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O GLOBO - SEGUNDO CADERNO - Publicado em 12 de julho de 2004 Joaquim Ferreira dos Santos <[EMAIL PROTECTED]> Tira da C�nsul, p�e no Orkut Acredito sinceramente. Com a santa ingenuidade dos cronistas amadores que come�am textos em adv�rbio de modo, acredito caetanamente que toda maneira de amar vale a pena. O Orkut, o novo show da vida na internet, tamb�m. Foi-se o tempo, voc� viu no cinema, em que a multid�o em p�nico pedia a presen�a urgente de um ca�a-fantasmas. A grande assombra��o agora � a falta de algu�m com que se dividir o afeto. Seus sustos acabaram. O Orkut, basta um clique, ca�a amigos. Dou for�a. Pessoas reunidas em p�ginas com seus retratinhos trocam mensagens, tentam cooptar novos companheiros, freq�entam listas de discuss�o e jogam conversa fora. Depois do sexo, a amizade digital. Bacana. Me lembrei do Roberto. Com um milh�o de amigos e podendo cantar, tem coisa melhor? Dito isso, pe�o com carinho que me compreendam a pressa afirmativa do verbo profissional. Divirtam-se, que � a todos de direito e par�grafo �nico da constitui��o dos meus sonhos. Pelo menos nessa, pe�o licen�a pra mandar Detefon em meu lugar. Me deixem fora, senhores. Eu n�o entro no teu, voc� n�o entra no meu Orkut. Sem manteiga no couvert, sem KY na gaveta, mas com mal�cia, porque assim � o fato. O Orkut � uma esp�cie de pornochanchada da amizade. Rola uma promiscuidade que n�o combina com a eleg�ncia divina dos que se encontram pela vida em torno da mesma emo��o. Vivo feliz com seis, sete amigos de p�. � de �timo tamanho. Mesmo assim, sempre correndo atr�s do que a vida coloca pela frente, tenho sido cada vez mais relapso em regar a �rvore de companheirismo que protege nosso grupo das feras na savana. De qualquer maneira, fecho nos sete. Talvez mais dois ou tr�s que o destino ainda ponha no caminho. E s�. Amizade � coisa �ntima. Outro dia, j� com 567 amigos no seu curr�culo, uma mo�a invadiu o meu espa�o digital e queria porque queria, sem que eu jamais a tivesse visto, sem que ela tivesse provado um oi sequer do afeto que me encera, ela me pedia em amizade. Recusei. N�o parece, quem j� me viu voleando de esquerda numa quadra de saibro n�o diz. Mas sou de certa idade. N�o alcancei essas festas em que os jovens disputam quem, ao final, beijou mais das bocas alheias. O Orkut, com todos colecionando n�meros inflacionados de friends , �s vezes profundos desconhecidos de quem nunca se cogitou a exist�ncia, � o ficar-com da amizade digital. Quem vai pegar mais? Prefiro Drummond. Amigo � coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito. Leva a mal n�o, mas me tira do Orkut. Digamos que telas de fundo azul me incomodem a retina. N�o me convide tamb�m para entrar no Orkut de quem n�o tenho a m�nima. Digamos que a vergonha � a heran�a maior que meu pai me deixou. Se n�o for incomodo demais, me p�e na C�nsul. D� no mesmo. A amizade � um prato quente e, por mais que todos estejamos �vidos de seu deleite, est�o servindo dobradinha fria em seu lugar. J� fizeram o mesmo com aquele poeta que pediu amor. N�o s�o pratos que se comam assim. Gar�om, a conta. Digamos que me falte tempo para deletar mais spams . N�o me imagine, por favor, um novo Garfield, o gato resmung�o que por detestar as segundas-feiras tirava este dia para aborrecer quem estava pr�ximo. Longe disso. Acho o gesto Orkut bonitinho. Fofo. Lembra gente reunida acendendo o isqueiro para Rod Stewart cantar "Sailing", lembra a ola que come�a na torcida do Flamengo e continua na do Vasco. J� curti na pele dos dois prazeres e lamento apenas que hoje s� se possa fazer isso, como mostra a brincadeira coletiva do Orkut, dentro do computador. N�o h� vida macro longe do micro e, breve, voc� ter� esses incr�veis dias de sol do inverno carioca num programa a ser rodado sempre que se acessar o Orkut. Ele vai dar a impress�o que caminha-se com um companheiro em volta da Lagoa. Ser� uma das mentiras sinceras que interessam �s v�timas da solid�o anunciada pelo Orkut. Por isso, o Detefon no meu lugar. Amigo n�o pode ser coisa pra se guardar no bookmark do Explorer. O Orkut me lembra, j� que n�s estamos por ali, aquele garoto no sinal da Lagoa. Ele coloca no espelho retrovisor do teu carro o saco de bala com o aviso de que poderia estar assaltando. J� que est� no trabalho, acha merecer a sauda��o de R$ 1. � a sabedoria do caos. Carioca ixperto , o moleque parte de uma anomalia da cidade e exige aplauso monet�rio para seu gesto de trivialidade assaz. O Orkut � o vendedor de bala entre os carros. Ningu�m olha mais no olho de ningu�m, s� de olho na tela. A festa que ele promove na internet parece a euforia do encontro, mas � o desespero de se radicalizar no casulo da m�quina. Num tempo em que as pessoas s� se juntam para quebrar o nariz das outras nas boates, a reuni�o de milh�es para disputar quem tem mais amigos deveria ser saudada com o sambinha de que � bonito, � bonito e � bonito. Eu n�o diria tanto. Tudo acaba soando como a guar�nia do Nelson Gon�alves, aquela do "Amigo palavra f�cil de pronunciar/ Amigo coisa dif�cil de se encontrar". O Orkut, simpatic�ssimo de prop�sitos, n�o tem culpa. N�o � a l�ngua, � o amargo. N�o � o cora��o, � o enfarte. � s� mais um bonequinho sorrindo amarelo e sem jeito - como posso ser �til? - da nossa imensa solid�o. -- Fonte: http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/joaquim.asp - c.a.t. www.iis.com.br/~cat �timo dia pra voc�. <*> Para comentar esta mensagem: [EMAIL PROTECTED] <*> Para assinar a lista onde se comenta: http://groups.yahoo.com/group/goldenlist-L/join Yahoo! 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