Android

Tá pintando por aí o Windows da Google?

Quando a Google lançou seu browser Chrome, a rapaziada logo imaginou que era
um passo em direção a um sistema operacional para brigar de frente com o
Windows. A resposta da empresa, já esperada, foi um sonoro não. Mas será que
não mesmo?

De fato, o Chrome é só um aplicativo rodando no Windows. Não dá suporte ao
hardware e não tem os "drivers", programas que controlam fisicamente os
dispositivos. Em suma, o Chrome depende do Windows para acessar disco, rede
e periféricos em geral.

Mas a Google produziu algo que acesso tudo isso que o Chrome não alcança — o
Android — um misto de plataforma de software e sistema operacional para
dispositivos móveis.

Ele foi lançado com grande alarde em 5 de novembro de 2007 e baseia-se no
sistema operacional Linux. Seu desenvolvimento prosseguiu nas mãos da OHA
(Open Handset Alliance), entidade fundada naquele mesmo dia reunindo 34
empresas de hardware, software e telecomunicações, lideradas pela própria
Google. O primeiro celular rodando Android 1.0 foi o HTC Dream ou HTC G1, da
operadora T-Mobile, lançado na semana passada. Estará nas lojas em 22 de
outubro próximo, nos EUA.

Comparando filosofias, pensemos no Windows como um sistema "top-down" (de
cima para baixo), ao passo que o Android seria um "bottom-up" (de baixo para
cima).

A Microsoft, com seu Windows, criou uma plataforma para PCs, tornou-a
popular e moveu-a depois, com seus drivers e parafernálias, para outros
chips. Exemplo disso é o Windows Mobile, encontrado em celulares, tablets e
computadores de mão, vulgo handhelds.

Já a Google adora um "beta", ou seja, lançar um serviço ou software antes
dele estar totalmente depurado e, depois, refinar o produto graças aos
testes da massa usuária e ao feedback da galera.

No momento, o Android suporta apenas vários chips de dispositivos miúdos.
Mas poderia facilmente ser recompilado para rodar nos chips da família x86,
que são o "cérebro" de muitos PCs. (Compilação é a tradução de um programa
em linguagem de programação em código de máquina, pronto para ser executado
numa certa CPU.)

Mas o Android tem uma vantagem. Ele se baseia no Linux, um sistema de código
aberto, e poderia facilmente aproveitar drivers já existentes para controlar
hardware, "kernel", discos, rede e todos periféricos. Daí, o próprio Android
rodaria as aplicações. E pronto, aí estaria o sistema operacional da Google,
cujo desenvolvimento foi negado pela simpática lourinha, Marissa Mayer,
vice-presidente da Google que entrevistei na edição passada da Revista
Digital.

Os telefones andróides caem no mercado, a galera testa o sistema e ele é
lapidado até ficar porreta. Aí é só portá-lo para PC e otimizá-lo para
executar as aplicações do Google na web — Gmail, Docs & Spreadsheets,
Calendar etc. — tudo rodando no navegador Chrome, com sua máquina JavaScript
interna, rápida como o raio.

Eis aí a abordagem "bottom-up" da Google para lutar com a Microsoft. O
resultado será um sistema operacional grátis, de código aberto, minimalista,
seguro, robusto e rápido pra dedéu.

Em 12 de novembro de 2007, a Google lançou o Android SDK, um pacote para
desenvolvimento de aplicações. Mas se prestarmos atenção ao cronograma do
Android, no link tinyurl.com/crono-android, está previsto que no final de
2008 haverá a liberação código-fonte do sistema, seguida do anúncio do
segundo desafio para desenvolvedores Android. Talvez a façanha proposta seja
justamente portar o sistema para rodar em PC e Mac. Se assim acontecer, vai
ser uma loucura geral. A Microsoft que se cuide.

- c.a.t.

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