> On 5/30/06, Sulamita Garcia <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> Eu não ataquei a Lindinha, e sim o preconceito dela em relacão ao tipo de
> trabalho que estas meninas fazem.

"Outra coisa: acho que a frase "Uma mulher que não se sente livre para
conhecer o próprio corpo não se sentirá livre para abrir um CPU" funciona
muito bem. Não confunda isso com pornografia. Você vê alguma coisa de errado
nestas imagens?

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/346895.shtml

Desde os tempos mais remotos o conhecimento entre as mulheres é associado à
promiscuidade, como se isso fosse uma coisa suja. Você acha que incentivar
uma mulher a também conhecer o próprio corpo é uma coisa suja, Lindinha?
Você já percebeu como os homens se sentem muito mais à vontade para falar
sobre estas coisas do que as mulheres?

Reveja seus conceitos."

Não consta nos mails da Camila que ela tenha confundido a frase com
pornografia. O que consta, e eu me lembro bem, foi que foi dito que elas
tinham o projeto de pornografia livre. E que a mesa foi uma futilidade sem
fim todos concordamos.

Pra mim isto não faz a menor diferença, mas eu tenho a *capacidade* de me
colocar no lugar da Camila e entender perfeitamente do que se trata. Mesmo
pq pra mim não faz diferença porque não é comigo, agora, que se fosse
ligado a mim, seria desmoralizante. Imagina, utilizar o servidor do
Linuxchix para distribuir pornografia livre. Você realmente acha que
alguem ia lembrar de todo o material e trabalho feito já pelo grupo?

E não entendi outra coisa. Há algum tempo atrás houve toda uma comoção
porque um pacote foi inserido no Debian com desenhos pornográficos, porque
isto objetificava a mulher. As americanas se sentem incomodadas com a
Maria Cristinna porque ela passa primeiro a imagem de sexy ao invés de
técnica. Mudaram os tempos mesmo?

> Já é, o projeto está vivo acontecendo, e cada vez trazendo mais mulheres
> para perto da tecnologia. Todas as mulheres que participam das oficinas
> delas adoram, os resultados são extemamente positivos, faz com que se
> sintam
> muitos mais seguras em vários aspectos, inclusive em relacão ao próprio
> corpo.

Ah, muito bom. Finalmente se fala disto. Acho que a parte de apresentação
de trabalhos de verdade ficou soterrada pelas dissertações. Quem sabe vc
possa dar mais dados concretos, sobre quando ocorrem estas oficinas, sobre
o que elas tratam, quem pode participar. Perguntar não ofende ainda, né?

Eu não gosto da forma como elas divulgam isto, justamente quando a gente
tenta valorizar o trabalho profissional e não o uso do corpo como
ferramenta de promoção. Não sei se a escolha das idéias foi com a intenção
de chocar ou de chamar atenção, o que não duvido que seja bem sucedido
nestes pontos. Mas se elas sabem desenvolver o trabalho desta forma, e
melhor ainda, tem resultados positivos, ótimo. Nem duvido que as mulheres
se sintam mais seguras, para toda idéia e toda forma de aproximação existe
o público alvo. Garanto que uma PlayNerd ia fazer um baita sucesso E ainda
atrairia muita gente para descobrir o que é software livre. Agora, se isto
é uma idéia razoável, pra mim vai uma grande diferença.

> Elas também são técnicas, e excelentes, por sinal. Além disso, meu
> universo
> também é técnico, porque você acha que não é? Os dois universos não se
> excluem, a não ser quando existe o preconceito.

Seu universo é tecnico? Mesmo? Achei que vc era
articulista/promotora/instrutora/divulgadora/defensora/evangelista/entusiasta/artista/diretora/[whatever]
do software livre e trabalhasse nos pontos de cultura. Quem sabe então
você possa falar sobre seu trabalho? Eu pessoalmente esperava saber mais a
respeito disto do que sobre seus gostos musicais ou seus conhecimentos de
I Ching. Porque um ano depois, certamente deve ter muito o que contar, né?
E isto, do meu ponto de vista, é bem mais produtivo. Sério mesmo.

> Eu imagino, este tipo de preconceito é um dos mais difíceis de ser
> combatido.

Não, você não entendeu, ou não quis entender. Todas as mensagens que eu
recebi foram de parabéns por ter cobrado algum projeto real, algum foco,
alguma coisa concreta das palestrantes. Que realmente faltava alguém fazer
isto.

> Realmente ela se horrorizou um pouco demais pela história da
>> "pornografia livre", mas convenhamos que uma menina que tem que
>> enfrentar
>> todo dia o preconceito de homens achando que ela está ali na engenharia
>> pra arrumar marido - ou seja, ser objeto sexual - participar de uma mesa
>> onde se divulga a pornografia livre é rídicula.
>
>
> Você realmente acha que o meio em que você trabalha te contamina? Só
> porque
> ela lida com isso tem de ser condenada a não poder falar do próprio
> trabalho? Isso sim é preconceito!

Ein??? Ela quem? que trabalho?

> acho que eu estava na mesa errada... quem ali não tem trabalho concreto? o
> servidor das mulheres não é um trabalho concreto? os telecentros mantidos
> por mulheres não é um trabalho concreto? o incentivo à formacão de grupos
> de
> gênero e software livre fora do brasil não é trabalho concreto? as
> oficinas
> de tela preta do cultura digital ministradas tanto por homens quanto
> mulheres não são um trabalho concreto? E que eu saiba, todas as mulheres
> ali
> estavam muito bem empregadas, portanto, não precisavam ficar desfilando
> currículo.

Opa, telecentros mantidos por mulheres? Isto é novidade. E eu acho que
também estava em outra mesa. Quem sabe se um dia liberarem o vídeo a gente
possa ver. Que telecentro? Camila, tu lembra de algum telecentro? Isto
seria uma grande novidade, porque que eu soubesse o projeto de "telecentro
feminista" virou lenda urbana. Tem outro?
Oficinas de tela preta? incentivo, formação, gênero... eu quero dados.
Agora, engraçado dizer que não precisavam ficar desfilando currículo.
Mesmo porque de duas horas de debates sobrou 18 minutos para o debate, o
resto foi gasto em apresentações. O que a gente pede é trabalho concreto,
o que ate agora vc fica rodeando e não dá dados, só diz que tem. Mas cadê?
Perguntar não ofende... Ou ofende?

>
> Mas que o "formato" da coisa ficou tosco, isso eu concordo.

Tosco pra mim é algo sem floreios, rústico, mal talhado. Não seria bem o
adjetivo que eu usaria.

> o que você queria ter visto?

Novamente: o que vocês andam fazendo de concreto?

> he, isso fui eu que falei. Mas você não tinha feito a pergunta pra mim,
> você
> falou olhando pra outra pessoa, que te respondeu e passou o microfone pra
> mim, pedindo que eu desse prosseguimento às apresentacões pessoais que
> estavam sendo feitas. A ordem solicitada era que todas se apresentassem e
> falassem um pouco de si e de seu envolvimento com a questão de gênero, e
> foi
> o que eu fiz.

E foi repetido no final quando eu insisti na pergunta, questionando qual o
problema entre o discurso e a prática.

> Não vi ninguém lá dando motivos para que se pensasse isso. E mesmo que
> tivesse rolado, pensei que você fosse superior a este tipo de coisa.

Ai meus sais...
Fabs, por favor vai, pare de apelar. Que argumento mais sem noção, "pensei
que você fosse superior". Afffff...
Se eu fosse me importar com o que falam de mim, não saía mais de casa. Mas
isto não tem a menor importancia na discussão. O ponto é o comportamento
de pessoas que se dizem divulgadoras, feministas, bla bla bla, denigrem e
estragam o trabalho de quem não tá aqui pra ficar de palhaçada.
E esta de "não vi ninguém lá dando motivos", hmmm, realmente, na mesa
parecia todo mundo muito civilizado. Alguma idéia de porque tão pouca
gente se interessou pela mesa? Alguma idéia de porque eu fui a mesa, e pq
Camila foi de ultima hora? Será que é pq devido a já conhecer o ambiente,
ninguem queria ir?

> Isso é verdade. Vim aqui falar de um projeto que não tem nada a ver
> comigo,
> nem trabalho nele, soube que as meninas lá estavam precisando de técnicas,
> postei o anúncio aqui e a coisa já descambou pra outro lado. Por que será?

Quem sabe você nos ajude a descobrir.
Será que é porque desde que você foi pra Brasília, o Linuxchix deixou de
ser um dos milhares de projetos que vc é entusiasta, já que segundo suas
críticas ano passado, a gente não fazia inclusão digital, e orgulho mesmo
era a dona Maria que não entendia lhufas de informatica mas estava cedendo
a casa para QG dos hackers?
Será porque você está acostumada a um ambiente em que todo e qq vapoware é
aplaudido, enchido de adjetivos e depois esquecido?
Será que porque aqui o perfil das pessoas é questionador, sem esta de que
"esta idéia é maravilhosa, você TEM que apoiar/aplaudir"?
Será que é porque você não consegue se colocar no lugar da Camila, ou no
lugar de quem sabe que um servidor de pornografia no trabalho rederia uma
demissão sumária?
Ou será que agora perguntar ofende???

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"A little less conversation, a little more action please"
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 °v°  Sulamita Garcia
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