"Acho que os EUA s�o a bola da vez. Vai terminar um ciclo em que eles se aproveitaram de todos os outros pa�ses."

Em entrevista na revista Caros Amigos, em outubro de 1998

Aloysio Biondi

Voc� pode escrever: agora que a economia dos EUA come�a a tremer, e as Bolsas de Valores norte-americanas desabam, voc� vai ter a volta de previs�es terr�veis. Aquelas profecias, tipo "a economia mundial enfrentar� uma recess�o como nunca houve igual, pior que a crise dos anos 30" e por a� afora. N�o perca o sono por causa desses "chutes".

� verdade que a economia dos EUA, para azar de Clinton, sofrer� fortes abalos, pelos motivos analisados nesta coluna h� mais de um m�s. E � �bvio tamb�m que os problemas norte-americanos ter�o reflexos em outros pa�ses. Mas as previs�es de caos s�o exageradas, porque outros pa�ses estar�o "puxando" para cima o com�rcio e a economia internacionais. Se voc� duvida, veja ent�o alguns fatos para os quais os meios de comunica��o n�o deram destaque, e que desmentem totalmente as previs�es catastrofistas:

Pa�ses asi�ticos - lembra-se do notici�rio terr�vel sobre a Cor�ia e Mal�sia, quando os pa�ses da �sia "quebraram" no final do ano retrasado e ficaram sem d�lares? Pois a Cor�ia e a Mal�sia hoje t�m um saldo positivo (exporta��es menos importa��es) de 30 bilh�es de d�lares (em doze meses, respectivamente). E sua ind�stria cresceu 20% e 5% nos primeiros meses deste ano.

Europa - a economia norte-americana est� entrando em crise, como voc� sabe, porque enfrenta um "rombo" de 25 bilh�es (com a letra "b") por m�s na balan�a comercial. A situa��o dos pa�ses europeus � oposta: a Alemanha tem um saldo positivo de 70 bilh�es de d�lares por ano; a It�lia, de 25 bilh�es; a Fran�a, de 40 bilh�es de d�lares...

O grande problema � que o jornalismo econ�mico nunca esteve t�o vergonhosamente atrelado ao governo. Por exemplo, a imprensa fica falando s� da queda das bolsas. As bolsas s� caem depois que a economia estourou. Os pa�ses asi�ticos escancararam o mercado, tiveram saldo negativo na balan�a comercial, precisaram atrair capital estrangeiro para cobrir, elevaram os juros - chegou um momento em que n�o tinham mais o que fazer, a� o investidor tem medo de calote e sai correndo. A bolsa cai quando todos os indicadores da situa��o da economia real mostram que a economia j� foi pro brejo. A bolsa � a �ltima etapa, mas o notici�rio � todinho centrado na bolsa.

R�ssia & Cia. - no ano passado, R�ssia, Venezuela, Equador entraram em crise. Principal raz�o de seus problemas: a queda violenta que os pre�os do petr�leo vinham sofrendo h� dois anos (de 20 para 10 d�lares o barril). Como o petr�leo representa at� 70% das exporta��es desses pa�ses, eles ficaram sem d�lares para pagar seus compromissos (e os governos enfrentaram tamb�m a queda na arrecada��o de impostos sobre a exporta��o do produto).

A R�ssia continua em crise? S� no notici�rio internacional distorcido: j� em fevereiro deste ano, ela acumulava um saldo positivo de 24 bilh�es de d�lares em sua balan�a comercial (exporta��es menos importa��es). Isso, antes mesmo da disparada dos pre�os do petr�leo, que a partir de fevereiro subiram 150%, de 10 para 25 d�lares o barril. Essa alta do petr�leo vai beneficiar a
economia de todos os pa�ses que exportam o produto.

Em resumo, n�o perca o seu sono. N�o h� crise mundial � vista. O que vai acontecer � uma perda da lideran�a que os EUA vinham impondo ao mundo, e que vai ser repartida com a Europa. E haver� prosperidade tamb�m para pa�ses menos ricos. Isto �, pa�ses que tenham governantes que defendam os interesses de seus povos... � o caso do Brasil?

Transcrito do Di�rio Popular, em setembro de 1999

Notas sobre a empulha��o atual,  ... em outubro de 99


Vem a� nova crise mundial? A queda violenta nas Bolsas de Valores dos EUA vai provocar uma recess�o gigantesca que durar� meses e meses? Voc� pode vacinar-se contra essas previs�es.

Como esta coluna vem procurando alertar h� dois meses, os abalos na economia norte-americana eram inevit�veis h� muito tempo, foram at� adiados demais. Por que? Acontece que os EUA vinham apresentando ''rombos'' cada vez mais incontrol�veis na balan�a comercial, isto �, com importa��es, ou compras de mercadorias de outros pa�ses, em valor gigantescamente maior que as exporta��es, ou vendas de mercadorias a outros pa�ses.

E que a situa��o � injusta, pois o ''comprador'' continua a consumir, a levar um alt�ssimo padr�o de vida, �s custas dos vendedores.

Quando isso acontece, tudo se passa, na pr�tica, como se o Pa�s com ''rombo'' estivesse comprando ''fiado'', ou pagando o vendedor com uma promiss�ria — que n�o passa de um peda�o de papel assinado. O vendedor, a partir de certo momento, acha que nunca vai receber seu dinheiro. Ou, pior ainda: continua at� a comprar empresas, bancos, neg�cios, ou a investir no mercado financeiro dos outros pa�ses — usando um dinheiro que na verdade pertence aos ''vendedores'' (a quem ele deve).

No caso dos EUA, os pagamentos s�o feitos com d�lares, simplesmente emitidos pelo governo, e que s�o uma esp�cie de simples papel pintado. E h� tamb�m os ''papagaios'', que chegam a nada menos de 8 trilh�es de reais. Pra completar, o ''rombo'', isto �, os gastos acima da possibilidade de pagar j� chegaram aos 25 bilh�es de d�lares por m�s, e amea�am caminhar para os 30 bilh�es de d�lares. Por m�s. Quando a situa��o do devedor chega a esse ponto, os credores mudam de comportamento: inicialmente, s� aceitam novos ''papagaios'', se o devedor pagar juros mais altos; depois, nem com juros maiores aceitam novos neg�cios; numa terceira etapa, procuram at� vender, com descontos, no mercado mundial, os ''papagaios'' aceitos ou mesmo comprados anteriormente; finalmente, nem mesmo a moeda do devedor � considerada confi�vel, prevendo-se que ela vai cair diante de todas as dificuldades descritas acima, e o ''mercado'' come�a a vend�-la maci�amente, provocando sua queda — isto �, sua desvaloriza��o.

Quem acompanhou o notici�rio econ�mico com aten��o sabe que esse processo de queda do d�lar come�ou no final do ano passado, quando os investidores passaram a exigir juros mais altos para comprar ''papagaios'' dos EUA. No primeiro semestre deste ano, outra etapa: a revenda dos t�tulos comprados. Nas �ltimas semanas, o in�cio do lance final, com o d�lar despencando, sobretudo em rela��o � moeda japonesa, o iene. � esse quadro que derruba as Bolsas — e n�o o contr�rio, como se insiste em dizer. A queda do d�lar trar� problemas s�rios para a economia dos EUA. Mas n�o para o resto do mundo.

Transcrito do Di�rio Popular, em outubro de 1999

Quem disse o qu�?

A briga entre republicanos e democratas se acirrou nos Estados Unidos depois que o presidente eleito George W. Bush e sua equipe econ�mica disseram que o pa�s pode estar prestes a entrar em recess�o econ�mica.

O Secret�rio do Tesouro Lawrence Summers rejeitou as previs�es republicanas, afirmando que a economia dos EUA est� "saud�vel e equilibrada para um crescimento moderado".

Alguns analistas acreditam que Bush esteja exagerando a situa��o para valorizar sua proposta de cortar US$ 1,3 trilh�o em impostos, e culpar o governo do presidente Bill Clinton por qualquer problema econ�mico que os EUA venham a enfrentar.
O conselheiro econ�mico de Clinton, Gene Sperling, disse que o presidente eleito "est� espalhando mais medo e ansiedade em torno da economia do que o justificado".

"O presidente eleito n�o quer que a fam�lia Bush seja respons�vel pelo fim de 10 anos de prosperidade", disse o economista Wayne Ayers, referindo-se � recess�o anterior que acabou em 1991, no final da presid�ncia de George Bush, pai do presidente eleito.

Transcrito do BBC On Line, em dezembro de 2000

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