Não vou responder a isso. Que horror...

2008/10/2 Silvio <[EMAIL PROTECTED]>

>  Energúmeno:
>
> a) assine suas mensagens, identifique-se.
>
> b) não vou porque não tenho dinheiro: sou um velho aposentado. caso queita
> presenteá-los, aceito com gosto.
>
> c)meu e-mail é claro, o seu, obscuro. É essa a diferença entre os
> raciocínios filosóficos: a ânsia de se se sobrepor intelectualmente é uma
> filosofia petista.
>
> tenha um bom dia
>
> silvio.
>
> ----- Original Message -----
>
> *From:* Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
> *To:* Silvio <[EMAIL PROTECTED]>
> *Cc:* Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]> ; 
> Logica-L<[email protected]>
> *Sent:* Wednesday, October 01, 2008 7:40 PM
> *Subject:* Re: [Logica-l]falácia da redefinição e síndrome da autoridade /
> greguices gregárias
>
> Silvio,
>
> H. Diels e W. Kranz, _Die Fragmente der Vorsokratiker_, 2 vols. Vai lá.
>
> Milto é Milawata, uma cidade hitita, protetorado eventual dos aqueus.
>
> 2008/10/1 Silvio <[EMAIL PROTECTED]>
>
>>  Francisco:
>> Tales foi o primeiro filósofo ocidental: nasceu em Mileto, foi um dos sete
>> sábios da antiguidade.
>> Anaximandro e Anaximedes também eram conterrâneos:
>> O grupo de Mileto é considerado como a "Escola Jônica",amais antiga e
>> cujas conclusões ~já estão amplamente superadas.
>>
>> sds.,
>> silvio.
>>
>>  ----- Original Message -----
>> *From:* Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
>> *To:* Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>
>> *Cc:* Logica-L <[email protected]>
>> *Sent:* Wednesday, October 01, 2008 9:51 AM
>> *Subject:* Re: [Logica-l]falácia da redefinição e síndrome da autoridade
>> / greguices gregárias
>>
>>   Bom, minha visão é muito, muito diferente. Por isso, aos pouquinhos, tô
>> procurando as raízes da filosofia nas antigas culturas da Anatólia, onde,
>> afinal, ficavam Éfeso e Mileto.
>>
>> 2008/10/1 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>
>>
>>> Doria, eu não sei grego, mas conheço um pouco a história da filosofia.
>>> Tenho falado aqui da filosofia a partir de Sócrates. Se tivesse falado de
>>> Heráclito, p.ex., provavelmente eu me referiria ao logos e não à phisis. Mas
>>> o que é não-inimportante, hehe, nessa história é o sentido geral da
>>> filosofia greco-romana: ao problema metafísico acerca do ser, da realidade,
>>> respondia-se apontando para o todo da natureza, à qual pertenciam também os
>>> deuses. Para os estóicos, tratava-se justamente de viver em conformidade com
>>> a natureza. Abraço, edg
>>>
>>>
>>> 2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
>>>
>>>  Você conhece grego? Conheço um pouco; há muito tempo traduzi muita
>>>> coisa dos pré-socráticos, especialmente Heráclito, algo de Platão (a pedido
>>>> de Nise da Silveira, o mito do andrógino), partes das cartas principais de
>>>> São Paulo, coisas da patrística, textos como Perì mustikês philosophías, do
>>>> pseudo-Dionísio. Reflexos disso aparecem num livro meu, esgotado, de 1972,
>>>> _O Corpo e a Existência_.
>>>>
>>>> MUITO CUIDADO ao dizer p.e. que kósmos é o ``sentido da vida'' para os
>>>> gregos. Penso num dos raros, talvez o único fragmento de Heráclito onde se
>>>> fala de kósmos - palavra ambígua, com dois sentidos divergentes. Tive uma
>>>> vez uma longa discussão sobre sua tradução com Emmanuel Carneiro Leão. 
>>>> Sobre
>>>> phúsis, pior: veja Diels-Kranz 22 B 123.
>>>>
>>>> 2008/10/1 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>
>>>>
>>>>>   Caros,
>>>>>
>>>>> O Desidério gosta muito de apontar falácias na argumentação dos outros,
>>>>> mas não se dá conta das suas. A preferida dele é o Bulverismo. Ele não se
>>>>> cansa de explicar os mecanismos psicológicos pelos quais os incompetentes 
>>>>> e
>>>>> imaturos são impossibilitados de pensar outra vez [como se pensar certo 
>>>>> uma
>>>>> vez fosse pior que pensar errado duas]. E ele faz isso ao mesmo tempo que
>>>>> afirma não se poder saber quais eram as preocupações primárias dos 
>>>>> filósofos
>>>>> mortos: então dos vivos se pode?
>>>>>
>>>>> A resposta ao Desidério é muito simples: salvação, tal como usada pelo
>>>>> colega antes de mim e por Luc Ferry em O que é uma vida bem-sucedida, não
>>>>> tem um sentido exclusivamente cristão. [O sentido da vida para os gregos 
>>>>> era
>>>>> o cosmo, a physis; para os cristãos, Deus; para os primeiros modernos, o
>>>>> sentido da vida devia ser procurado no próprio homem, ora racional ora
>>>>> sensível; depois o sentido foi buscado na história e em seguida na 
>>>>> linguagem
>>>>> em sentido lato. Hoje enfrentamos uma crise de sentido, daí se falar não 
>>>>> só
>>>>> da morte de Deus, mas do próprio homem, do sujeito, e de se escrever 
>>>>> sobre o
>>>>> sentido do sentido e coisa parecida.] Mas a associação com a religião é
>>>>> óbvia. Apenas, a religião pode assumir várias formas, inclusive atéias,
>>>>> civis etc. Marx, ateu materialista, estava preocupado com quê, senão com a
>>>>> salvação? E Hume, o cético empirista, quando criou a ciência do homem?
>>>>> --Aliás, o mesmo Hume que mandava queimar livros de metafísica, dizia que 
>>>>> um
>>>>> povo inteiramente privado de religião pouco difere dos animais.
>>>>>
>>>>> Não sei dizer se Kuhn tratou ou não do sentido da questão da salvação
>>>>> ou do sentido da vida etc., pois não conheço toda a obra desse pensador 
>>>>> [com
>>>>> certeza se preocupava pelo menos com um tipo de salvação: o da "aberração"
>>>>> científica]. Mas digamos que ele seja uma exceção. Se todos os grandes
>>>>> filósofos, de Sócrates a Popper, tiveram uma preocupação soteriológica, 
>>>>> como
>>>>> fica então Kuhn diante disso? É simples: se ele não faz o que os filósofos
>>>>> fazem, então não é filósofo. Ou o contrário: para quem a filosofia é o 
>>>>> que o
>>>>> Kuhn, ou Carnap ou seja lá quem for, faz, então todos os grandes filósofos
>>>>> não eram... filósofos.
>>>>>
>>>>> Se me permitem uma indicação, o mesmo Luc Ferry, acima citado, escreveu
>>>>> um livro popular em que procura evidenciar a vocação soteriológica da
>>>>> filosofia: Aprender a viver. -- Mandar estudar é outra falácia muito
>>>>> praticada pelo amigo português.
>>>>>
>>>>> Eu não tenho a menor dúvida que eu faço filosofia. Mas também tenho
>>>>> certeza de que eu não faço a mesma coisa que o Desidério faz.
>>>>>
>>>>> Abraço,
>>>>> edg
>>>>>
>>>>
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