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Caros colegas,
entendo oportuno relatar experiência
vivida pelas alunas do Curso de Capacitação de Promotoras Legais
Populares, projeto desenvolvido pelo IBAP e União de Mulheres visando a
formação e capacitação de mulheres líderes
comunitárias para defesa da cidadania, em especial dos direitos da
mulher.
Em 1997, acolhendo sugestão do amigo
Marcos Ribeiro de Barros, professor do curso, foi agendada um visita das alunas
(grupo de 13 mulheres) ao Supremo Tribunal Federal para conhecer as
dependências e o funcionamento daquele colegiado.
Porém, após 16 horas de viagem de ônibus, as alunas foram
impedidas de entrar nas dependências do STF porque vestidas com
calças compridas. Instaurado o incidente, com a
colaboração do colega Miguel Nagib, então assessor do Min.
Sepulveda Pertence - presidente à época - foi autorizado o
ingresso das alunas, quebrando um protocolo contido em
determinação administrativa de modo pioneiro e inédito
naquele prédio.
Tivemos notícia que,
no dia seguinte, o Ministro Presidente editou portaria, revogando o entendimento
até então vigente, sendo a notícia veiculada em alguns
jornais locais.
Nós - alunas e professoras do curso PLP - consideramos
o episódio uma vitória, que despertou ainda mais a
consciência crítica das mulheres e possibilitou a revisão
daquela determinação distante da realidade e das
contradições sociais e culturais de nossos dias, o que só
favorecia a exclusão de gênero e classe social.
Ana Lúcia Câmara
Coordenadora do Curso das PLP
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