Olá a todos. Gostaria aqui de fazer uma confissão em público de algo pessoal...
Um dia (na minha adolescência) acreditei que o Espaço Físico era euclidiano e que o Tempo era absoluto. Ora, tudo no meu dia a dia confirmava para mim essa minha crença, pois todo movimento nesse Espaço e nesse Tempo podia ser descrito com uma precisão matemática (inclusive, por exemplo, as caixas de madeira que eu construía e que não davam certo, ficavam todas tortas): como podia ser diferente? Quando, no meu 1º ano do colegial, tomei conhecimento (mais técnico) da Relatividade, no livro Fundamentos da Física, de Nicolau, Toledo e Ramalho ( http://www.traca.com.br/seboslivrosusados.cgi?mod=LV312239&origem=resultadodetalhada ), achava aquilo um absurdo: como poderia duas velocidades contrárias não se somarem simplesmente? Parecia-me um contra-senso. Quando entrei no Curso de Física, acreditava que tudo, inclusive a capacidade humana de conhecer a Matemática, pertencia ao mundo da (minha) Física (na época); assim, como poderia as verdades da Aritmética não poder ser derivadas de um conjunto finito de axiomas? Achava que havia algo errado com a demonstração de Gödel de seu(s) teorema(s) de incompletude. Acreditava também em outras coisas, como, por exemplo, no determinismo do Mundo Físico e na necessidade de se reformar a Mecânica Quântica. E, quando entrei no mestrado em Psicologia, acreditava que poderia assumir que, em princípio, o comportamento humano poderia ser descrito de forma completa por algum modelo matemático (derivado de modelos físicos, por que não?). Como vêem, várias de minhas crenças não se confirmaram. O que isso prova? Que Deus existe? Que os místicos estão certos? Com certeza, *non sequitur*. Por outro lado, todas esses frustrações me ensinou a ser mais cauteloso em relação ao que acredito que pode ou não pode ser. Claro que me importo se Deus existe ou não; claro que me importo se há vida após a morte (e, João Marcos, isso não é necessariamente um oximoro, pois a dita vida é a da alma, ou mais, precisamente *da consciência*, e a morte é a *do corpo*); e também gosto muito de Ciência (que deve ser feita de modo rigoroso) e não confundo os diversos tipos de sabedoria. Posso dizer que hoje sou mais feliz que antes e não me sinto menos cientista ou menos filósofo por isso. E, com certeza, pelo menos para mim: "There are more things in heaven and earth, Horatio, <javascript:poptastic('HamletNotes15.html#167');>Than are dreamt of in your philosophy." Um grande abraço a todos. Ricardo. -- Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari
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