Confiteor ego peccator... 2008/9/25 Ricardo Pereira Tassinari <[EMAIL PROTECTED]>
> Olá a todos. > > Gostaria aqui de fazer uma confissão em público de algo pessoal... > > Um dia (na minha adolescência) acreditei que o Espaço Físico era euclidiano > e que o Tempo era absoluto. Ora, tudo no meu dia a dia confirmava para mim > essa minha crença, pois todo movimento nesse Espaço e nesse Tempo podia ser > descrito com uma precisão matemática (inclusive, por exemplo, as caixas de > madeira que eu construía e que não davam certo, ficavam todas tortas): como > podia ser diferente? Quando, no meu 1º ano do colegial, tomei conhecimento > (mais técnico) da Relatividade, no livro Fundamentos da Física, de Nicolau, > Toledo e Ramalho ( > http://www.traca.com.br/seboslivrosusados.cgi?mod=LV312239&origem=resultadodetalhada > ), > achava aquilo um absurdo: como poderia duas velocidades contrárias não se > somarem simplesmente? Parecia-me um contra-senso. > > Quando entrei no Curso de Física, acreditava que tudo, inclusive a > capacidade humana de conhecer a Matemática, pertencia ao mundo da (minha) > Física (na época); assim, como poderia as verdades da Aritmética não poder > ser derivadas de um conjunto finito de axiomas? Achava que havia algo errado > com a demonstração de Gödel de seu(s) teorema(s) de incompletude. > > Acreditava também em outras coisas, como, por exemplo, no determinismo do > Mundo Físico e na necessidade de se reformar a Mecânica Quântica. E, quando > entrei no mestrado em Psicologia, acreditava que poderia assumir que, em > princípio, o comportamento humano poderia ser descrito de forma completa por > algum modelo matemático (derivado de modelos físicos, por que não?). > > Como vêem, várias de minhas crenças não se confirmaram. > > O que isso prova? Que Deus existe? Que os místicos estão certos? Com > certeza, *non sequitur*. > > Por outro lado, todas esses frustrações me ensinou a ser mais cauteloso em > relação ao que acredito que pode ou não pode ser. > > Claro que me importo se Deus existe ou não; claro que me importo se há vida > após a morte (e, João Marcos, isso não é necessariamente um oximoro, pois a > dita vida é a da alma, ou mais, precisamente *da consciência*, e a morte é > a *do corpo*); e também gosto muito de Ciência (que deve ser feita de > modo rigoroso) e não confundo os diversos tipos de sabedoria. > > Posso dizer que hoje sou mais feliz que antes e não me sinto menos > cientista ou menos filósofo por isso. E, com certeza, pelo menos para mim: > "There are more things in heaven and earth, Horatio, Than are dreamt of in > your philosophy." > > Um grande abraço a todos. > Ricardo. > > -- > Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia > UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília > Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari > > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > >
_______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
