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A conex�o entre nutri��o e imunidade, especialmente na
incid�ncia de infec��es e tumores � conhecida desde a
antig�idade.
Existem relatos na literatura hindu sobre este tema em
textos com quase cinco mil anos de idade e, Hip�crates tamb�m relacionou a
defici�ncia nutricional com a susceptibilidade �s infec��es. H� 165 anos o
Dr. Simon (patologista ingl�s) relatou que as crian�as que morriam por
desnutri��o cal�rico-prote�ca (PEM) apresentavam uma atrofia do timo com
perda de sua arquitetura.
Intuitivamente n�s todos relacionamos uma
boa sa�de e resist�ncia �s infec��es com um bom sistema imune (SI) e uma
boa alimenta��o.
Scrimshaw, em 1959, fez uma revis�o da literatura
com rela��o ao tema Nutri��o e Resposta Imune, no qual concluiu que:
"Muitas das importantes infec��es das popula��es humanas tornam-se mais
severas quando h� m�-nutri��o e muitas infec��es isoladamente causam
altera��es nutricionais".
Somente nos �ltimos 25 anos
estabeleceu-se uma rela��o definitiva entre a nutri��o e a
imunologia.
Foi no fim da d�cada de 60 que come�aram os estudos
s�rios para estabelecer como s�o as intera��es e para compreendermos que a
alimenta��o � um fator cr�tico da resposta imune e esta por sua vez, � um
�ndice muito sens�vel do estado nutricional do paciente.
Ent�o
vemos que defici�ncias leves, sub-cl�nicas de alguns nutrientes s�o
significativos nas altera��es da resposta imune, e esta pode ser a causa
de diversas doen�as.
Beisel (1992) define a S�ndrome de
ImunoDefici�ncia Adquirida Nutricional (NAIDS) e relata que ela � a causa
de mais de 40.000 mortes de crian�as em pa�ses subdesenvolvidos, al�m de
outras incont�veis mortes de adultos por NAIDS em hospitais
modernos.
Muitas doen�as cr�nicas, incluindo infec��es,
aterosclerose, artrite, c�ncer tem suas ra�zes em altera��es do sistema
imune e seu curso pode ser alterado com o uso de tratamentos
nutricionais.
Atualmente a pergunta que devemos fazer n�o � se a
desnutri��o est� afetando a imunidade, mas sim, como a resposta imune est�
sendo afetada e quais nutrientes s�o mais importantes e qual a dose �tima
de cada nutriente que deve ser ingerido com o objetivo de obter uma
resposta imune com benef�cios m�ximos em cada situa��o.
As
avalia��es n�o s�o f�ceis e muitas vezes as publica��es mostram resultados
contradit�rios devido �s dificuldades de padroniza��o dos diferentes
par�metros tanto nos estudos epidemiol�gicos como nos experimentais, uma
vez que os efeitos dos nutrientes sobre as c�lulas do sistema imune e
sobre a resposta imune s�o bastante complexas. Os nutrientes derivados das
prote�nas, carboidratos e gorduras, assim como os micro-nutrientes,
vitaminas e minerais interagem sistematicamente nos diversos
compartimentos do sistema imune. O efeito de qualquer nutriente espec�fico
depende de sua concentra��o e de sua intera��o com os outros
nutrientes.
Al�m disso, os ant�genos (Ags) alimentares quando s�o
absorvidos podem estimular uma resposta imune causando uma resposta
inflamat�ria ou levando ao desenvolvimento de uma toler�ncia
imune.
As prote�nas alimentares s�o ao mesmo tempo fatores
nutricionais indispens�veis e tamb�m fortemente antig�nicas, portanto o
desenvolvimento de uma resposta imune adequada a estas subst�ncias � muito
grave; se for intensa n�o s� pode diminuir a absor��o das mesmas mas
tamb�m pode causar rea��es potencialmente perigosas (alergias
alimentares). Por outro lado e ao mesmo tempo, a incapacidade de eliminar
microorganismos ingeridos pode trazer conseq��ncias patol�gicas
conhecidas. A exposi��o p�s-natal a ant�genos alimentares e a aquisi��o da
flora intestinal s�o eventos cr�ticos que modulam o desenvolvimento do
sistema imunol�gico e a indu��o de toler�ncia oral a uma variedade de
ant�genos ingeridos.
Os benef�cios da toler�ncia oral �s prote�nas
alimentares s�o �bvios, mas cerca de 8% das crian�as e 1% dos adultos tem
hiperssensibilidades a alimentos ou alergias.
Esta condi��o se
associa tipicamente a rea��es mediadas pela IgE a glicoprote�nas dos
alimentos, embora existam alergias n�o mediadas pela IgE. As alergias
alimentares habitualmente s�o familiares (principalmente �s nozes, gr�os,
ostras, etc.) o que origina respostas gastro-intestinais, angioedema,
rinoconjuntivite e, embora menos freq�entemente, asma.
Os sintomas
ocorrem quando o ant�geno junta-se � IgE espec�fica, localizada nos
mast�citos, levando a degranula��o dos mesmos com libera��o de histamina,
serotonina e pept�deos vasoativos.
A exposi��o neo-natal precoce ao
ant�geno tem implica��es profundas � longo prazo, conduz, a depender dos
casos � indu��o de toler�ncia, sensibiliza��o al�rgica e imunidade
protetora.
Estudos epidemiol�gicos tem demonstrado que a doen�a
al�rgica em pa�ses industrializados � mais comum em �reas urbanas do que
nas �reas rurais e que � ainda mais freq�ente em pessoas com baixo poder
s�cio-econ�mico.
Na Europa ocidental a preval�ncia de alergia
respirat�ria e diabetes juvenil entre as crian�as tem aumentado em v�rias
vezes nos �ltimos quarenta anos. Tais observa��es podem ser consideradas
como produzidas, pelo menos em parte, pelos eventos moleculares e
celulares que ocorreram durante o per�odo de exposi��o inicial ao
ant�geno.
Estudos em animais sugerem que em alguns indiv�duos o
contato inicial com o ant�geno pode estar sendo feito pelos linf�citos
Th1, conduzindo a uma resposta de IgE fraca e transit�ria, resultando na
indu��o de toler�ncia. Em outros, o contato inicial pode estar sendo feito
pelos linf�citos Th2 que promovem uma resposta de IgE forte, conduzindo �
atopia. O contato inicial estabelecido seria um reflexo das intera��es
din�micas das citocinas e de outros fatores produzidos pelas c�lulas T,
macr�fagos e c�lulas acess�rias, estimuladas pelo ant�geno.
Devido
ao aumento da preval�ncia de v�rias alergias coincidir com a melhora nos
n�veis de sanidade, conserva��o e armazenamento de alimentos, qualidade da
�gua pot�vel, e outras medidas ambientais, tem-se sugerido que a flora
bacteriana que coloniza o homem tamb�m mudou, de modo que a matura��o e
desenvolvimento do sistema imunol�gico foram alterados.
�
importante fazer refer�ncia aos estados leves de desnutri��o, inaparentes,
ocasionados pela dieta ocidental habitual, considerada normal, pobre em
frutas, verduras frescas, legumes e gr�os integrais; rica em farinhas e
a�ucares refinados (que s�o privados de suas fibras e micro-nutrientes),
excessiva em prote�nas animais, gorduras saturadas e em azeites alterados
quimicamente(por hidrogeniza��o e/ou gera��o de is�meros trans). Estes s�o
prov�veis fatores de peso no surgimento precoce de doen�as imunol�gicas
pr�prias da velhice: aterosclerose, c�ncer, doen�as auto-imunes. Estas s�o
mais graves em classes m�dias e altas devido �s freq�entes dietas com o
objetivo de redu��o de peso, em geral com car�ncia de elementos essenciais
fazendo com que o objetivo m�dico de promo��o de sa�de seja confundido com
a busca por um corpo magro: a normaliza��o do peso deve ser uma
manifesta��o da boa nutri��o e de sa�de, mas n�o deve ser �s custas da
mesma.
H� v�rios exemplos de estudos epidemiol�gicos em diferentes
popula��es que observavam os tratamentos, caracter�sticas �tnicas, tipo de
alimenta��o e outras vari�veis que possam ser associadas com o tema do
papel da nutri��o na atividade do sistema imune.
� fato conhecido o
aumento da mortalidade infantil causado pelas infec��es em crian�as com
desnutri��o cal�rico-prot�ica.
As doen�as infecciosas s�o
influenciadas de forma diferente pelo estado
nutricional.
Grupo 1: O estado nutricional
influi fortemente sobre elas: sarampo, pneumonia por Pneumocystis carinii,
herpes, tuberculose (note que s�o todas doen�as causadas por pat�genos
intracelulares, sugerindo que o sistema imune celular seja mais afetado
pelo estado nutricional.)
Grupo 2: O estado
nutricional n�o influi sobre a infec��o: t�tano, encefalite
viral.
Grupo 3: H� evid�ncias de algum efeito
da nutri��o sobre o desenvolvimento e evolu��o da infec��o: AIDS,
esclerose m�ltipla (se considerarmos esta como causada por
v�rus).
Estudos realizados no Canad� (pa�s desenvolvido em que n�o
� comum a desnutri��o prot�ico-cal�rica grave) indicam que as crian�as com
baixo peso em rela��o � altura t�m um aumento de 50% nos dias de
interna��o hospitalar por infec��es comuns como otite e
pneumonia.
- As infec��es respirat�rias s�o mais freq�entes e de
maior dura��o nos obesos
- A esclerose m�ltipla na Noruega n�o
existe em popula��es da costa, onde o alimento principal � o peixe; por
outro lado, h� uma alta incid�ncia nas popula��es mediterr�neas, cujo
alimento de base s�o os latic�nios e farin�ceos.
- Aus�ncia de
doen�as auto-imunes e c�ncer em popula��es esquim�s.
- A incid�ncia
de diabetes juvenil e alergia alimentar aumentou v�rias vezes nos pa�ses
industrializados e � ainda maior nas �reas urbanas e empobrecidas destes
pa�ses.
- Aumento da incid�ncia de doen�as auto-imunes e c�ncer, em
rela��o com a diminui��o de doen�a cardiovascular devido ao aumento da
ingest�o de azeite de oliva.
- A probabilidade de morte � trinta
vezes maior em idosos hospitalizados com DTH negativa (hiperssensibilidade
cut�nea retardada). Esta resposta e tamb�m a sobrevida foram fatores
significativamente melhorados com a administra��o de diferentes doses de
vitamina E por v�rios meses.
- Em idosos sadios com alimenta��o
normal aparentemente suficiente, a administra��o de multi-vitam�nicos e
multi-minerais com doses semelhantes ou ligeiramente acima das
recomenda��es di�rias por um ano diminuir�o muito os dias de doen�a e o
uso de antibi�ticos; tamb�m houve um aumento da resposta de anticorpos
frente a vacina��o e positiva��o de DTH (Chandra, Canad�).
- Em um
estudo com 8.552 japoneses maiores de 40 anos, controlados por 9 anos
observou-se uma correla��o negativa entre a incid�ncia de c�ncer e a
quantidade de alimentos verdes consumidos diariamente.
- Em 2.709
casos de c�ncer histologicamente confirmados de diferentes partes do
aparelho digestivo comparados com 2.879 controles, observa-se um efeito
protetor significativo com a ingest�o de tomates.
- Em um estudo
multic�ntrico de 2.569 casos de c�ncer de mama comparado com 2.588 casos
controle, observou-se uma correla��o significativa positiva com a ingest�o
de farin�ceos e de a��cares refinados, e por outro lado foi observado uma
redu��o do risco com o consumo de vegetais, frutas, azeitonas e azeite de
oliva.
- Na Gr�cia observou-se que os consumidores de quantidades
di�rias elevadas de azeite de oliva tiveram uma possibilidade 4 vezes
menor de desenvolver artrite reumat�ide quando comparados com os
consumidores ocasionais.
- Em mulheres com displasia cervical pelo
HPV observa-se um baixo consumo de alimentos que contenham vitamina C,
beta caroteno e �cido f�lico. O n�vel de vitamina E tem uma correla��o
inversa significativa no caso da displasia cervical.
- O aumento do
risco de asma, na Inglaterra, nos �ltimos 25 anos, parece estar associado
com a diminui��o do aporte de vitamina C, mangan�s e magn�sio.
- Um
estudo em mais 20.000 pessoas mostrou que baixas concentra��es de
alfa-tocoferol, caroteno e retinol, s�o fatores de risco para a artrite
reumat�ide e o l�pus eritematoso sist�mico.
- As crian�as com alto
risco familiar de alergias, alimentadas exclusivamente a peixes,
desenvolvem eczema al�rgico com menor frequ�ncia.
- Um estudo com
mais de 22.000 m�dicos dos EUA mostrou uma incid�ncia 36% menor de c�ncer
da pr�stata no grupo que recebeu 50 mg em m�dia de caroteno por dia quando
comparado ao grupo controle.
- Comparando os n�veis plasm�ticos de
antioxidantes de 101 pacientes com c�ncer com 100 pacientes de um grupo
controle, comprovou-se que os doentes apresentavam n�veis
significativamente mais baixos. Constatou-se ainda mais que os doentes
recebiam uma dieta pobre em frutas e vegetais e excessiva em
carnes.
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