Caro Doria, Se FHC odiava professores universitários, mas amava a iniativa privada (ou foi forçado a fazê-lo), o governo atual odeia a inicativa privada e tenta amar os professores. Como sempre tive um pé na docência e outro na iniciativa privada (antes de 2001, nem tão privada assim), acho que sempre vou ficar descontente com qualquer governo que apareça por aqui.
[ ]s Alvaro Augusto de Almeida http://www.alvaroaugusto.com.br [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Décio Krause Cc: Lista_Lógica Sent: Tuesday, September 30, 2008 3:30 PM Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa/governo de apedeutas Deixa eu dar uma opinião contrária, até porque estive de 2003 a 2006 no CDES, convivi com vários ministros e senior officers desse governo, e tive muita discussão interna sobre as políticas deles. O Palocci foi um desastre na fazenda. Não sabia o que fazer, e só acumulava superávits primários, restringindo o dinheiro em tudo quanto é canto. Tive, durante seu consulado, uma conversa longa com o Aluisio Mercadante, que representa o grupo do Mantega, e o Aluisio me disse: fecho com o governo em público, mas internamente brigo furiosamente para mudar as políticas na economia. O Palocci caiu devido a um incidente menor - queria esconder que transava com putas caras, como acontece com todo mundo em Brasília (caras e baratas: uma vez desembarquei na porta de meu hotel, SHS, às onze da noite, e fui atacado por um pelotão de adolescentes de microssaias e sandálias de salto agulha, querendo que eu pegasse uma delas e levasse para cima - enquano o porteiro do hotel me olhava, condescendente e achando graça). Mas foi dado, na queda do Palocci, um minigolpe: a política mudou para uma política mais gênero keynesiano, mais ao estilo new deal. Conversei muito sobre isso com o Assis, José Carlos de Assis, hoje no BNDES. O Lula deveria implementar uma política gênero Roosevelt. Bolsa-família, aumentos de servidores, crédito fácil para a classe média são parte dessa política. E está funcionando. O governo, hoje, tem menos a influência dos sindicalistas - como aqueles todos de nomes esquisitos que deram nos escândalos do primeiro governo - que dos quadros e dos técnicos. Tarso Genro é um ideólogo (tenho um retrato dele abraçado comigo, com Glaci Zancan - saudades... - e com Eros Grau) mas é uma pessoa correta, e ouve críticas. Miguel Jorge, um jornalista que fez carreira como administrador de empresas bem sucedido. Fernando Haddad, um quadro administrativo discreto e competente. O Temporão, ótimo sanitarista, com mão de ferro como administrador. Não é um governo de apedeutas, com certeza. E é muito mais eficiente que o governo de FHC, com todas as láureas que esse tenha - um governo que estagnou o país. E, que pelo que sei, odiava os professores universitários. 2008/9/30 Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]> Legal esse final (mas duvido) de discussão. Viadagens e milindres à parte (êpa, êpa, ôba, ôba, como dizia o Ivan Lessa nos bons tempos do Pasquim, lá por 1969), pelo menos em uma coisa todos concordamos, apesar de óbvia (viram como essas discussões são produtivas?): que o Lula é um apedeuta (será que a língua pátria me permitiria dizer "aPTeuta"?) cercado de ladrões por todos os lados. Mas não se enganem, ele não é uma ilha, mas o atrator, o buraco negro. Aprendemos algo, afinal, mesmo com o português errado! D. 2008/9/30 <[EMAIL PROTECTED]> Meus caros, como o nivel não está nas alturas, e estamos falando de poesia então gostaria de lembrar uns versos de um "poeto" pernambucano (e esse não é analfabeto), Manuel Bandeira: "Vinha da boca do povo na língua errada do povo. Língua certa do povo. Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil" Renato. Quoting Silvio <[EMAIL PROTECTED]>: > > Marcelo: > > Vs.representa ponderável segmnto da população que > aceita incorporar ao vernáculo as variações linguínsticas oridundas > dos diversos "modos" ou vícios de linguagem que apopulação, om o > implacável tempo, adota. > Existem fundamentos básicos como nos ensinam os dicionários ,as > gramáticas, a ABL. e os autores eruditos. > > Vs.não deve lamentar nada: você reflete grande parte da > sociedade,hoje liderada por um analfabeto funcional e cercado de uma > corja de inclusive criminosos confessos confessos como é o caso do > (Jair) Mink. > > São os novos tempos. eis uma das razões pelas quais jamais recebemos > um Nobel de literatura: Esqueceram do G. Rosa..... > > Espero que essa nova "escola" grave os falares do apedeuta e o > incorpore ao VOLP. > > um bom dia e realmente encerremos o tema, fora do escopo do grupo. > > silvio > ----- Original Message ----- > From: Marcelo Finger > To: Silvio > Cc: Walter Carnielli ; [email protected] > Sent: Tuesday, September 30, 2008 9:43 AM > Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa > > > > > A língua, para quem a cultua, deve seguir o que orienta os gramátisos e > sobre a forma de escrever as palavras, o VOLP. > > Caro Sílvio. > > Lamento, mas tenho uma posição absolutamente oposta a esta > expressada acima. Não há justificativa para essa camisa de força, > esse engessamento do uso da linguagem que despresa a dinâmica, a > variação, os regionalismos, que são fenômenos naturais, universais, > comuns a todas as línguas, e portanto inevitáveis. > > Não há motivos para dar o monopólio do controle da língua para os > gramáticos. A língua é de seus falantes. > > Eu acho ótimo haver um VOLP, se ele estivesse disponível > eletronicamente nos ajudaria muitíssimo nos programas de Linguística > Computacional. Mas ele está muito longe de ser a última palavra em > termos de língua. A única coisa que se pode dizer sobre ele é que > ele já está desatualizado na hora que é publicado. > > E, por falar nisso, eu tb não gosto de "estória". Mas, assim como > o verbo "ponhar" (variante do verbo por), a "estória" existe. E > podemos até escrever A História do Emprego de "Estória" no Português. > > Abraços > > Marcelo > > PS: Não voltarei mais a este assunto, pois essas discussões tendem > a ser intermináveis. Apenas deixo minha opinião, formulada e > reformulada ao longo de décadas. > > > > > Essa questão sobre "poeta" já está por demais batido, as madames podem se > arvorar em "poetas": não há ocorrência de crime: apenas de > umaclara vontade > de se masculinizar, é até possível que tenham problemas psicológicos pois > fora o pedantismo, não há respaldo culto para essa degradação. > > Estou escutando repórteres na TV dizendo menu com a terminação > em u, quando > é público e notório que é palavra francesa e que na pronúncia o > "u" tem som > de "i"....é a deterioração da lingua, como dos costumes e como > do caráter, > que o apadeuta e sua corja, impõem, paulatinamente, no país: somos > recordistas ocidentais em analfabetos funcionais. > > sds., > silvio. > > ----- Original Message ----- > From: "Walter Carnielli" <[EMAIL PROTECTED]> > To: <[email protected]> > Sent: Monday, September 29, 2008 5:41 PM > Subject: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa > > > Ola Silvio, > > embora esta minha intervenção não tenha a menor relevância sobre o > tema em discussão e nem sobre temas da Lista, e aproveitando que > Deus saiu da pauta, não posso deixar de mencionar o que a própria > Hilda Hilst, me disse (ela morava numa chácara em Campinas e a > visitei muitas vezes) sobre a historia de ser "poeta" e não > "poetisa". Algo assim: se existisse "poeto", ela seria "poeta". > Como os idiotas dos académicos inventaram mal o termo, eles > que...#*$.. e ela continuaria a ser "poeta: da mesma maneira... Uma > espécie de demonstração não-construtiva da apropriabilidade (epa!) do > termo. > > Abraços, > > Walter > > > > João: > > > > Guimarães Rosa nãocriou neologismos: ele, em suas prolongadas > viagens de > > pesquisa pelo interior de Minas anotou os diversos falares, as > > deturpações > > da lingua em função exatamente da falta de continuidade por formas > > literárias ou educativas, das formas eruditas dos vocábulos. > > > > Até a falta de dentes em grande parte do pessoal do interior contribuiu > > pra > > isso..... > > > > Exemplo atroz é o uso indevido de "estória" que hoje é > corriqueiro e é um > > despudor, um ambicismo quedesonra a cultura de quem o utiliza. > > Por sua própria etmologia, é uma palatra que descreve algo que > > antiriormente não era conhecido. Exemplo: kardecismo: > "Doutrina religiosa > > de > > Allan Kardec (1804-1869), pensador espírita francês". Esse vocábulo, > > obviamente, não existia antes da existânaia do criador do espiritismo. > > Usar a deformação viciosa como o caso do "estória" não é neologismo, é > > vício > > de linguagem. > > Qualquer pessoa só deve escrever dentro dos parâmetros das > regras cultas, > > uma delas é usar vocábulos existentes no VOLP: uma curiosidade > é o fato de > > famosa poetisa brasileira (por motivos que não revelou), arvorar-se em > > "poeta", não aceitando o título de poetisa conforme nos ensina a > > gramática: > > e diversas senhoras, por modismo, para se diferenciarem ou mostra uma > > cultura que é falsa, arvoram-se em "poetas" o que desqualifica toda sua > > obra. > > Autores consagrados - é o caso de guimarães Rosa e o grande > poeta lusitano > > Fernando Pessoa ousam alterar a formatação dos vocábulos tanto para > > mostrar > > sua erudição como para aprimorar o sentido do texto, o que não os > > incorpora > > oficialmente à língua: são apenas detalhes artísticos. > > > > Deve haver algum trabalho de qualidade sobre isso: se alguém > tiver, que o > > traga à luz: Rabelais até criou um povo denominado "Nefelibata" em > > homenagem aos criadores de neologismos...". > > > > Copiei na ewikipedia: > > > > "Termo utilizado para classificar uma palavra nova que surge > numa língua > > devido à necessidade de designar novas realidades - novos conhecimentos > > técnicos, objectos gerados pelo progresso científico > (neologismos técnicos > > e > > científicos) e até por questões estilísticas e literárias, tornando a > > língua > > mais expressiva e rica (neologismos literários). > > > > O que sucede quando precisamos de atribuir um novo nome para > designar uma > > ideia ou objecto novos é escolher uma destas opções: formar uma palavra > > nova > > a partir de elementos que já existam; adoptar um termo de uma outra > > língua; > > alterar o significado de uma palavra já antiga. Daí que os neologismos > > criados possam possuir diferentes processos de formação: por derivação > > (ficcionismo, metaficção), por composição (astronauta, homeopatia), por > > imitação de outras palavras já existentes na língua (eurocrata), por > > transferência de vocábulos pertencentes a outras línguas > (clicar, inputar, > > scannear), ou palavras completamente novas que são criadas. > Neste último > > grupo, incluem-se os neologismos literário-estilísticos que são criados > > para > > se conseguir um efeito único, especial, ou tornar uma frase > mais maleável, > > concentrando uma expressão numa palavra, de modo a tornar o > sentido mais > > explícito, por exemplo: «trotamundos» (forma como Walter, uma das > > personagens de O Vale da Paixão é referida várias vezes, pelo > pai, por não > > permanecer muito tempo no mesmo local) e o substantivo seu derivado". > >
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