Direito_Sa�de -- 02.06.2001
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As informa��es desse grupo
s�o de livre divulga��o.
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CityLink: Edgard Amorim
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Transplantes e morte cerebral
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Tema que envolve quest�es de dif�cil equacionamento � o relacionado com o transplante de �rg�os extra�dos de seres humanos, cuja morte cerebral � caracterizada e atestada por especialistas m�dicos.

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J� em junho do ano passado, not�cia procedente de Porto Alegre dava conta de que setenta e duas pessoas ingressaram na Justi�a Federal daquele Estado, com uma interpela��o judicial contra o Conselho Federal de Medicina para que respondesse a 39 quesitos relacionados com a morte encef�lica, base para transplantes.

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A interpela��o se fundamentou no direito constitucional � vida e na �tica m�dica. O grupo re�ne advogados, psic�logos, engenheiros, empres�rios e at� uma ju�za do trabalho.    Questionou-se ali a base cient�fica dos crit�rios e testes aprovados pelo Conselho Federal de Medicina para caracterizar a morte encef�lica.

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Na pr�tica, se alguns testes fossem reformulados, a medida poderia significar - segundo os interpelantes - a salva��o e recupera��o de 7 mil das 10 mil pessoas em m�dia atingidas com traumatismo craniano por ano, no pa�s, e que s�o, exatamente as que recebem o diagn�stico de morte encef�lica, ficando sujeitas a extra��o de seus �rg�os para transplantes.

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A interpela��o judicial se estendeu � Uni�o e ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul e confronta com toda a estrutura de transplantes do pa�s. A interpela��o questiona, ainda, a Resolu��o 1840, do Conselho Federal de Medicina, que regulamentou a Lei de Transplantes, por incluir, entre outras coisas, o teste de apn�ia (desligamento de aparelhos respirat�rios por at� 10 minutos). Esse teste � caracterizado como "teste assassino", por induzir, agravar e levar � morte dos pacientes", conforme acusa o idealizador daquela medida judicial, o advogado ga�cho, Celso Galli Coimbra.

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Seu irm�o, C�cero Galli Coimbra, da Escola Paulista de Medicina, em trabalho publicado na respeitada revista cient�fica brasileira, a "Brazilian Journal of Medical and Biological Research" , al�m de outros, mostram que os exames atuais, mesmo o mais seguro deles, a angiografia cerebral, n�o detectam um n�vel de fluxo sang��neo muito baixo no c�rebro, como ocorre em casos de traumatismos cranianos, insuficiente para que as c�lulas cerebrais realizem suas fun��es, mas que � suficiente para mant�-las vivas.

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Com isso, e com o uso de tratamentos como a da hipotermia (esfriamento do corpo a 33 graus), mostrados por C�cero, uma m�dia de 70% de pacientes antes caracterizados como tendo morte encef�lica, se recuperaram e voltaram � vida e ao trabalho normais, conforme comprovado em tratamentos em v�rias partes do mundo, como no Jap�o. O que mostra qu�o grave, do ponto de vista �tico, � a quest�o do uso de �rg�os, para transplantes, de pessoas tidas como mortos encef�licos.

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Essa � a raz�o por que a condena��o a tais procedimentos acabou por reunir o apoio de 19 pa�ses, em declara��o, assinada por 117 cientistas, m�dicos, psiquiatras e advogados, que come�ou a ser divulgada em 11 de dezembro do ano passado, pela Internet, den�ncia que "pessoas condenadas � morte pela chamada morte encef�lica n�o est�o certamente mortas".

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Um de seus signat�rios, o citado neurologista C�cero Galli Coimbra, considera "homic�dio" o teste da apn�ia, que � um dos meios utilizados no Brasil para determinar se ocorreu ou n�o a morte cerebral.

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A mobiliza��o de cientistas se baseia, tamb�m, segundo informa Jos� Mitchell  (Jornal do Brasil, 12.12.00, p. 2),  na mensagem que o papa Jo�o Paulo II enviou ao Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes, em agosto passado, quando alertou para a exist�ncia de controv�rsias na comunidade cient�fica sobre a morte cerebral, ressaltando que h� necessidade de comprova��o da "completa e irrevers�vel cessa��o de toda a atividade cerebral, no c�rebro, cerebelo e tronco encef�lico", para que se concretiza a morte efetiva e se fa�a a retirada de �rg�os para transplante, de forma que se preserve o direito � da vida - bem maior do homem (cf. meu artigo "Direito � Vida", em Opini�o, Estado de Minas, de 20.10.97, p. 4) - de forma eticamente aceit�vel.

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Eis porque � sociedade como um todo deve se envolver no debate da quest�o, exigindo defini��es mais precisas dos meios cient�ficos.

 

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Edgard Amorim, advogado, ex-deputado federal,
professor (aposentado) de direito da UFMG.

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Quem quiser maiores informa��es ou qualquer material sobre o assunto, ou ainda integrar gratuitamente o grupo de Interpelantes que j� ultrapassa 150 pessoas em todo o Brasil, pode entrar em contato comigo pelo endere�o  [EMAIL PROTECTED]   
O Conselho Federal de Medicina continua fugindo do debate transparente, limitando-se a afirmar para a popula��o que "morte encef�lica n�o se discute":  provou-se que n�o � verdade.  Quanto mais tempo esse �rg�o fugir do enfrentamento transparente e honesto das quest�es t�cnicas e cient�ficas suscitadas MAIORES ser�o suas responsabilidades para com a sociedade e para com os familiares dos doadores que poderiam ter sido salvos para uma vida normal.
 
[]'s
 
Celso Galli Coimbra
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