Eu ia escrever uma coisa muito parecida a:

> 1) Qual e exatamente a relacao (nao causal), similitude e diferencia,
>     entre o sistemo de Frege e o calculo dos predicados de hoje (FOL),

Porque a metáfora da paternidade me estava tirando do sério:
O "pai" de uma teoria significaria algo assim como que antes do
desenvolvimento do "pai" não se podia falar dessa teoria num sentido
próprio, mas depois dessa contribuição poderíamos dizer que essa
teoria foi criada ou inventada ou descoberta), como acontece com a
silogística e Aristóteles.
O "pai" de uma disciplina ou de uma grande área é mais difícil de
estabelecer claramente, e eu não sei como fazer isto de uma maneira
científica e racional. Será que Aristóteles é o "pai" da lógica? Será
que Euclides é o "pai" da geometria. Muitas da discussões mais inúteis
e irrelevantes que existiram partem de confusões criadas pela
linguagem (ambiguidade, etc.).

Eu me dediquei um pouco, muito pouco, a estudar questões de história
da ciência. Eu acho que o maior perigo é o anacronismo. Nós temos um
conceito científico atual, por exemplo "elemento químico". Então, com
essa idéia na cabeça, lemos Lavoisier, procurando pelo conceito de
"elemento químico", ou seja, pelo *nosso* conceito de elemento
químico. Da mesma maneira podemos procurar por quantificadores na
Begriffsschrift, e olhando para um ganchinho exclamar: "voilá, une
quantificateur". O mais correto, e também o mais interessante, é
analisar questões como: quais são as similitudes, diferenças, etc.
entre o que *nós* chamamos de quantificador em Frege e o conceito (ou
um dos conceitos?) de quantificador da lógica matemática atual; qual
foi a influência histórica daquele neste; etc.

Um outro perigo na história e filosofia da ciência é colocar conceitos
que possam envolver algum tipo de subjetividade: por exemplo, a
importância de um determinado pensador, corrente ou teoria, porque
podem estar implícitas valorações. No pior dos casos, o estudioso de
um pensador vira um torcedor.

E, por último, aqueles que, como eu, têm estudado muito pouco Frege
(ars longa, vita brevis, mas tal vez hoje deveria ser scientia longa,
vita brevis), corremos o risco de descobrir a pólvora. Por isso uma
citação de uma obra já mecionada na discussão, mas não para fechar
nada nem para freiar críticas, mas para colocar um ponto de partida
claro (Handbook Of The History Of Logic 3 - The Rise Of Modern Logic
>From Leibniz To Frege).

But whereas Peirce's innovations arrive piecemeal and in response to
particular inadequacies of the Boolean framework he was developing, in
Begriffsschrift modem logic appears to spring forth fully formed. The
work's list of 'firsts' is remarkable: the first complete resentation
of truth-functional propositional logic; the first representation of
generality through quantifiers and variables, allowing the first
formulation of reasoning involving multiple nested generality; the
first formal system of logic, in which correctness of inference is to
be confirmable by syntactic criteria; the first mathematically
significant employment of higher-order logic, in the reduction of
inductive to explicit definitions.

Carlos Gonzalez

2009/1/25 BEZIAU Jean-Yves <[email protected]>:
> Essa discussao sobre o Frege é interessante
> mas seria bom se podemos fazer uma coisa mais construtiva e rigorosa.
> Fazer uma avaliacao do Frege.
>
> 1) Qual e exatamente a relacao (nao causal), similitude e diferencia, entre o 
> sistemo de Frege e o calculo dos predicados de hoje (FOL),
> Temos por isso que examinar quais sao as propriedades do sistemo do Frege.
> o Abilio fala de completude, mas nao sei exateamente o que ele quer dizer, 
> essa palavra tem varios sentidos, me parece um pouco anacronica.
>
> 2) A verdadeira influencia do Frege sobre o desenlvovimento da logica moderna
>
> 21) Sobre os conceitos fundamentias da logica moderna
> 211) Teoria dos conjuntos
> 212) Teoria da prova
> 213) Teoria da recursao (computacao, intelligencia artifcial)
> 214) Teoria dos modelos
> 215) Logicas non classicas
>
> 22) Sobre os grandes resultados/teoremos da logica moderna
> 221) Teoremo de completude
> 222) Teoremo de incompletude (primeiro e segundo)
> 223) Teoremoo de indecidiblidade
> 224) Teoremoo de eliminacao da cortes
> 225) independencia da hiptotese do continu.
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