Bom, minha visão é muito, muito diferente. Por isso, aos pouquinhos, tô procurando as raízes da filosofia nas antigas culturas da Anatólia, onde, afinal, ficavam Éfeso e Mileto.
2008/10/1 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]> > Doria, eu não sei grego, mas conheço um pouco a história da filosofia. > Tenho falado aqui da filosofia a partir de Sócrates. Se tivesse falado de > Heráclito, p.ex., provavelmente eu me referiria ao logos e não à phisis. Mas > o que é não-inimportante, hehe, nessa história é o sentido geral da > filosofia greco-romana: ao problema metafísico acerca do ser, da realidade, > respondia-se apontando para o todo da natureza, à qual pertenciam também os > deuses. Para os estóicos, tratava-se justamente de viver em conformidade com > a natureza. Abraço, edg > > > 2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]> > > Você conhece grego? Conheço um pouco; há muito tempo traduzi muita coisa >> dos pré-socráticos, especialmente Heráclito, algo de Platão (a pedido de >> Nise da Silveira, o mito do andrógino), partes das cartas principais de São >> Paulo, coisas da patrística, textos como Perì mustikês philosophías, do >> pseudo-Dionísio. Reflexos disso aparecem num livro meu, esgotado, de 1972, >> _O Corpo e a Existência_. >> >> MUITO CUIDADO ao dizer p.e. que kósmos é o ``sentido da vida'' para os >> gregos. Penso num dos raros, talvez o único fragmento de Heráclito onde se >> fala de kósmos - palavra ambígua, com dois sentidos divergentes. Tive uma >> vez uma longa discussão sobre sua tradução com Emmanuel Carneiro Leão. Sobre >> phúsis, pior: veja Diels-Kranz 22 B 123. >> >> 2008/10/1 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]> >> >>> Caros, >>> >>> O Desidério gosta muito de apontar falácias na argumentação dos outros, >>> mas não se dá conta das suas. A preferida dele é o Bulverismo. Ele não se >>> cansa de explicar os mecanismos psicológicos pelos quais os incompetentes e >>> imaturos são impossibilitados de pensar outra vez [como se pensar certo uma >>> vez fosse pior que pensar errado duas]. E ele faz isso ao mesmo tempo que >>> afirma não se poder saber quais eram as preocupações primárias dos filósofos >>> mortos: então dos vivos se pode? >>> >>> A resposta ao Desidério é muito simples: salvação, tal como usada pelo >>> colega antes de mim e por Luc Ferry em O que é uma vida bem-sucedida, não >>> tem um sentido exclusivamente cristão. [O sentido da vida para os gregos era >>> o cosmo, a physis; para os cristãos, Deus; para os primeiros modernos, o >>> sentido da vida devia ser procurado no próprio homem, ora racional ora >>> sensível; depois o sentido foi buscado na história e em seguida na linguagem >>> em sentido lato. Hoje enfrentamos uma crise de sentido, daí se falar não só >>> da morte de Deus, mas do próprio homem, do sujeito, e de se escrever sobre o >>> sentido do sentido e coisa parecida.] Mas a associação com a religião é >>> óbvia. Apenas, a religião pode assumir várias formas, inclusive atéias, >>> civis etc. Marx, ateu materialista, estava preocupado com quê, senão com a >>> salvação? E Hume, o cético empirista, quando criou a ciência do homem? >>> --Aliás, o mesmo Hume que mandava queimar livros de metafísica, dizia que um >>> povo inteiramente privado de religião pouco difere dos animais. >>> >>> Não sei dizer se Kuhn tratou ou não do sentido da questão da salvação ou >>> do sentido da vida etc., pois não conheço toda a obra desse pensador [com >>> certeza se preocupava pelo menos com um tipo de salvação: o da "aberração" >>> científica]. Mas digamos que ele seja uma exceção. Se todos os grandes >>> filósofos, de Sócrates a Popper, tiveram uma preocupação soteriológica, como >>> fica então Kuhn diante disso? É simples: se ele não faz o que os filósofos >>> fazem, então não é filósofo. Ou o contrário: para quem a filosofia é o que o >>> Kuhn, ou Carnap ou seja lá quem for, faz, então todos os grandes filósofos >>> não eram... filósofos. >>> >>> Se me permitem uma indicação, o mesmo Luc Ferry, acima citado, escreveu >>> um livro popular em que procura evidenciar a vocação soteriológica da >>> filosofia: Aprender a viver. -- Mandar estudar é outra falácia muito >>> praticada pelo amigo português. >>> >>> Eu não tenho a menor dúvida que eu faço filosofia. Mas também tenho >>> certeza de que eu não faço a mesma coisa que o Desidério faz. >>> >>> Abraço, >>> edg >>> >> > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > >
_______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
