Em Quarta 07 Junho 2006 16:09, Alex escreveu:
>
> Digamos que considerei capacitação pela citação do colega anterior e
> pelo contesto geral(usuário) que precisa ser capacitado paraa ser
> capaz a resolver seus problemas e não apenas usar um sistema X ou Y.
> Fiz um curso certa vez com um destes "profissionais" LPI e foi $ jogado
> fora! não que o profissional não seja competente....ele apenas não sabia
> ensinar! e como ensinar. O que valeu em conta foi o material!

Eu já certifiquei muita gente -- provavelmente alguns dos que lêem essa lista 
foram certificados por mim entre 1999 e 2000 ao obter certificação da 
Conectiva -- e sempre fui da opinião de que a certificação *não* vale para 
nada. 

Não?  Não.  Na hora de um problema, não adianta saber como capturar as 10 
linhas do meio de um arquivo ou como trocar as ocorrências de uma string por 
outra em todos os arquivos de um diretório...

Isso são coisas que se aprende em pouco tempo ou mesmo encontra-se receitas 
prontas no Google.  O que vai tornar o profissional realmente bom é sua 
capacidade de diagnóstico, sua capacidade de correlacionar situações, sua 
capacidade de utilizar os recursos que o sistema oferece para ele obter a 
solução e também para identificar qual das diversas soluções é a melhor, mais 
robusta e mais confiável.

O que vejo é uma busca incessante por "receitas de bolo", mas que se algo no 
sistema do "administrador" é diferente, ele não sabe para onde correr.  É 
possível fazer muita coisa com receita de bolo?  É.  É possível ter muitas 
falhas de segurança com receitas de bolo?  MUITAS delas têm coisas absurdas.

E não pensem que as documentações de programas e sistemas estão imunes, pois 
já vi instruções tão absurdas a ponto de conterem "chmod -R 777 diretório" 
como um dos passos.  Se o administrador não possui discernimento para 
identificar que isso é um risco, não adianta ele saber o comando e sua 
sintaxe.

Tudo isso para, no fim, dizer que não é porque o cara tem uma certificação X 
ou Y (em qualquer área, SO, aplicações, bancos de dados, etc.) ele é bom; ele 
teve capacidade de responder a um teste geralmente de questões de múltipla 
escolha e acertar as respostas decoradas para o teste.

Claro, também, que há excelentes profissionais com a certificação, mas no 
final caímos na mesma: não importa ser ou não certificado, se o profissional 
domina o assunto ele resolve o problema.

> O problema atual é o contexto da pirataria de inúmeras pessoas que
> conheço, sorteando umas 10, as 10 usam pirata em casa! na cabeça deles
> piarata faz o que eles prescisam e sai mais barato!..... concordo que
> deveria existir mais controle a pirataria... mas de forma informativa
> e não na opressão! opressão deve ser em empresas que usam pirata, se
> os usuários fossem conscientes não aceitariam pirataria, o site da
> ABES permite denuncias anónimas! mas quem sabe disso? usuário não sabe
> nem o que é ABES

Você quer dizer que um crime em uma empresa é "mais crime" do que um crime em 
uma residência?  Pois em qualquer um dos lugares a pirataria *é* crime.  O 
"prejuízo" da empresa distribuidora de software certamente é diferente devido 
à escala, mas isso não torna uma situação mais ou menos correta do que outra.

> Concordo que deva existir maior rigor para com as empresas, pois quem
> usa pirata prejudica nossa economia de forma indireta(poderia estar
> usando SL) em vez de pago...Pirataria na verdade está relacionada a
> mais de um crime: como por ex:
> 1 uso indevido de licenciamento
> 2 sonegação fiscal e promovendo a continuidade do cilco vicioso da
> ciranda-cirandinha de SW pirata.

O círculo vicioso é mantido mesmo com o uso nas residências.  Lembre-se que se 
o presidente da empresa usa o software X na casa dele ele vai querer usar o X 
na empresa.  Isso é fato.  Se na casa dele ele "não pagou" pois "veio com o 
computador", então porquê haveria de pagar na empresa?

Toda a lógica para evitar a pirataria deveria iniciar-se com a educação do 
usuário.  Não é mentir para ele dizendo que vai pegar vírus, o computador vai 
explodir, etc., mas é explicar o que acontece.  Há, também, o lado comercial.  
Todos aqui sabemos que uma vez pronto o software replicá-lo milhões de vezes 
acarreta custos mínimos.  Impossível que mesmo após anos e anos de uso de 
Office e Windows, por exemplo, os custos ainda continuem extremamente 
elevados de forma a justificar gastar o mesmo valor em software *essencial* e 
em hardware para executar este software.

> COmo eu falei, capacitar informando como resolver os problemas e não
> apenas do sistema antes X, agora Y

Não acho que esse seja o foco.  Tenho clientes que não sabem -- e não querem 
saber -- como fazer algumas operações ou diagnósticos básicos no sistema que 
usam.  Não é atividade-fim deles.  O computador é uma ferramenta de trabalho, 
assim como um martelo.  Ele é necessário, mas conhecer detalhes do 
funcionamento não o é.

Como resolver esse tipo de problema?  Simples!  Pegue o telefone -- ou MSN, 
ICQ, Google Talk, Skype, email, etc. -- e entre em contato com o consultor / 
prestador de serviços / suporte técnico.  Paga-se por isso mas o custo do 
problema é muito menor e o incômodo tende a zero.  Se o suporte não atende 
rápido o suficiente ou é caro demais, troque o responsável pelo suporte.  E 
se tiver o mesmo problema várias vezes, já sabe que o cara é picareta e só 
faz "remendos" ao invés de resolver a situação de forma definitiva.

> Normalmente o usuário vem do histórico do adestramento tecnologico,
> acostumado com o pirata em casa e com as versões similares que já teve
> contato um dia.... na vida tudo é assim, veja os "motoristas" tem
> muita gente que não sabe nem o que é conta giros! rsss

Se esse fosse o maior problema (pois não é, já que há carros sem conta-giros) 
o trânsito seria uma maravilha! :-)

Mas, realmente, o problema vem do "meio". 

> Por isso que discordo deste tipo de abordagem, embora não seja viável
> outra.

É viável.  O que deve haver é a preocupação em apontar as ferramentas.  Os 
usuários precisam ser educados para realizarem suas tarefas.  Se eles ficam 
instalando e removendo coisas o tempo todo, há algo errado com o procedimento 
elaborado pela equipe de TI.  Se não há uma equipe de TI, é responsabilidade 
do consultor responsável pela migração apontar as aplicações e metodologias 
equivalentes.

Precisa-se exigir do profissional que ele seja profissional.  Ninguém aceita 
um projeto cheio de borrões de um arquiteto, por quê aceitam, então, um 
projeto cheio de "gambiarras" de um "técnico"?


Sds,
-- 
Jorge Godoy      <[EMAIL PROTECTED]>

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