Apag�o social

Por Danilo Costa


O clima de apag�o tem dominado todas as conversas nas �ltimas semanas. � a revolta com a incompet�ncia governamental, que n�o foi capaz de prevenir a situa��o iminente de caos em que estamos, mas, ao contr�rio, contribuiu de forma decisiva nesse avan�o rumo ao abismo. Ser� dif�cil esquecer esse per�odo de total desgoverno marcado pelas amea�as � cidadania e aos cidad�os que se disp�em a recorrer �s leis para se defender.                                
 

Uma reflex�o se imp�e: se a situa��o � t�o dram�tica na produ��o de energia, setor em que o Brasil j� manteve relativa tranq�ilidade, como estaremos no restante? Do ponto de vista da Sa�de do Trabalhador, as indica��es s�o as piores poss�veis. Vamos discutir a situa��o em dois setores que, at� pouco tempo, eram considerados exemplares na preven��o e prote��o de riscos no trabalho, at� porque s�o �reas de alto risco, inerente �s suas atividades.
 
Em Semin�rio Nacional de Sa�de do Trabalhador realizado em 28 e 29 de maio no Rio de Janeiro, petroleiros de todo o pa�s alertaram para a situa��o de degrada��o e precariedade de suas condi��es de trabalho, em que o afundamento e as mortes na Plataforma P-36 representam uma situa��o disseminada por todo o pa�s. Levantamento feito pela FUP (Federa��o �nica dos Petroleiros/CUT) no final do ano passado para contestar a Petrobras, que afirmara que algumas de suas unidades estariam h� mais de 1000 dias sem acidentes, revelou que mais de 90 mortes ocorreram nos �ltimos 3 anos em todo o Brasil, incluindo algumas dessas unidades "sem acidentes". Trabalhadores n�o ligados � empresa n�o foram contabilizados nestes Programas de Acidente Zero, capazes apenas de mascarar a realidade.
 
O s�brio e combativo dirigente petroleiro Roberto Odilon Horta afirmou no encerramento do encontro: "Nossa responsabilidade aumentou muito. Agora n�o s�o mais apenas as p�ssimas condi��es de trabalho que denunciamos h� tanto tempo, mas in�meras mortes que est�o ocorrendo em conseq��ncia desse quadro que precisam ser enfrentadas e evitadas".
 
No final do ano passado, trabalhadores eletricit�rios do estado de S�o Paulo realizaram encontro para discutir Sa�de e Seguran�a no setor. A t�nica dominante dessa discuss�o foi a quantidade de mortes no trabalho que vem atingindo a categoria em conseq��ncia da precariza��o das condi��es de trabalho, em especial da instala��o e manuten��o de servi�os que foram terceirizados seguindo um �nico crit�rio: a redu��o de custos. Exemplo dos mais "modernos" dos efeitos da desregulamenta��o, esta atividade � simbolizada em S�o Paulo hoje pelos fusquinhas com uma escada na capota, respons�veis pela execu��o dos servi�os feitos anteriormente por trabalhadores experientes, que atuavam em equipes, com camionetes aparelhadas para estas atividades, monitoradas por r�dio com acompanhamento central e diversos outros elementos, certamente considerados sup�rfluos na sinistra contabilidade que deve ter sido feita para validar a implementa��o desta nova situa��o de vale tudo.
 
Mortes aqui, ali e por todo lugar s�o o resultado de uma profunda degrada��o nas rela��es de trabalho, que remete � proximidade da barb�rie, com o aumento da dist�ncia entre o grupo de trabalhadores protegidos e os que n�o t�m nenhuma prote��o. � importante notar que essa dist�ncia se aprofunda mesmo num quadro em que n�o h�, do ponto de vista pr�tico e concreto, qualquer avan�o na conquista de direitos dos setores tradicionalmente mais protegidos. Apenas a introdu��o cada vez maior de pr�ticas predat�rias, delet�rias e irrespons�veis que, se n�o forem detidas, se tornar�o lugar-comum e contaminar�o toda a sociedade.
 
Os petroleiros j� sabem isso, e cada vez mais disputam representar todos os trabalhadores, de toda e qualquer categoria e especialidade, que trabalhem no setor petr�leo, apontando ainda para uma organiza��o supra-setorial. Esperemos que seu exemplo se dissemine nos demais setores sindicais.
 
 
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Fonte: Correio da Cidadania - http://www.correiocidadania.com.br/
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