N�o vivemos a sensa��o de perda, perda de sentido, perda de valor como pessoa humana, quando n�o somos aceitos para o trabalho, ou quando perdemos o emprego ou por sermos portadores de uma doen�a qualquer?


Quem j� n�o viveu o sentir-se "diferente" e fora do caminhar do grupo social, de sua comunidade?

E sentimos vergonha. Vivemos a solid�o. E nos afastamos mais, mais para mais perto da morte.

Deixamos de questionar, e se vai o sorriso. Assumimos o papel do marginalizado, aquele que est� � margem do correr de uma vida "normal".

Porque n�o h� qualquer tributo para pagar e compensar a rejei��o social, melhor dizendo, a exclus�o social.

Quem podemos apontar como o respons�vel por t�o dura tortura existencial, numa combina��o onde o homem � animalizado e reduzido a objeto do mercado?

Outra vez.
Outra vez sai do sil�ncio uma voz que me pergunta:

Quais s�o nossos valores?


 
 
Cristiane
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Mais algumas palavras
 
 
 
Como libertar-se das amarras ideol�gicas que impedem o homem de conscientizar-se de si e da sua humanidade ??
 
 
Foi com esta pergunta que me debati sobre o artigo de Rezk, Marco Aur�lio, e Gillermo Ferschtut.
 
 
E esta indaga��o se traduziu, em mim, como uma descoberta. Sim, uma descoberta, posto que a pergunta oferece um in�cio de resposta. quando nos diz "amarras ideol�gicas que impedem o homem de conscientizar-se de sua humanidade".
 

As palavras que seguem tiveram inspira��o na leitura do artigo abaixo transcrito e indicado. O texto � longo, raz�o por que neste e-mail aparece apenas parte, em alguns par�grafos. Aos debatedores e especialmente ao Sr. Rezk, meus sinceros agradecimentos.
 
 
Ao Marco Aur�lio, que fez os primeiros questionamentos, posso dizer que, embora eu j� tenha pedido ao tamborete "traga-me toda a loucura" (ou ser� que � "traga-me toda a dor" ??), n�o suportei absorv�-la at� o �ltimo gole. Ela, a loucura, levar-me-ia � morte nesta dimens�o da mat�ria.
 
 
 
Lembrei agora do professor Warat. 
Em 'O Direito e a Psican�lise'.
Onde estar�?
 
 
O que eu pretendia quando pedi a loucura?
Transformar a pr�pria realidade.
 
 
Por que desisti da morte f�sica?
 
 
Porque acreditei que o amor � verdadeiro.


Cristiane Rozicki
s�b., 2 de junho de 2001.
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Pe�o desculpas pelos erros, pelo abuso de sentir a coragem de tentar escrever sobre uma �rea do conhecimento que nunca estudei na vida, que n�o tenho propriedade para falar.
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Guillermo:
"Hay un des-encuentro consigo mismo aparte del des-encuentro con los dem�s porque adem�s de la p�rdida �l mismo se siente perdido en el tiempo y en el espacio."



Os autores fazem uma an�lise dos aspectos psicanal�tico - no que se refere ao indiv�duo -, e sociol�gico, o materialismo hist�rico marxista - no que tange � vida coletiva, social -. Mostram, pouco a pouco, num debate longo, as raz�es da crise psicanal�tica no indiv�duo que perde sua auto-estima, no contexto da crise capitalista em que se encontra a sociedade, dentro do processo hist�rico capitalista que procura se recompor permanentemente, em continuadas re-edi��es, e que, no entanto, em franca transforma��o, exige de n�s todos a conscientiza��o em rela��o � realidade.


Sim, precisamos da solidariedade para nos reconfortar e passar � constru��o de uma nova sociedade.


Se pretendermos a continuidade do sistema atual de produ��o, que cria os empregos ou aniquila-os, estaremos fazendo exatamente a mesma coisa. Estaremos reproduzindo a atual doutrina excludente da produ��o sem question�-la. Tentaremos manter um sistema que tem seus fundamentos na produ��o capitalista, num ambiente de exclus�o.


Esta crise social, e a viol�ncia, que se manifesta em todo o territ�rio do globo terrestre, parece dizer-nos de um mundo em potencial transforma��o.


"Esse desregramento social se abate, logicamente, sobre as unidades vivas da sociedade, que s�o os homens (...)", explica Ant�nio Rezk, referindo-se �s crises, individual e coletiva.


Mas onde estar�o os referenciais da nova sociedade que pode surgir?


Como deixaremos a viol�ncia da sociedade em que vivemos agora?


Para "(...) os indiv�duos "agredidos" pela viol�ncia (...) social,  numa "sociedade sem regras", apenas a competi��o parece ser o "(...) referencial de virtude e de valor" (Rezk).


O que seria melhor fazer?


Melhor preparar os homens para transform�-los na consci�ncia da sua humanidade, conclui Rezk: "melhor ser� prepar�-los para serem agentes da transforma��o, transformando-os na consci�ncia da sua humanidade".


Isto porque estamos numa sociedade que, desencontrada, desregrada, diz Rezk, cujo "(...) fundamento ideol�gico n�o consegue mais justificar-se perante o indiv�duo em crise. Se n�o conhecermos a din�mica desse processo, n�o saberemos como super�-lo (...)".

Ant�nio Reck, em _Um_debate_sobre_trabalho_e_dignidade_:

"Ou seja: se n�o posso restituir ao indiv�duo a materialidade do trabalho, coisificado na sua mente e na sua subsist�ncia como seu patrim�nio e seu mundo, como uma condi��o sine qua non de estrutura��o da sua exist�ncia, devo, ent�o, procurar "libert�-lo" das
amarras ideol�gicas que o impedem de conscientizar-se de si e da sua humanidade, e da ess�ncia do sistema que o oprime e violenta.
...
...
Mas este � um desafio que n�o pode ser colocado fora da realidade social em muta��o acelerada. Se os conflitos sociais se acirram - acirram-se as formas de luta, e o ressurgir de uma nova consci�ncia social, como resultado do pr�prio acirramento das lutas sociais, quando um est�dio hist�rico atinge o seu ponto de ruptura. Infelizmente, este tem sido um processo de suor, sangue e l�grimas. Os homens de paz, como n�s, com � que poder�o interferir nele?" (Rezk)
...
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"Talvez estabelecendo os fundamentos de um novo conhecimento s�cio-econ�mico, ou de um novo pensamento pol�tico-social." (Rezk)
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"H� um dado complexo nessa rela��o do homem com o trabalho e com a dignidade, j� que as dimens�es do problema s�o mundiais. Se o desabar da sua dignidade, ocasionada pelo desemprego, se origina de uma perspectiva sinistra do seu futuro, reerguer essa dignidade significar� dar-lhe um novo futuro. Se n�o temos controle sobre o sistema dominante, e se o sistema dominante n�o lhe d� mais futuro, que futuro podemos dar-lhe sen�o criando na sua mente um novo futuro, que seja a ant�tese do sistema? Mas se esse futuro n�o for fact�vel, estaremos criando-lhe uma nova ilus�o, que precisar� de uma simbologia, (como est�o fazendo as religi�es - velhas e novas - numa dimens�o de engodo nunca vista) e que, em n�o sendo fact�veis, o abater� mais adiante. Logo, o despertar nele a consci�ncia da sua pr�pria humanidade, �nica origem leg�tima de qualquer dignidade, e �nica forma de impedir a sua degrada��o, passa por uma a��o pol�tica consistente de quem o envolve num grupo de solidariedade; ou seja, criar um objetivo fact�vel para a a��o coletiva, que rompa a domina��o ideol�gica do sistema e crie o seu pr�prio espa�o, atrav�s do qual ele pode se inserir na luta social para transformar o ambiente que o aniquilou. E, nesta luta, ele pr�prio se transformar na sua consci�ncia humana." (Rezk).
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Se a simplifico na indaga��o que agora fa�o, a simplifico para provocar. Se me permitem a ousadia de opinar sobre um terreno que n�o � meu - j� que me instigaram -, indago: n�o � chegada a hora das ci�ncias sociais e das ci�ncias do homem, enquanto unidade do social, revisarem-se a si mesmas?
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Para exemplo, vejamos a quest�o objetiva colocada pelo documento do Dr. Ferschtut: a concep��o da dignidade humana advinda do trabalho. Ora, se o mundo do trabalho sofre uma transforma��o radical, com a mudan�a estrutural do sistema de produ��o, e deixa de existir na sua forma hist�rica de um tempo que passou, n�o deve aquela concep��o que pertence a um mundo que come�a a findar, findar-se com ele??
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Antonio Rezk
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Texto transcrito do F�rum Interpsic, debate ocorrido via e-mail entre agosto e setembro de 1999.
Ant�nio Rezk ([EMAIL PROTECTED]) � Coordenador nacional do MHD - Movimento Humanismo e Democracia, Diretor do IPSO - Instituto de Projetos e Pesquisas Sociais e Tecnol�gicas, formado em Estudos Sociais, ex-vereador de S�o Paulo, ex-deputado estadual de SP.
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em:
http://mhd.org/artigos/rezk_ferschtut.html
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segue aproximadamente 50% do artigo
Um debate sobre trabalho e dignidade
nas menss. com o seguinte assunto:
Libertar-se das amarras ideologicas que impedem o homem de conscientizar-se de si e da sua humanidade -
n�meros 2 e 2.1
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