Especial: um guia de certifica��es e melhores pr�ticas de TI

 

Fran�oise Terzian, especial para o COMPUTERWORLD
Amedrontadas com o poderio industrial do Jap�o nos anos 80, as empresas
norte-americanas converteram-se a uma religi�o � a religi�o da qualidade.
Elas se apressaram em aprimorar seus processos de neg�cios adotando diversos
modelos de qualidade, como ISO 9000 para a corpora��o, Six Sigma para a
f�brica e CMM (capability maturity model) para engenharia de software.
Hoje, os gerentes de TI t�m um leque oce�nico de disciplinas de qualidade �
disposi��o. Algumas, como Six Sigma e ISO 9000, podem ser impostas ao
diretor de TI pelo CEO. Outras, como CobiT (control objectives for
information and related technology), podem ser exigidas por seus auditores.
E disciplinas focadas em TI podem ter origem em suas pr�prias instala��es,
como CMM para desenvolvimento de software e ITIL (information technology
infrastructure library) para opera��es e servi�os de TI. 
Embora haja alguma sobreposi��o entre esses modelos de qualidade, na maior
parte dos casos eles n�o entram em conflito. Na verdade, a maioria das
grandes empresas usa dois ou tr�s deles. A IBM, por exemplo, utiliza ISO
9000, CMM, ITIL, Six Sigma e v�rios programas de qualidade criados
internamente. J� outras n�o usam nenhum deles, preferindo ter os seus
pr�prios. A MasterCard International adaptou partes de diversos programas ao
seu pr�prio modo de fazer neg�cio. Realizou uma avalia��o externa de CMM um
ano atr�s e implementou algumas id�ias a partir da�, mas n�o implantou o
modelo formalmente. 
�Temos uma mistura de programas de qualidade�, explica Sheryl Andrasko,
vice-presidente de desenvolvimento de sistemas da MasterCard. Segundo
Andrasko, o programa reduziu o tempo de desenvolvimento de novos releases de
software de 18 meses para 12 e tamb�m o n�mero de defeitos em software.
Outras empresas, como a Nortel Networks, dizem que a escolha deve ser
baseada nos clientes e nos parceiros. A Nortel usa uma vers�o do ISO 9000
voltada para telecomunica��es porque � o mesmo modelo de controle de
qualidade que seus clientes usam.
Para algumas companhias, um selo de aprova��o de um organismo externo, como
certifica��o ISO 9000 ou CMM, pode ser um fator importante. Uma empresa na
�rea de defesa, por exemplo, talvez n�o consiga trabalhos se n�o tiver uma
alta avalia��o CMM. E um selo ISO 9000 pode ser uma exig�ncia para fazer
neg�cio, principalmente fora dos Estados Unidos.

Mas uma empresa pode se exceder em qualquer destes programas, observa Matt
Light, analista do Gartner. �Temos uma filosofia chamada �apenas o processo
suficiente��, diz ele. �Criar seu pr�prio programa e aplic�-lo somente onde
faz sentido costuma ser a melhor op��o para organiza��es que n�o t�m
exig�ncias de certifica��o.� 
De qualquer forma, alguma coisa voc� deve fazer no front da qualidade,
recomenda Michael J. Ashworth, CIO da unidade de banco de investimento da
J.P. Morgan Chase & Co. �Todas estas coisas s�o apenas maneiras melhores de
fazer o que as pessoas est�o tentando fazer com um fim espec�fico�, diz ele.
�N�o s�o um ritual sem sentido; s�o o senso comum codificado.�
IT Infrastructure Library (ITIL)
Respons�veis: Escrit�rio de Com�rcio do governo  Reino Unidos, Pink Elephant
e outros. 

O que �: Conjunto de melhores pr�ticas para opera��es e gerenciamento de
servi�os de TI (como gerenciamento de service desk, incidente, mudan�a,
capacidade, n�vel de servi�o e seguran�a). Especialmente popular na Europa.
O ITIL rastreia problemas em �reas de servi�o de TI como help desk, suporte
a aplica��es, distribui��o de software e suporte a sistemas de contato com o
cliente e se sobrep�e a CMM em determinadas �reas, como gerenciamento de
configura��o. O ITIL rastreia, por exemplo, as mudan�as feitas em sistemas
operacionais, mas a qualidade dessas mudan�as � em termos do n�mero e da
gravidade de problemas resultantes delas � � uma m�trica de CMM.
Pontos fortes: Bem estabelecido, amadurecido, detalhado e focado em quest�es
de qualidade operacional e produ��o de TI. Pode ser combinado a CMMI para
cobrir tudo relacionado a TI. 

Limita��es: N�o aborda o desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de
qualidade. N�o � voltado para processos de desenvolvimento de software. Seu
uso depende imensamente de interpreta��o. 
Da informalidade aos processos estruturados
Construtora Norberto Odebrecht implanta ITIL para melhorar servi�os aos
usu�rios
Em 2002, ap�s concluir o processo de consolida��o dos servidores
respons�veis por todos os processos de gest�o de obras, a �rea de TI da
construtora Norberto Odebrecht percebeu que v�rios servi�os antes realizados
de forma descentralizada nos canteiros de obras poderiam ser feitos por uma
equipe na sede da empresa. A cria��o de conta de e-mail foi um deles. Mas
como essa mudan�a implicava na cria��o de novos processos e fluxos, diretor
de TI da construtora, Mauro Rehm, acabou chegando � conclus�o de que sua
equipe precisava estar preparada para prestar um servi�o de qualidade,
deixando a informalidade de lado.
Ap�s acompanhar o mercado de TI e participar de algumas discuss�es internas,
Rhem percebeu que estava em busca de algo pr�ximo dos modelos CobiT e ITIL.
�Como o CobiT � uma metodologia mais voltada para a auditoria de processos
de TI e o ITIL traduz as melhores pr�ticas, decidimos diagnosticar com o
primeiro e implantar com o segundo�, conta o executivo.
O passo seguinte foi o aculturamento das pessoas da equipe, que passaram a
receber informa��es sobre ITIL e as mudan�as pelas quais iriam passar.
�Precis�vamos contagiar toda a equipe, pois se tratava de conduzir um
processo de mudan�a dentro da �rea de TI. Deixar�amos a informalidade que
funcionava bem, para criar uma formalidade necess�ria ao atendimento dos
servi�os prestados. E precis�vamos garantir que iria funcionar melhor do que
anteriormente�, recorda Rhem.
A rotina e os resultados alcan�ados pela subsidi�ria brasileira da Ford
mudaram radicalmente ap�s a implanta��o do Six Sigma, metodologia adotada
mundialmente pela montadora no ano 2000. Buscando satisfazer os clientes
externos e internos, o Six Sigma � usado por todas as �reas de Ford
brasileira, segundo Hudson Silvestre, supervisor de sistemas e primeiro
black belt (especialista interno) da �rea de TI da montadora.
O Six Sigma est� t�o alinhado � estrat�gia da empresa que at� uma �rea
exclusiva para cuidar do tema a Ford criou. Al�m de um diretor de Six Sigma,
h� tamb�m um black belt m�ster e black belts espalhados por todos os
departamentos da montadora que cuidam da implanta��o do Six Sigma e de
outras iniciativas de mudan�a. Os black belts atuam como l�deres de projeto
e de equipes, al�m de treinarem os chamados green belts, funcion�rios que
passam a conhecer a metodologia e a aplic�-la no dia-a-dia.
Na estrutura organizacional da Ford, cada �rea tem pelo menos um black belt,
que coloca o Six Sigma em pr�tica, define projetos e metas. Na �rea de TI,
por exemplo, Silvestre conta que a ado��o da metodologia trouxe uma s�rie de
benef�cios como a redu��o do retrabalho e um melhor atendimento ao cliente
interno. Um exemplo disso foi um projeto iniciado em 2002 com o objetivo de
melhorar a satisfa��o dos usu�rios que ligavam para o help desk. Na �poca,
dois problemas foram identificados: demora no atendimento e a necessidade de
ter que telefonar mais de uma vez para resolver um problema.
O supervisor de sistemas da Ford recorda que, no in�cio do projeto, apenas
15% dos acordos de n�vel de servi�o (SLAs) eram cumpridos. A situa��o que
gerava insatisfa��o aos clientes internos come�ou a mudar quando o servi�o
de help desk terceirizado passou a contar com a ajuda da metodologia. Um m�s
depois de implantado o Six Sigma, a porcentagem subiu para 50% e, ap�s tr�s
meses, atingiu o n�vel de 90%. Gra�as � metodologia, a montadora conseguiu
melhorar o tempo e o atendimento aos clientes internos.
Outro benef�cio do Six Sigma foi a redu��o de 20% com os gastos de
telefonia. �Com a metodologia, n�s conseguimos identificar qual � a situa��o
atual e quais s�o as oportunidades de melhorias�, explica Silvestre,
acrescentando que as tomadas de decis�es agora t�m resultado em maior
acerto, j� que a metodologia prega a fundamenta��o em dados estat�sticos, em
vez de no famoso �achismo�.
De forma geral, a montadora contabiliza que a metodologia trouxe retornos
como redu��o do custo de manufatura e de retrabalho, melhora de atendimento
n�o s� ao cliente interno, mas tamb�m externo, que � avaliado para saber se
est� satisfeito ou n�o com a Ford. Para evitar a reinven��o da roda e
estimular a troca de experi�ncias, a montadora conta ainda com uma intranet
por meio da qual qualquer black belt da corpora��o mundial pode entrar para
incluir ou pesquisar informa��es sobre projetos realizados em qualquer �rea
e continente.
Preocupada em melhorar os processos internos diariamente, a Ford tem
treinado cada vez mais funcion�rios como green belts, sejam eles do ch�o de
f�brica ou da �rea administrativa. Na �rea de TI, por exemplo, 100% dos
profissionais j� passaram pelo treinamento.
A americana LSI Logic utiliza Six Sigma h� cerca de tr�s anos e neste ano
come�ar� a usar Design for Six Sigma, uma variante que a empresa considera
mais apropriada para ambientes de TI. �Six Sigma se aplica a algumas �reas
de desenvolvimento de software, como teste. Foi desenvolvido no ambiente de
manufatura, onde h� um alto volume de produtos�, diz Terry Gowin, diretor de
qualidade para LSI Logic Storage Systems. �Mas o desenvolvimento de software
varia a cada projeto e tem ciclos muito mais longos.�
O Design for Six Sigma � especialmente poderoso no in�cio dos projetos,
ressalta Gowin. �Ele se concentra muito em determinar os requisitos corretos
logo no come�o. Ajuda a definir realmente as especifica��es para evitar
surpresas depois.� 
Design for Six Sigma e CMM complementam-se muito bem, diz Ron Engelbrecht,
gerente geral de opera��es da LSI Logic. �CMM � sobretudo um guia de
avalia��o, enquanto que Design for Six Sigma � um conjunto de ferramentas
projetadas para ajudar voc� a melhorar suas avalia��es.�
No JP Morgan Chase, o Six Sigma n�o � aplicado diretamente a processos de
TI, mas representa um ponto de partida essencial para a maioria dos projetos
de TI, diz J. Ashworth, CIO da unidade de investimentos do banco.
�Examinamos os processos de neg�cio que desejamos aprimorar e seguimos as
v�rias etapas em Six Sigma para chegar a um novo modelo de processo de
neg�cio. Depois que voc� sabe o que est� tentando fazer, o CMM entra em
a��o.�
Six Sigma, diz o executivo, pode ser aplicado a opera��es e servi�os de TI.
O banco est� usando nesta �rea um modelo de qualidade desenvolvido
internamente, mas cogita empregar ITIL. �Assim como reunimos as conven��es
de nomea��o e os ativos criados em Six Sigma e CMM em uma lista �nica que
todo mundo � capaz de entender, vamos acrescentar ITIL�, explica Ashworth. 
Six Sigma
Respons�vel: Desenvolvido pela Motorola.
O que �: Um m�todo de aprimoramento de processo estat�stico que enfoca a
qualidade do ponto de vista do cliente ou do usu�rio. Define n�veis de
servi�o e mede varia��es em rela��o a estes n�veis. Os projetos percorrem
cinco fases: definir, medir, analisar, aprimorar e controlar. A variante
Design for Six Sigma aplica os princ�pios deste m�todo � cria��o de produtos
ou servi�os sem defeitos, e n�o ao aprimoramento dos que j� existem. 
Pontos fortes: Uma abordagem orientada a dados para descobrir a raiz de
problemas de neg�cio e resolv�-los. Leva em conta o custo de qualidade. Em
TI, � melhor aplicado em atividades pass�veis de repeti��o e relativamente
homog�neas, como opera��es de call center ou help desk. Design for Six Sigma
pode ajudar a desenvolver boas especifica��es de software.
Limita��es: Projetado originalmente para ambientes de manufatura; pode ser
dif�cil aplic�-lo em processos que ainda n�o est�o bem definidos e
mensur�veis. Pode aprimorar o processo, mas n�o diz se voc� tem o processo
certo. 
CobiT
H� um ano, Jairo Martins saiu da �rea de neg�cios da Siemens Mercosul para
ocupar a posi��o o CIO. Logo de in�cio, desenvolveu um trabalho de ouvidoria
com as v�rias unidades do grupo para saber quais eram as principais queixas
em rela��o ao departamento de TI. O resultado foi desastroso: todas as
unidades reclamaram que eram surpreendidas com despesas novas de TI, n�o
viam transpar�ncia na apresenta��o dos custos e nem uma sistem�tica de
tarifa��o (billing).
A falta de planejamento levou Martins � decis�o de adotar o CobiT. O
objetivo com a implanta��o da metodologia foi dar a sua equipe condi��es
para alinhar a infra-estrutura da �rea aos neg�cios da empresa, de modo que
ouvissem as necessidades dos usu�rios internos e informar todos os dados que
eles julgarem pertinentes. Al�m disso, a id�ia do Cobit � estabelecer
par�metros para subcontratar servi�os e se estruturar para geri-los com
qualidade. �O Cobit � a mais ampla metodologia para se fazer a gest�o de TI
e a escolhi porque ela vai me ajudar a gerir a �rea, ordenar processos
internos e obter uma s�rie de benef�cios�, acredita Martins.
Em julho de 2003, Martins contratou a Big Five Consulting para treinar seu
pessoal e deu in�cio � cria��o de um projeto interno de Cobit. Como l�der do
projeto, Martins conta que, no momento, ele est� adaptando a metodologia
para a realidade da Siemens e definindo procedimentos. Com o Cobit, a
Siemens quer obter otimiza��o de custos, uma boa gest�o da qualidade dos
servi�os prestados e a garantia da disponibilidade das plataformas de TI.
Apesar de o Cobit ainda se encontrar em fase de implanta��o (60% dele j� foi
adotado), ele j� trouxe benef�cios � empresa. A cria��o de um comit� de
governan�a de TI, que se re�ne a cada trimestre com representantes de todas
as unidades da empresa, � resultado da implanta��o da metodologia. �N�s
tamb�m conseguimos obter transpar�ncia dos custos, que agora s�o repassados
com maior clareza para as �reas, melhora na comunica��o com as unidades de
neg�cio, al�m de uma melhor estrutura��o dos processos para gest�o de TI.�
Martins acredita que, at� o final deste ano, o Cobit atinja a maturidade 3
dentro da Siemens. Hoje ela est� em 2.4. A implanta��o total do projeto deve
se encerrar em meados de 2005.
Control Objectives for Information and Related Technology (CobiT)
Respons�vel: Information Systems Audit and Control Association e IT
Governance Institute
O que �: Um conjunto de diretrizes baseadas em auditoria para processos,
pr�ticas e controles de TI. Voltado para redu��o de risco, enfoca
integridade, confiabilidade e seguran�a. Aborda quatro dom�nios:
planejamento e organiza��o, aquisi��o e implementa��o, entrega e suporte e
monitora��o. Apresenta seis n�veis de maturidade, similares aos de CMM.
Pontos fortes: Permite que TI aborde riscos n�o endere�ados explicitamente
por outros modelos e que seja aprovada em auditorias. Funciona bem com
outros modelos de qualidade, principalmente ITIL. 
Limita��es: Diz o que fazer, mas n�o como fazer. N�o lida diretamente com
desenvolvimento de software ou servi�os de TI. N�o fornece um �road map�
para aprimoramento cont�nuo de processos.
Lance Turcato, diretor de supervis�o de seguran�a e infra-estrutura de
tecnologia da Charles Schwab & Co., define CobiT como uma �ferramenta de
governan�a de TI� que ajuda os gerentes de inform�tica a entender quais
controles s�o necess�rios e a medir a efic�cia destes controles. �Faz parte
uma ferramenta de auditoria para que os auditores possam auditar seguindo
estes mesmos crit�rios�, acrescenta Turcato.
CobiT demanda um esfor�o consider�vel para ser integrado a processos de uma
empresa. �As instru��es em CobiT s�o muito gen�ricas. Fomos obrigados a
transform�-lo em �linguagem Schwab� para que as pessoas pudessem entender�,
diz Turcato. �O desafio maior foi fazer todo mundo aderir. Tivemos que
determinar, em todo o grupo de tecnologia, as pessoas apropriadas que
possuem estes controles e educ�-las em CobiT.� 
A Lockheed Martin tem quatro unidades no N�vel 5 de CMMI. A empresa tamb�m
usa disciplinas Six Sigma e ISO 9000 em diversas partes de sua organiza��o
de TI, mas CobiT � o �modelo de qualidade guarda-chuva�, define CIO Joseph
R. Cleveland, fornecendo checklists �teis em cada um de seus quatro
dom�nios. 
Para algo simples como acrescentar o PDA BlackBerry ao cat�logo de
dispositivos aprovados da empresa, por exemplo, CobiT perguntar� se existe
suporte de help desk para ele, se a seguran�a foi abordada, se j� existem
procedimentos para adquirir e manter o dispositivo e assim por diante. 
Cliveland diz que CobiT se integra bem com CMMI - CobiT detecta a
necessidade de determinados controles e CMMI implanta-os. As d�vidas dos
auditores sempre podem ser satisfeitas com aspectos de CMMI, segundo
Cliveland. 
CMM - Software com selo de maturidade
Certifica��o CMM confere um planejamento mais confi�vel , aumentando a
probabilidade de os recursos da aplica��o e ganhar um crach� de merecimento
para o mundo inteiro ver � O executivo explica que a certifica��o foi
essencial para que a empresa se firmasse como exportadora de software
Durante 15 anos, as empresas que quiseram aprimorar significativamente suas
pr�ticas de desenvolvimento de software � e ganhar um crach� de merecimento
para o mundo inteiro ver � percorreram um longo e �rduo caminho chamado CMM
for software, uma linha de a��o capaz de lev�-las de um estado de semicaos
(onde a maioria est� hoje) a uma condi��o marcada pela precis�o, capacidade
de repetir procedimentos e baixa taxa de erro normalmente associados a uma
linha de montagem de manufatura.
O CMMI, apresentado recentemente pelo Software Engineering Institute, � um
modelo de maturidade de processo mais abrangente que combina CMM for
software com disciplinas mais amplas nas �reas de engenharia de sistemas e
desenvolvimento de produtos. Futuramente, o instituto vai parar de suportar
CMM for software em favor do CMMI.
A instala��o de TI do JP Morgan Chase usa CMM for software, ao passo que o
grupo, no geral, trabalha sob Six Sigma. �Nossas equipes de desenvolvimento
alcan�aram o CMM n�vel 2 e est�o a caminho do n�vel 3 em alguns casos�,
revela Michael Ashworth, CIO da unidade de banco de investimento da JP
Morgan Chase & Co. O CIO diz que a mudan�a do n�vel 1 para o n�vel 2 gerou
um planejamento mais confi�vel, aumentando a probabilidade dos recursos da
aplica��o estarem certos da primeira vez e reduzindo, portanto, a tarefa
onerosa de refazer o trabalho. 
Passar de um n�vel de maturidade ao seguinte exige dois ou mais anos de
trabalho �rduo e, em alguns casos, n�o vale o esfor�o, apontam alguns
usu�rios. A Allstate Insurance, por exemplo, quer passar do n�vel 1 ao n�vel
3 e parar por a�. �N�o vemos necessidade de ir para o n�vel 4 ou 5�, diz
Robin Richmond, vice-presidente assistente para Allstate Protection
Technology.
No Brasil, o CMM tamb�m vem sendo cada vez mais utilizado pelas empresas. A
Stefanini IT Solutions, uma das maiores consultorias nacionais de TI, sempre
se preocupou em manter um bom n�vel de qualidade em todos os departamentos,
incluindo a f�brica de software. Em 1996 a empresa obteve o certificado ISO
9001 e em 2002, deu mais um passo � frente ao receber a certifica��o CMM
n�vel 2. O diretor-presidente da empresa, Marco Ant�nio Stefanini, diz que a
homologa��o foi obtida em apenas 12 meses. O motivo foi o fato de a empresa
j� ter uma preocupa��o anterior com qualidade e respeitar as normas ISO
9001. O processo foi conduzido pela ISD-Brasil, empresa credenciada pelo
Software Engineering Institute.
No momento, a Stefanini se encontra no meio do processo de implanta��o do
CMM n�vel 3, iniciado em outubro do ano passado e com previs�o de t�rmino
para setembro. At� agora, os custos est�o em R$ 500 mil. Em 2005, a id�ia �
passar para o n�vel 4. Apesar de considerar a implanta��o do CMM um processo
caro e que consome muita energia, Stefanini diz que, no caso de sua empresa,
a ado��o � uma quest�o de sobreviv�ncia.
Os resultados obtidos com o CMM? O executivo explica que a certifica��o foi
essencial para que a empresa se firmasse como exportadora de software. Com
sete subsidi�rias no exterior (Argentina, Chile, Peru, Col�mbia, M�xico,
Estados Unidos e Espanha), a Stefanini tem 15% de sua receita com vendas
externas. Deste total, 50% s�o provenientes dos Estados Unidos. �O CMM �
muito bem visto pelo mercado norte-americano, o que acaba se tornando um
requisito b�sico na hora de fechar neg�cios com empresas internacionais�,
explica Stefanini.
Entre os principais benef�cios j� obtidos com o CMM, o executivo destaca a
redu��o de cerca de 60% de retrabalho nos projetos, melhoria nos prazos de
atendimento, que subiram de 80% para 96%, queda de 5% a 10% no custo de
desenvolvimento, aumento da qualidade do trabalho e controle de gest�o.
Capability Maturity Model Integration (CMMI) 
Respons�vel: Software Engineering Institute, Carnegie Mellon University 

O que �: O CMMI estende e combina o capability maturity model for software
(SW-CMM), o systems engineering capability model e o integrated product
development capability maturity model. SW-CMM � uma cole��o de melhores
pr�ticas para desenvolvimento e manuten��o de software. Permite que as
empresas avaliem suas pr�ticas e as comparem com as de outras empresas.
SW-CMM mede a maturidade do processo, que progride em cinco n�veis: 1
(inicial), 2 (gerenciado), 3 (definido), 4 (previs�vel) e 5 (otimiza��o). 
Pontos fortes: Muito detalhado. Criado especificamente para organiza��es de
desenvolvimento de software. Enfoca o aprimoramento cont�nuo, e n�o apenas a
manuten��o de uma certifica��o. Pode ser usado para auto-avalia��o. 
Limita��es: N�o aborda aspectos de opera��es de TI como gerenciamento de
seguran�a, mudan�a e configura��o, planejamento de capacidade, diagn�stico e
fun��es de help desk. Estabelece metas, mas n�o diz como atingi-las. 
ISO - A excel�ncia da qualidade
A ISO 9000 � um dos sistemas mais amplo, empregado pelas empresas nas �reas
de manufatura, engenharia, marketing, vendas e TI
A americana LSI Logic � certificada em ISO 9000 desde 1992. Tamb�m usa Six
Sigma e Design for Six Sigma. �Mas ISO � o sistema de qualidade mais amplo
que empregamos�, diz Engelbrecht. �Aplica-se a manufatura, engenharia,
marketing, vendas e TI.� Ele explica que, enquanto o Design for Six Sigma se
concentra em projetos individuais e tenta corrigir os problemas que detecta,
a ISO 9000 ajuda a fazer aprimoramentos de qualidade ano a ano. Isso � feito
atrav�s de auditorias ISO 9000 anuais realizadas por auditores internos e
externos. 
A Nortel Networks usa a TL 9000, uma vers�o de ISO 9000 talhada para a
ind�stria de telecomunica��es. �A certifica��o � aplicada � empresa como um
todo, mas iniciativas de qualidade em TI tamb�m suportam a TL 9000�, diz
Chris Ashwood, vice-presidente para solu��es de desenvolvimento de produtos.
�TL 9000 levou ISO 9000 um passo � frente no sentido de reconhecer realmente
a import�ncia de TI para o desenvolvimento de produtos.�
A instala��o de TI da empresa tem um conjunto de prioridades bem definido
que � atualizado a cada seis meses, um scorecard para cada projeto e um
processo de gerenciamento r�gido para rastrear responsabilidades. �Isso se
alinha muito claramente com a abordagem de ISSO � fazer o que voc� diz que
vai fazer, rastrear responsabilidades e documentar o processo� , diz Albert
Hitchcock, CEO da Nortel.
ISO 9000
Respons�vel: International Standards Organization 
O que �: Um conjunto de padr�es audit�veis de alto n�vel voltados ao cliente
(ISO 9000, 9001 e 9004) para sistemas de gerenciamento de qualidade.
Destinado a garantir controle, repetibilidade e boa documenta��o de
processos (n�o de produtos).
Pontos fortes: Bem estabelecido, amadurecido. Goza de prest�gio global. Pode
ser aplicado em toda a corpora��o. Cobre desenvolvimento de software e
opera��es e servi�os de TI.
Limita��es: Requer adapta��o consider�vel quando utilizado em organiza��es
de TI. Enfoca a repetibilidade e a consist�ncia de processos, e n�o
diretamente a qualidade dos processos. N�o � bom para descobrir a origem de
problemas.
 
Ricardo Cancela
Gerente de Infra-Estrutura
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