Caríssimo Rogério,
 
Antes de mais nada, gostaria de esclarecer, se é que se faz necessário, que percebi muito bem não ser de sua autoria o artigo por você encaminhado à ambiente-mg (A propósito ainda não recebi, via conferência, o e-mail contendo minhas posições e comentários. Você saberia me dizer se está acontecendo algum problema com a ambiente-mg???).
 
Por outro lado, em que pesem as divergências estéticas entre o Caetano Veloso e o Lévi-Strauss (nas quais, de resto, fico com o primeiro), resolvi utilizar o texto deste último apenas por considerar que nele há uma radiografia interessante da forma como historicamente a atividade agrária se desenvolveu (e, em certa medida, ainda vem se desenvolvendo) em nosso país (monocultura em grandes propriedades, cuja produtividade, na sua maior parte, é alcançada a custa de nossos recursos ambientais comuns).
 
Essa radiografia é importante para demonstrar que, se há "maniqueísmo", este não tem raiz no movimento ambientalista, mas sim em um certo tipo de postura, espelhada nas posições de pessoas ouvidas no artigo do Correio Brasiliense, que, de um lado, propugna uma inexorável necessidade de "expansão da fronteira agrícola", quando todos nós sabemos que tal fronteira vem se reduzindo a cada ano em razão da perda de solo fértil decorrente das práticas agrárias referidas por Strauss, e, de outro, encara todo e qualquer apelo para por cobro a  tal devastação como fruto de uma "ameaça externa" (sim, aquela mesma razão etérea que se encontrava subjacente ao AI-5 e a um certo estado de coisas do passado recente deste País).
 
[ ]s
 
Afrânio
 
P.S. A propósito, acho que sou nascentista, o que em Minas Gerais talvez queira dizer, sobretudo, veredista. 
 

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