Matheus! Cara, seu e-mail está absurdamente bom, obrigado por ele! Fico extremamente feliz em ver que, no meio de tanta gente sem muita noção das coisas, sempre encontramos um ou outro que valem a pena :-).
Vou só incluir minhas considerações aqui, mas enquanto eu vinha pra casa depois do evento eu já estava considerando fazer um post no blog pra deixar tudo registrado. Quando eu fizer, eu divulgo. On Wednesday, June 05 2013, Matheus Guimarães Mello wrote: > nossa, nem vou conseguir fazer um balanço completo de como foi o > evento, de tantas coisas ruins > foi bastante desgostoso ficar lá quase até o fim, mas mantive meu modo > "espião" ligado, dizendo a mim mesmo que é importante saber quais são > os argumentos de nossos "inimigos" Eu infelizmente não consigo ligar esse "modo espião". Mas é bom saber que você consegue :-P. > a sociologia me faz perceber o quanto pequenos detalhes avulsos como > esse de "dêem um like no facebook" já diz muito sobre os > posicionamentos sociais e políticos de uma pessoa. > digo isso porque os três palestrates se não me engano pediram pra > curtir o facebook deles :( Além disso (e pode ter sido preconceito meu, mas...), eu percebi que a própria postura (física mesmo) adotada durante as palestras já demonstra o nível de profundidade que a pessoa tem (ou está disposta a ter). > não foi surpresa para mim que usaram windows, chrome e outras > porcarias, e não importa se foi causalidade ou não, mas houve vários > problemas técnicos durante as apresentações Não fiquei pra assistir a maior parte das palestras, mas não duvido que não tenha sido mera casualidade. > uma impressão que tive é que os palestrantes deveriam dar um curso de > como cativar uma plateia desviando do que realmente importa isso sim, > até dancinha de michael jackson, um doutor de terno falando que ia > publicar as fotos comprometedoras do outro, fazendo piadinhas > machistas e outras de gosto duvidoso. > no geral era apenas pra cativar os calouros para ganhar dinheiro na > área de perícia digital e caçar os hackers motherfuckers (porque > pressupôs que todo hacker é um cracker que não assume, mas que podemos > comprovar...) Eu estava meio com medo de que esse fosse o foco: cativar os futuros engenheiros/cientistas a seguir a profissão, falando sobre os benefícios de ser um """""""""perito""""""""", e por vezes esquecendo completamente do tema principal. Esses são os eventos da tal "Semana da Computação" da UNICAMP, da qual eu nunca participei exatamente porque eu sempre achei que ela devesse ser renomeada pra "Semana de Business". Você chegou a perceber um ou outro organizador (a.k.a. estudantes) usando terno? Esse é o mundo deles. No fundo, esses caras queriam estar numa faculdade de administração. > o sérgio saiu depois de que o primeiro cara perguntou se ainda ensinam > C na faculdade.. O monólogo foi mais ou menos assim: o cara dizendo que hackers e crackers eram malvados, aí de algum modo ele chegou ao ponto de perguntar se as pessoas ainda aprendiam C na faculdade, e depois disse que "hoje em dia é C+, né? C plus.". Sim, ele omitiu o outro "+". E ficou se gabando de ser perito em computação forense. > o raniere foi depois de mais algumas marmotagens. meu > limite foi o último palestrante que ficava gritando coisas totalmente > nada a ver com o tema. O cara começou falando sobre um disco voador que tinha colocado um cristal no meio da platéia, falou que os seres humanos são como águias, que trocam raios de luz com o sol, falou que era pras pessoas despirem suas almas de todo conhecimento prévio, e assistir a palestra pra conhecer as coisas como se eles não soubessem de nada. Sem brincadeira, ele usou essas expressões, e várias outras que eu já esqueci. No meio da palestra, um outro palestrante estava tirando uma foto dele (com um iPônei, claro). O cara simplesmente parou de falar, largou o microfone, e começou a fazer poses e tentar imitar o Michael Jackson. Detalhe: ele estava no meio de um raciocínio, e quando terminou a palhaçada, ele se perdeu completamente. Detalhe^2: **esse mesmo cara** auxiliou o deputado X (não lembro o nome) na confecção da Lei Carolina Dieckmann. > depois sérgio voltou com um professor do ic > (não me lembro o nome dele, que é comprometido com lutas pela > liberdade digital), Eu saí da palestra com o estômago embrulhando, e fui no impulso no IC pra ver se o Stolfi tava lá. Ele prontamente quis vir comigo pra ver o que tava acontecendo. > aí fiquei, e o professor fez mesmo uma pergunta > colocando o pessoal contra a parede, O Stolfi perguntou a posição dos 3 a respeito das liberdades civis na internet, principalmente liberdade de expressão. Lembrando que um dos palestrantes era da polícia, outro era """"""""perito""""""", e o outro era esse cara da dança do Michael Jackson (acidentalmente, um co-autor da Lei Dieckmann). > mas a mesa começou com um > enrolation pra desviar o assunto, O cara gastou uns 10 minutos falando sobre casamento homoafetivo (????), e depois contou o caso de um juiz que lavrou alguma coisa em homenagem ao Corinthians quando o time ganhou a Libertadores (nesse momento, ele já desviou a atenção pro lado do futebol também). > depois sugeriram que garantir > privacidade é impossível (e aí respondeu indiretamente a pergunta, > informando que eles não tem comprometimento com isso) Um outro palestrante disse que "[...] se você quiser privacidade pra coisas como nome, RG, endereço, dados cadastrais, é melhor você não existir.". Acho que o Matheus sumarizou impecavelmente: eles disseram não-tão-indiretamente que estão pouco se lixando pra esse assunto. > e depois fizeram > um show lá de dançar, contaram piada e chamaram alguém da plateia que > alegou ter sofrido bullying no facebook (apesar de no final, > continuarem a insistir os pedidos de likes no face). achei um > desrespeito à pergunta. Como o próprio Matheus disse, eles deram uma aula de como não responder o que foi perguntado e ainda assim sair muito aplaudido por um bando de pseudo-estudantes filhinhos de papai. > [saí um pouco depois para não perder minha janta no ru por causa do > evento, sérgio se tiver acontecido algo mais, diz aí] Depois da pergunta do Stolfi, 3 ou 4 estudantes também fizeram perguntas. *TODOS*, sem exceção, perguntaram coisas a respeito da profissão de perito, de como entrar, quanto ganha, etc. Acho que, pra eles, o objetivo do evento foi cumprido com louvor. > ao mesmo tempo que era de se esperar, é inacreditável que esses caras > são nossos "representantes" na legislação e aplicação de punições de > crimes digitais. O pior é que esses caras não são escolhidos pela população. Como o próprio Stolfi disse no final, "eles são todos polícia". Não sei o que mais dá medo: ver que eles são os caras que, de certa forma, nos representam, ou ver pessoas dentro de uma faculdade pública babando no que eles falam. É impressionante. > fui lá mais para ouvir o meu conterrâneo marcelo batalha falar de sua > pesquisa, mas ele só fez um enrolation de apresentar os outros, não > sei o que aconteceu com ele, originalmente ele foi treinado como jedi, > então não sei se ele se vendeu de fato, ou se é o mais incrível agente > disfaçado. Esse parágrafo foi, de longe, o mais foda do seu e-mail! Hahahaha :-). Bem, pra terminar, queria dizer que tenho conversado com o Stolfi pra fazermos um "contra-evento" explicando os malefícios dessa política doida de leis Dieckmann e Azeredo & cia. Gostaria muito de poder contar com todos (que, no caso do LibrePlanet SP, é só um subconjunto do todo) pra isso. Grande abraço, e obrigado pelo relato! -- Sergio
