Celebração dos 90 anos de Nelson Mandela

 

Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro da África do Sul, de 1994 a 1999, 
aproveitou ontem o seu nonagésimo aniversário, na aldeia natal, Qunu, 960 
quilómetros a sul de Joanesburgo, para pedir aos ricos que façam mais pelos 
pobres: "Quando se é pobre, não se consegue viver até tarde".

Ao celebrar simultaneamente o décimo aniversário do seu casamento com a 
moçambicana Graça Machel, Mandela passou o dia com a família, na província do 
Cabo Oriental, onde se organizou na sua aldeia um torneio de futebol, um 
concerto pop e um almoço para 500 políticos, antigos combatentes da luta contra 
o apartheid e outros convidados.

O seu antecessor, e último Presidente branco, Frederik de Klerk, referiu-se-lhe 
como uma das maiores figuras deste último século e os correios sul-africanos 
lançaram uma emissão especial de dois milhões de selos, nos valores faciais de 
2,5 randes (20 cêntimos) para o interior do país e de 4,9 (41 cêntimos) para o 
estrangeiro).

Sob o título de "Hunger for Freedom", foi também lançado um livro, de Anna 
Trapido, que se apresenta como uma "história gastro-política" do antigo líder 
do ANC, explicando o seu gosto muito especial pela comida indiana e africana: o 
seu primeiro jantar, ao sair da cadeia, em Fevereiro de 1990, foi caril de 
frango; e quando assumiu a chefia do Estado deu instruções para que o mordomo 
responsável pelas residências presidenciais fosse alguém que soubesse cozinhar 
biryani, um prato de arroz da Ásia Meridional, com especiarias e vegetais ou 
carne. 

Conta-se naquela obra que estando uma vez Mandela no luxuoso Dorchester Hotel, 
de Park Lane, no bairro londrino de Mayfair, em viagem oficial, Nelson Mandela 
ficou cansado da comida britânica e pediu que lhe mandassem à pressa da África 
do Sul um funcionário que levasse "umphokoqo", prato tradicional do povo xhosa, 
feito com papas de milho e leite azedo.  

 

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