Caro Doria
Rendo-me aos seus argumentos e talvez o Lula não seja mesmo tão estúpido,
somente primário, mas eu não gosto dele e nem do PT em geral. Veja por
exemplo o que você disse do Mercadante: são falsos. De dia João, de noite
Odete, de microsaia em Brasília, talvez. Cuidado, meu amigo. Vai ver que o
porteiro estava rindo porque sabia que era o Mercadante em traje de gala.
Com exceção do Tarso, de quem desconfio, os outros ministros parece que são
de fato decentes, como o Haddad. E, afinal, o Lula está surpreendendo em
algumas coisas, mas se olharmos para o irmão dele, para o compadre, para o
filho, para a filha e genro, etc., vê-se que ele tem metido a mão no jarro
em prol da prole. Mas quanto ao FHC, para nós foi de fato o pior de todos.
Quem não lembra do Paulo Renato?
Partilho a saudade pela Glaci.
Abraços bretões,
Décio
(estou em Oxford)

2008/9/30 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>

> Deixa eu dar uma opinião contrária, até porque estive de 2003 a 2006 no
> CDES, convivi com vários ministros e senior officers desse governo, e tive
> muita discussão interna sobre as políticas deles.
>
> O Palocci foi um desastre na fazenda. Não sabia o que fazer, e só acumulava
> superávits primários, restringindo o dinheiro em tudo quanto é canto. Tive,
> durante seu consulado, uma conversa longa com o Aluisio Mercadante, que
> representa o grupo do Mantega, e o Aluisio me disse: fecho com o governo em
> público, mas internamente brigo furiosamente para mudar as políticas na
> economia.
>
> O Palocci caiu devido a um incidente menor - queria esconder que transava
> com putas caras, como acontece com todo mundo em Brasília (caras e baratas:
> uma vez desembarquei na porta de meu hotel, SHS, às onze da noite, e fui
> atacado por um pelotão de adolescentes de microssaias e sandálias de salto
> agulha, querendo que eu pegasse uma delas e levasse para cima - enquano o
> porteiro do hotel me olhava, condescendente e achando graça). Mas foi dado,
> na queda do Palocci, um minigolpe: a política mudou para uma política mais
> gênero keynesiano, mais ao estilo new deal.
>
> Conversei muito sobre isso com o Assis, José Carlos de Assis, hoje no
> BNDES. O Lula deveria implementar uma política gênero Roosevelt.
> Bolsa-família, aumentos de servidores, crédito fácil para a classe média são
> parte dessa política. E está funcionando.
>
> O governo, hoje, tem menos a influência dos sindicalistas - como aqueles
> todos de nomes esquisitos que deram nos escândalos do primeiro governo - que
> dos quadros e dos técnicos. Tarso Genro é um ideólogo (tenho um retrato dele
> abraçado comigo, com Glaci Zancan - saudades... - e com Eros Grau) mas é uma
> pessoa correta, e ouve críticas. Miguel Jorge, um jornalista que fez
> carreira como administrador de empresas bem sucedido. Fernando Haddad, um
> quadro administrativo discreto e competente. O Temporão, ótimo sanitarista,
> com mão de ferro como administrador.
>
> Não é um governo de apedeutas, com certeza. E é muito mais eficiente que o
> governo de FHC, com todas as láureas que esse tenha - um governo que
> estagnou o país. E, que pelo que sei, odiava os professores universitários.
>
> 2008/9/30 Décio Krause <[EMAIL PROTECTED]>
>
>> Legal esse final (mas duvido) de discussão. Viadagens e milindres à parte
>> (êpa, êpa, ôba, ôba, como dizia o Ivan Lessa nos bons tempos do Pasquim, lá
>> por 1969), pelo menos em uma coisa todos concordamos,  apesar de óbvia
>> (viram como essas discussões são produtivas?): que o Lula é um apedeuta
>> (será que a língua pátria me permitiria dizer "aPTeuta"?) cercado de ladrões
>> por todos os lados. Mas não se enganem, ele não é uma ilha, mas o atrator, o
>> buraco negro. Aprendemos algo, afinal, mesmo com o português errado!
>> D.
>>
>>
>>>
>>>
>>>  2008/9/30 <[EMAIL PROTECTED]>
>>>
>>>   Meus caros,
>>>>
>>>> como o nivel não está nas alturas, e estamos falando de poesia então
>>>> gostaria de lembrar uns versos de um "poeto" pernambucano (e esse não
>>>> é analfabeto), Manuel Bandeira:
>>>> "Vinha da boca do povo na língua errada do povo. Língua certa do povo.
>>>> Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil"
>>>>
>>>> Renato.
>>>>
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> Quoting Silvio <[EMAIL PROTECTED]>:
>>>>
>>>> >
>>>> > Marcelo:
>>>> >
>>>> > Vs.representa ponderável segmnto da população que
>>>> > aceita incorporar ao vernáculo as variações linguínsticas oridundas
>>>> > dos diversos "modos" ou vícios de linguagem que apopulação, om o
>>>> > implacável tempo, adota.
>>>> > Existem fundamentos básicos  como nos ensinam os dicionários ,as
>>>> > gramáticas, a ABL. e os autores eruditos.
>>>> >
>>>> > Vs.não deve lamentar nada: você reflete grande parte da
>>>> > sociedade,hoje liderada por um analfabeto funcional e cercado de uma
>>>> >  corja de inclusive criminosos confessos confessos como é o caso do
>>>> > (Jair) Mink.
>>>> >
>>>> > São os novos tempos. eis uma das razões pelas quais jamais recebemos
>>>> >  um Nobel  de literatura: Esqueceram do G. Rosa.....
>>>> >
>>>> > Espero que essa nova "escola" grave os falares do apedeuta e o
>>>> > incorpore ao VOLP.
>>>> >
>>>> > um bom dia e realmente encerremos o tema, fora do escopo do grupo.
>>>> >
>>>> > silvio
>>>> >   ----- Original Message -----
>>>> >   From: Marcelo Finger
>>>> >   To: Silvio
>>>> >   Cc: Walter Carnielli ; [email protected]
>>>> >   Sent: Tuesday, September 30, 2008 9:43 AM
>>>> >   Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >     A língua, para quem a cultua, deve seguir o que orienta os
>>>> gramátisos e
>>>> >     sobre a forma de escrever as palavras, o VOLP.
>>>> >
>>>> >   Caro Sílvio.
>>>> >
>>>> >   Lamento, mas tenho uma posição absolutamente oposta a esta
>>>> > expressada acima.  Não há justificativa para essa camisa de força,
>>>> > esse engessamento do uso da linguagem que despresa a dinâmica, a
>>>> > variação, os regionalismos, que são fenômenos naturais, universais,
>>>> > comuns a todas as línguas, e portanto inevitáveis.
>>>> >
>>>> >   Não há motivos para dar o monopólio do controle da língua para os
>>>> > gramáticos.  A língua é de seus falantes.
>>>> >
>>>> >   Eu acho ótimo haver um VOLP, se ele estivesse disponível
>>>> > eletronicamente nos ajudaria muitíssimo nos programas de Linguística
>>>> >  Computacional.  Mas ele está muito longe de ser a última palavra em
>>>> >  termos de língua.  A única coisa que se pode dizer sobre ele é que
>>>> > ele já está desatualizado na hora que é publicado.
>>>> >
>>>> >   E, por falar nisso, eu tb não gosto de "estória".  Mas, assim como
>>>> >  o verbo "ponhar" (variante do verbo por), a "estória" existe.  E
>>>> > podemos até escrever A História do Emprego de "Estória" no Português.
>>>> >
>>>> >   Abraços
>>>> >
>>>> >   Marcelo
>>>> >
>>>> >   PS: Não voltarei mais a este assunto, pois essas discussões tendem
>>>> >  a ser intermináveis.  Apenas deixo minha opinião, formulada e
>>>> > reformulada ao longo de décadas.
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >     Essa questão sobre "poeta" já está por demais batido, as madames
>>>> podem se
>>>> >     arvorar em "poetas": não há ocorrência de crime: apenas de
>>>> > umaclara vontade
>>>> >     de se masculinizar, é até possível que tenham problemas
>>>> psicológicos pois
>>>> >     fora o pedantismo, não há respaldo culto para essa degradação.
>>>> >
>>>> >     Estou escutando repórteres na TV dizendo menu com a terminação
>>>> > em u, quando
>>>> >     é público e notório que é palavra francesa e que na pronúncia o
>>>> > "u" tem som
>>>> >     de "i"....é a deterioração da lingua, como dos costumes e como
>>>> > do caráter,
>>>> >     que o apadeuta e sua corja, impõem, paulatinamente, no país: somos
>>>> >     recordistas ocidentais em analfabetos funcionais.
>>>> >
>>>> >     sds.,
>>>> >     silvio.
>>>> >
>>>> >     ----- Original Message -----
>>>> >     From: "Walter Carnielli" <[EMAIL PROTECTED]>
>>>> >     To: <[email protected]>
>>>> >     Sent: Monday, September 29, 2008 5:41 PM
>>>> >     Subject: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa
>>>> >
>>>> >
>>>> >     Ola Silvio,
>>>> >
>>>> >     embora esta  minha  intervenção  não tenha a menor relevância
>>>> sobre o
>>>> >     tema em discussão  e nem sobre temas da Lista,  e aproveitando que
>>>> >     Deus saiu da pauta,  não posso deixar de  mencionar o que a
>>>> própria
>>>> >     Hilda Hilst, me disse   (ela  morava numa chácara em  Campinas e a
>>>> >     visitei muitas vezes)  sobre a  historia de ser  "poeta" e não
>>>> >     "poetisa".  Algo assim:  se existisse "poeto", ela seria  "poeta".
>>>> >     Como os  idiotas dos académicos  inventaram mal o termo, eles
>>>> >     que...#*$..  e ela continuaria a ser  "poeta: da mesma maneira...
>>>> Uma
>>>> >     espécie de demonstração não-construtiva da apropriabilidade (epa!)
>>>> do
>>>> >     termo.
>>>> >
>>>> >     Abraços,
>>>> >
>>>> >     Walter
>>>> >
>>>> >
>>>> >     > João:
>>>> >     >
>>>> >     > Guimarães Rosa nãocriou neologismos: ele, em suas prolongadas
>>>> > viagens de
>>>> >     > pesquisa pelo interior de Minas  anotou os diversos falares, as
>>>> >     > deturpações
>>>> >     > da lingua em função exatamente da falta de continuidade por
>>>> formas
>>>> >     > literárias ou educativas, das formas eruditas dos vocábulos.
>>>> >     >
>>>> >     > Até a falta de dentes em grande parte do pessoal do interior
>>>> contribuiu
>>>> >     > pra
>>>> >     > isso.....
>>>> >     >
>>>> >     > Exemplo atroz é o uso indevido de "estória" que hoje é
>>>> > corriqueiro e é um
>>>> >     > despudor, um ambicismo quedesonra a cultura de quem o utiliza.
>>>> >     > Por sua própria etmologia, é uma palatra que descreve algo  que
>>>> >     > antiriormente não era conhecido. Exemplo: kardecismo:
>>>> > "Doutrina religiosa
>>>> >     > de
>>>> >     > Allan Kardec (1804-1869), pensador espírita francês". Esse
>>>> vocábulo,
>>>> >     > obviamente, não existia antes da existânaia do criador do
>>>> espiritismo.
>>>> >     > Usar a deformação viciosa como o caso do "estória" não é
>>>> neologismo, é
>>>> >     > vício
>>>> >     > de linguagem.
>>>> >     > Qualquer pessoa só deve escrever dentro dos parâmetros das
>>>> > regras cultas,
>>>> >     > uma delas é usar vocábulos existentes no VOLP: uma curiosidade
>>>> >  é o fato de
>>>> >     > famosa poetisa brasileira (por motivos que não revelou),
>>>> arvorar-se em
>>>> >     > "poeta", não aceitando o título de poetisa conforme nos ensina a
>>>> >     > gramática:
>>>> >     > e diversas senhoras, por modismo, para se diferenciarem ou
>>>> mostra uma
>>>> >     > cultura que é falsa, arvoram-se em "poetas" o que desqualifica
>>>> toda sua
>>>> >     > obra.
>>>> >     > Autores consagrados - é o caso de guimarães Rosa e o grande
>>>> > poeta lusitano
>>>> >     > Fernando Pessoa ousam alterar a formatação dos vocábulos tanto
>>>> para
>>>> >     > mostrar
>>>> >     > sua erudição como para aprimorar o sentido do texto, o que não
>>>> os
>>>> >     > incorpora
>>>> >     > oficialmente à língua: são apenas detalhes artísticos.
>>>> >     >
>>>> >     > Deve haver algum trabalho de qualidade sobre isso: se alguém
>>>> > tiver, que o
>>>> >     > traga à luz:  Rabelais até criou um povo denominado "Nefelibata"
>>>> em
>>>> >     > homenagem aos criadores de neologismos...".
>>>> >     >
>>>> >     > Copiei na ewikipedia:
>>>> >     >
>>>> >     > "Termo utilizado para classificar uma palavra nova que surge
>>>> > numa língua
>>>> >     > devido à necessidade de designar novas realidades - novos
>>>> conhecimentos
>>>> >     > técnicos, objectos gerados pelo progresso científico
>>>> > (neologismos técnicos
>>>> >     > e
>>>> >     > científicos) e até por questões estilísticas e literárias,
>>>> tornando a
>>>> >     > língua
>>>> >     > mais expressiva e rica (neologismos literários).
>>>> >     >
>>>> >     > O que sucede quando precisamos de atribuir um novo nome para
>>>> > designar uma
>>>> >     > ideia ou objecto novos é escolher uma destas opções: formar uma
>>>> palavra
>>>> >     > nova
>>>> >     > a partir de elementos que já existam; adoptar um termo de uma
>>>> outra
>>>> >     > língua;
>>>> >     > alterar o significado de uma palavra já antiga. Daí que os
>>>> neologismos
>>>> >     > criados possam possuir diferentes processos de formação: por
>>>> derivação
>>>> >     > (ficcionismo, metaficção), por composição (astronauta,
>>>> homeopatia), por
>>>> >     > imitação de outras palavras já existentes na língua (eurocrata),
>>>> por
>>>> >     > transferência de vocábulos pertencentes a outras línguas
>>>> > (clicar, inputar,
>>>> >     > scannear), ou palavras completamente novas que são criadas.
>>>> > Neste último
>>>> >     > grupo, incluem-se os neologismos literário-estilísticos que são
>>>> criados
>>>> >     > para
>>>> >     > se conseguir um efeito único, especial, ou tornar uma frase
>>>> > mais maleável,
>>>> >     > concentrando uma expressão numa palavra, de modo a tornar o
>>>> > sentido mais
>>>> >     > explícito, por exemplo: «trotamundos» (forma como Walter, uma
>>>> das
>>>> >     > personagens de O Vale da Paixão é referida várias vezes, pelo
>>>> > pai, por não
>>>> >     > permanecer muito tempo no mesmo local) e o substantivo seu
>>>> derivado".
>>>> >     >
>>>> >     >
>>>> >     >
>>>> >     > uma boa noite,
>>>> >     >
>>>> >     > silvio.
>>>> >
>>>> >     +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
>>>> >     Walter Carnielli
>>>> >     Centre for Logic, Epistemology and the History of Science ? CLE
>>>> >     State University of Campinas ?UNICAMP
>>>> >     P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil
>>>> >     Phone: (+55) (19) 3788-6519
>>>> >     Fax: (+55) (19) 3289-3269
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