). Grande matemático, grande físico e grande
astrônomo, no final da sua vida de grandes méritos caiu na tentação de meter-se
no campo da filosofia. Em numerosas oportunidades deslizou para uma
pseudofilosofia arrastado pelo ambiente racionalista13. *** “Toda lei particular podemos ter certeza de antemão que só pode ser aproximativa”. — E então de onde tira a certeza dessa sua lei?
Manifesta contradição. *** “As verificações experimentais podem ser aproximações”, “o enunciado de uma lei
qualquer é forçosamente
incompleto”. — Como é, então, que suas leis pseudofilosóficas
seriam tão completas, tão plenamente
não-aproximações, que não admitem
exceções? *** “Estará seguro…” — É muito grave confundir a certeza metafísica com
a certeza física e moral. *** … “de não haver esquecido nenhuma condição só
quando haja descrito o estado do universo todo inteiro (?!) no momento t; porque
todas as partes (?!) deste universo podem exercer uma influência mais ou menos
grande…” — E por que não nula, ao menos algumas dessas
partes mais longínquas e pequeníssimas?! *** … “sobre o fenômeno que deve (?!) se produzir no instante t + dt”14.
******************************************************************* Fernando De Matos: ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal®: http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ******************************************************************* |
